O que esperar da 7ª temporada de Dexter?

Estou tentando controlar minha ansiedade e não jogar muita responsabilidade para a série neste ano para que ela não me decepcione como a 6ª, mas a sétima temporada tem de tudo para ser a melhor de Dexter. Antes de mais nada: SE VOCÊ NÃO QUER SPOILER, NÃO LEIA O TEXTO! BELEZA?!

Vamos lá! Finalmente Debra descobriu o hobby de seu irmão. Esse foi o momento mais aguardado por mim durante estes seis anos de história. E agora finalmente vamos poder ver qual será a reação de Deb. Ela vai prender o irmão? Aceitar? Ela vai perder o resto de sanidade que ainda lhe resta e parar num hospício? Tudo isso pode acontecer, mas o que eu espero que aconteça mesmo são diálogos francos entre os dois. Uma das coisas que mais me irritam na série é o isolamento de Dexter diante da irmã e as milhares de mentiras que ele conta a ela. É angustiante ver Deb tentando ter uma conversa com Dex, perguntar alguma coisa e ele não responder. É como conversar com uma parede.

Embora eu escreva tudo como possibilidades, tenho certeza de que ela irá aceitar quem Dexter é. E penso isso por acreditar que a série errou há dois anos atrás. Se Debra tivesse pego o irmão no final da 5ª temporada eu teria entrado em pânico, achando que ela poderia matá-lo ou entregá-lo à polícia. Mas agora não. Tenho certeza de que ela não fará nada disso e que ele não vai machucar a irmã adotiva. Esse adiamento da verdade vindo à tona só deixou mais claro o que virá depois: a aceitação.

Outro ponto positivo desta descoberta é a mudança de fórmula, que eu espero que aconteça. No último post critiquei o padrão da série, que tem utilizado os mesmos recursos de roteiro há seis anos: Dexter e seu jogo de gato e rato com o vilão principal. Eu espero sinceramente que isso mude. Que o foco saia do vilão da vez e recaia sobre Debra. Quero que o principal problema de Dexter neste ano seja sua irmã. Que esteja na relação entre os Morgan a principal fonte de arcos desta temporada.

Como sou muito fã da série, não aguento ver notícias pipocando na internet e não ler nenhuma. A melhor maneira de assistir a qualquer obra ficcional, na minha opinião, é não saber nada sobre ela. Mas simplesmente não consigo fazer isso com Dexter, então já sei de algumas coisas que irão acontecer na sétima temporada. Vou contar algumas aqui, lembrando que tudo pode ser especulação e não acontecer de fato. Então vamos aos spoilers:

1º Spoiler: Mike Anderson morre no primeiro episódio, “Are You…?”. Acredito que foi o ator, Billy Brown, quem pediu para sair, já que ele vai entrar em outra série. Se a morte de Anderson não servir de estopim para um arco ficcional muito foda, a sua entrada no show terá sido um dos maiores desperdícios. Mike entrou como substituto de Debra, que deixou o cargo de detetive para se tornar tenente do departamento. Até achei que haveria um caso entre eles, já que Deb sempre pega alguém diferente todos os anos. Mas isso não aconteceu. O envolvimento dos dois ficou restrito às dicas de moda e etiqueta que Mike deu à nova tenente, que precisou se portar melhor nesta nova fase de sua carreira.

Anderson também se mostrou o policial mais inteligente do departamento e sacava as coisas primeiro que todos. Mas tirando isso e o fato de Mike apresentar a Deb uma casa pra alugar, a participação de Brown não teve o menor sentido. Achei que ele seria melhor aproveitado no ano seguinte, mas isso não vai acontecer, pois Mike está marcado para morrer logo na estreia da sétima temporada. Uma pena. Acredito que o personagem podia render.

2ª Spoiler: Após presenciar o assassinato de Travis, Deb confronta o irmão que, mais uma vez, a enrola. Dexter a convencerá que foi um momento de loucura e os dois queimam a igreja para se livrar das evidências. Porém, na hora da investigação, Laguerta vai encontrar a lâmina de sangue de nosso herói, o que a deixará certa de que o Bay Harbor Butcher está de volta. Ou melhor, que o BHB não era seu amigo Doakes.

Tô curiosíssima para ver o desenrolar dessa história, afinal a polícia vai perceber que o padrão é o mesmo do BHB e isso deverá iniciar uma nova caçada em Miami. E agora Dexter tem que escapar de mais uma investigação e convencer a irmã de não entregá-lo.

3º Spoiler: Talvez o mais óbvio, mas o melhor de todos. Debra acreditará na versão inicial do irmão, mas logo irá sacar que aquele não foi o primeiro crime de Dexter. Se foi impulso, por que o plástico? Por que toda a conversa com a vítima? Por que o avental?

A tenente pode ser cega de amor pelo irmão, mas não é burra e claro que irá perceber coisas estranhas e ligar o método de Dex ao BHB e ao ITK (Afinal não é possível Deb não se lembrar que ficou amarrada a uma mesa exatamente como Travis, há seis anos atrás). Ela descobrirá que o irmão é um serial killer e tentará libertá-lo de seu dark passanger.

No arco entre os dois, estou super ansiosa para ver os diálogos. Quero ver se ele vai se abrir com ela. Se quando ela perguntar ele vai responder que é sim um assassino. Se vai dizer o motivo pelo qual faz isso. Se vai explicar o código de Harry e ela finalmente entenderá porque o pai nunca deu bola a ela. Quero saber se ele vai explicar que a morte da Rita é culpa dele. Se vai contar que matou o ITK para protegê-la. Quero diálogos entre os dois. Por favor, conversem. Joguem todas as cartas na mesa.

O que acredito que não irá acontecer

No trailer oficial, vemos Dexter esfaquear Masuka no pescoço. Duvido que ele mate o colega de trabalho, ainda mais no local e do jeito mostrados no vídeo. Aquela cena deve ser sonho ou apenas a simulação de um crime.

Acho impossível Deb entregar o irmão. Provavelmente ela ficará louca sem saber o que fazer e o que sentir ao ver que toda sua vida foi uma mentira. Mas Dex é o único ser humano da vida dela, é sua única ligação com o passado, raízes, família. Debra não entregará o irmão criminoso.

Também duvido que Quinn, Batista e demais coadjuvantes tenham destaque este ano. Li um texto no site NaTV, onde a Carla Gomes falou o quão inúteis são os coadjuvantes de Dexter, e concordo totalmente com ela. Quinn só teve sentido na história quando se envolveu com Deb. E os outros só chamam atenção quando estão ao lado dos protagonistas do show, os irmãos Morgan. Pode ser chatice da minha parte, mas nenhum coadjuvante me faz a menor falta. Podem morrer todos e ficar apenas Deb e Dex.

Tramas paralelas

Além da máfia russa (eu acho que é russa) aprontar em Miami, também teremos a presença de Hannah (Yvonne Strahovski), uma mulher misteriosa que se envolverá com Dexter. Estou sentindo cheiro de Lila e Lumen por aí, e sim, isso me desagrada. Não sei porquê, mas não gosto das namoradas de Dexter. Gostava apenas de Rita. Hoje, acho melhor ele ter relacionamentos curtos e não se envolver com ninguém. Mas vamos esperar que saia coisa boa daí, e não apenas um namoro entre os dois.

Não faço ideia do que Louis Greene (Ryan Chambers) quer com Dexter. Talvez ele saiba quem ele é e seja um admirador. Tá com cara que será tipo um Miguel Prado na vida de Dexter, ou seja, um grude total. Tem de tudo pra ser uma trama bem interessante

E por favor, arranjem um namorado legal para Debra. Um dos motivos da última temporada ter sido ruim foi a falta de um novo parceiro pra policial. Pô, Deb é pegadora e não pegou ninguém na sexta temporada? Tem que mudar isso aí Showtime.

Dexter – Balanço da 6ª temporada

Decepcionante. Essa é a palavra que resume a sexta temporada, exibida em 2011 pela Showtime. E algo só nos causa decepção quando esperamos alguma coisa boa. A season 6 me criou expectativas. Ainda mais se formos lembrar que esta foi a primeira temporada que vi ao vivo. Os cinco anos anteriores eu assisti na sequência, em forma de maratona em 2010 e 2011. A sexta temporada foi a primeira pela qual eu esperei, vi teasers, trailers, spoilers. E o tema a ser tratado era muito bom: religião. A série que tem como protagonista um serial killer ia falar de religião, imagina quantas possibilidades de tramas e polêmicas isso não ia gerar? Mas a série cai na rotina e repete a fórmula de sempre. Um assassino apronta em Miami, Dexter se interessa pelos crimes e se aproxima do vilão, Dex atrapalha a investigação da polícia para matar o assassino primeiro, Dex tenta ficar amigo do vilão para salvá-lo ou para virar amigo ou para matá-lo, o vilão descobre quem Dexter é e tenta feri-lo ou então alguém da sua família, Dexter se zanga e depois de passar muito aperto finalmente mata o vilão e a polícia NUNCA PRENDE O RESPONSÁVEL PELOS PIORES CRIMES DO ANO EM MIAMI.

Como a quinta temporada foi um lixo, os produtores ignoraram toda a história do ano anterior.  O sexto ano começa um ano após a morte de Jordan Chase e o sumiço de Lumen, ou seja, eles poderiam levar o show para qualquer lugar. E optaram pela religião. Embora seja um monstro, Dexter tem um filho de dois anos e precisa passar coisas boas ao garoto. Agora ele está sozinho, não tem mais o suporte legal e moral de Rita, então a educação do fofíssimo Harrison está apenas a cargo dele. Mas como um assassino pode passar coisas boas para o filho? Como um cara que não acredita em nada vai dar sentido à vida de uma criança?

Isso ocorre ao nosso herói na hora de escolher uma escola para Harrison. O melhor colégio em Miami é cristão. Mas Dex é ateu. Aconselhado pela irmã, e vendo que pode deixar a educação moral e religiosa do filho a cargo da escola, Dexter matricula o filho em um colégio de freiras (fato hilário).

Após encaminhar o filho, Dex conhece Brother Sam (antes Mos Def, agora Yasiin Bey), um ex-bandido que se converteu e faz cultos semanais em sua oficina de carros. Enquanto isso, Miami é aterrorizada por outro assassino. Mas dessa vez o vilão passa mensagens bíblicas. Essa temporada pode ser dividida em duas: A primeira metade ótima e a segunda chata.

Dex não acredita na redenção de Brother Sam e se aproxima do mecânico para comprovar a história, que se mostra verdadeira no fim das contas. Para mim, Sam é o melhor personagem convidado de toda a série. A presença dele é muito importante para nosso herói, porque Sam não aparece como o criminoso de sempre que irá perder pra Dex no final. Ele é um homem comum que viveu o que Dexter está vivendo. Talvez eu goste de Brother Sam porque ele verbalizou uma teoria na qual eu sempre acreditei: Dexter nunca foi um monstro, foi Harry quem transformou ele nisso.

Sam percebe que Dexter tem seu dark passanger, e tenta convencê-lo, não diretamente, a deixar sua fúria de lado e focar no filho. Ele enxerga o amor que Dex sente por Harrison e vê nisso uma forma de mostrar ao serial killer que ele é sim um homem bom. O mais interessante é que a história de Sam se parece com a de Dexter. Sam entrou no mundo do crime após presenciar, ainda garoto, o pai matando um cara. Na época ele achava que isso era o certo, mas depois viu que não precisava seguir o caminho errado do pai. E é esse ensinamento que tenta passar a Dexter.

Enquanto Dexter e Brother Sam mantêm diálogos memoráveis, o Doomsday killer (DDK) mata suas vítimas e as expõe na forma de passagens bíblicas. Esse momento é ótimo, pois foca na investigação da Miami Metro. Os policiais e os fãs tentavam desvendar com seria o próximo crime lendo a Bíblia. Mas infelizmente o bom ritmo da série é quebrado ao meio, no episódio 6, o último bom episódio do ano.

Mas antes de contar a quebra que acontece em “Just Let Go”, vamos falar de coisa boa: Debra Morgan.  Repito, sempre que o arco de Dexter se perde em fórmulas desgastadas, é a outra protagonista da série que toma conta da cena. E a sexta temporada é particularmente especial para Deb, pois agora ela é tenente. Isso mesmo, chefe de Masuka, do irmão mais velho e de todos na delegacia, exceto da agora capitã Laguerta e do capitão Matthews (Geoff Pierson).

Laguerta descobre a amante prostituta de Matthews e o chantageia para conseguir um cargo melhor. Com isso o cargo de tenente fica liberado e a latina insiste em colocar o ex-marido, Angel Batista, em seu lugar. Só que Deb, sozinha, mata um louco atirador em um restaurante no primeiro episódio e se torna heroína do local e da cidade. E para dar mérito a Deb e, principalmente, ferrar Laguerta, Matthews escolhe a policial boca suja para o cargo de tenente. Fato que Laguerta detesta.

Agora vamos falar de coisa ruim: Maria Laguerta. Ela sempre foi insuportável, mas neste ano meu ódio por ela cresce assustadoramente. Nunca desejei tanto que ela morresse. Laguerta faz de tudo para dificultar a vida de Deb no novo cargo. Sério, gostaria que Deb aprendesse uns truquezinhos com o irmão e matasse Laguerta com suas próprias mãos.

No mesmo dia que é convidada a se tornar tenente, em “Once Upon a Time”, Debra também recebe outra surpreendente proposta: Um pedido de casamento de Quinn. A reação dela é impagável. Ela fica assustadíssima com o acontecimento e, claro, xinga muito. Apesar da confusão inicial, contornada após uma longa e boa conversa com Dexter (cena ótima), Deb se decide. No dia seguinte ela aceita o novo cargo dentro da polícia e rejeita o pedido de Quinn, o que faz com que o namoro acabe e com que Joseph acredite que ela o largou por ter se tornado tenente.

Deb lidando com as cretinices de Quinn e a filhadaputagem de Laguerta é um fator interessante, porque faz com que ela amadureça ainda mais. Mas agora ela está perdida por sentir que os amigos se afastaram por ela ser a chefe, por Laguerta ser uma “bitch”, pelo ódio de Quinn, pelo sempre ausente irmão e pela imensa responsabilidade de prender o Doomsday killer. Por ter matado o louco no restaurante, ela se vê obrigada a fazer terapia. Apesar da resistência inicial, ela continua com as sessões com sua psicóloga mesmo após ser liberada pelo Departamento. E ver Deb no divã é maravilhoso.

Achei a inserção da psicóloga fantástica, pois ali Deb pôde contar toda a desgraça de sua vida. A cena em que ela diz que perdeu a mãe cedo, que o pai nunca ligou pra ela, que o ex-noivo era um serial killer que tentou matá-la, que a única pessoa que tem na vida não se abre com ela e que o seu último amado foi assassinado na frente dela deixa a terapeuta arrasada. “Você quer marcar mais sessões por semana?”. Nesse momento vemos o quanto ela é frágil apesar da casca de policial durona e boca suja. E vemos o quanto os erros de Dexter refletem nela. Dexter pode não sentir nada, mas tudo o que faz recai sobre sua irmã. Dex erra e quem sofre é Deb.

Mas agora vamos voltar ao momento de quebra da temporada: “Just Let Go”. Brother Sam é assassinado neste episódio e Dexter, óbvio, decide se vingar, mesmo com Sam e Harry dizendo “Let Go!”. Dexter estava se aproximando do campo espiritual com Sam, não no sentido religioso, mas no sentido de entender que a vida é maior e que podemos mudar e fazer escolhas diferentes e que toda essa mudança pode ser motivada pelo amor que Dex sente pelo filho. Mas toda essa crença vem abaixo com o assassinato de Sam. Dexter não acredita na humanidade e decide continuar com seu dark passanger. Uma pena!

Uma pena matarem Brother Sam, os diálogos entre os dois eram uma das melhores coisas deste ano. Tiraram Sam da jogada para focar no Doomsday Killer, pessimamente interpretado por Colin Hanks (isso mesmo, ele é filho do Tom Hanks). Se os assassinatos seguissem a lógica inicial seria ótimo. A premissa era: Um estudante, Travis Marshall (Hanks), guiado por seu professor louco, Gellar (Edward James Olmos), comete uma série de crimes que lembram passagens bíblicas em Miami para provocar o fim do mundo. Os crimes eram muito bem elaborados e as vítimas eram expostas de um jeito teatral. Se seguissem com isso seria maravilhoso, mas optaram por outro caminho. Tortuoso caminho para os fãs.

No episódio 9, “Get Gellar”, Dexter descobre que o professor está morto. Na verdade o louco é Travis, que matou o professor e continua achando que ele está vivo guiando sua série de crimes. Essa revelação não foi surpresa para os fãs mais atentos, milhares de pessoas já sabiam que o Doomsday Killer era uma pessoa só. A partir daí a série deixa de se preocupar com os assassinatos muito bem elaborados do vilão e foca toda a história na loucura de Travis e no jogo de gato e rato entre Dex e DDK. O que considerei uma péssima escolha.

A parte psicológica da série com a presença de Brother Sam era muito mais interessante que isso. E outro detalhe irritante: Dexter nunca atrapalhou tanto o trabalho da polícia, o que achei uma sacanagem sem tamanho. A irmã dele acabou de ser promovida e precisa prender o pior bandido de Miami para se manter no cargo e, ao invés de ajudá-la, Dexter só põe obstáculos no trabalho de Deb. E tudo isso para ajudar Travis, que nosso herói acreditava estar nas mãos do professor Gellar. O que é mais importante, ajudar a irmã ou um cara que nunca viu na vida? Essas coisinhas de Dexter Morgan me irritam.

Com a revelação que só há um DDK, Dexter fica irado e decide matar Travis, história que rende arcos sonolentos. Enquanto isso Deb se desdobra para desvendar o caso com a ajuda do recém chegado e espertíssimo Mike Anderson (Billy Brown). Essa investigação rende uma cena ótima. Quinn, que se tornou um verdadeiro babaca após o fim do namoro com Debra, transa com uma testemunha importante do caso DDK e leva um esporro fenomenal da ex.

No meio desse turbilhão de acontecimentos, Deb ainda descobre, na terapia, que está apaixonada pelo irmão. Ao contrário da maioria dos fãs, eu defendo essa história. O relacionamento dos dois nunca foi nada comum e Debra venera o irmão de um jeito muito estranho. Para mim não é loucura que isso seja paixão. Só não gostei da forma como a história foi inserida. Deu a impressão de que a psicóloga fez um “inception” na mente de Deb. O recurso usado pelos roteiristas foi, mais uma vez, covarde. Por que ela não poderia perceber isso sozinha? Precisava de uma psicóloga enfiar isso na cabeça dela? Isso só serve para enfraquecer este arco e acabar facilmente com ele caso a audiência rechace o romance entre os irmãos adotivos.

De volta a Dexter, ele finalmente mata Travis. Porém, seu ritualístico assassinato é presenciado pela irmã. ALELUIA! ALELUIA! Até que enfim, né Showtime? Passou da hora de Deb descobrir, não tinha mais condições dela ficar alheia a isso. Esse foi o momento mais esperado por mim e agora é ver o desenrolar da trama na sétima temporada.

Resumindo: No geral a sexta temporada é boa. Ela seguiu um caminho errado – na minha opinião – ao tirar o foco da discussão trazida por Brother Sam a respeito de quem é Dexter e porque ele se tornou quem é para seguir o caminho fácil da fórmula desgastada: Dex atrás do vilão. Destaque pra Debra Morgan mais uma vez, as tramas envolvendo a tenente boca suja foram ótimas, diria até que a série girou em torno dela neste ano.

Já ia me esquecendo… A temporada ficou tão chata que resolveram trazer os melhores vilões de volta: Ice Truck Killer e Trinity. Quando se vê desesperado com a morte de Sam e mata o assassino do amigo, Dexter volta a ver o irmão mais velho, Brian. Nesse momento ele tem o devaneio de largar tudo pra traz e viver sua vida de verdade ao lado do irmão, coisa que ele abriu mão na primeira temporada. E Trinity volta na forma do filho, Jonah Mitchell. A irmã de Jonah não agüenta mais viver com a mãe, que ainda ama o marido (Arthur) e culpa os filhos pelo que houve, e decide se matar (também na banheira). Inconformado, Jonah espanca a mãe até a morte e põe a culpa das duas mortes no pai, que todos acreditam estar foragido.

A volta dos personagens foi brochante, pois tudo só durou um episódio. Ao lado de Brian Dexter vira um monstro (usa até arma de fogo, coisa que odeia). Mas o monstro só agiu por algumas horas. Após o encontro com Jonah em Nebraska ele decide voltar para Miami e para seu código. Não houve o menor sentido o retorno dos personagens. Voltaram para dar um impacto, mas isso só aconteceu no segundo em que vimos Christian Camargo (intérprete de Brian) na tela pela primeira vez, pouco depois o efeito se desvaneceu.

Dexter – Balanço da 5ª temporada

A pior temporada da série. E o foda é que estes 12 episódios tinham de tudo para serem os melhores do show até então, já que começamos a season 5 com Dexter viúvo e tendo que cuidar sozinhos de três filhos. Além disso, nosso serial killer também entra no radar de Quinn, que estranha a reação fria do herói diante do assassinato brutal da esposa e acredita que foi Dexter quem matou Rita.

Justiça seja feita, os três primeiros episódios da quinta temporada foram maravilhosos. O primeiro, “My Bad”, foi para mim o mais triste de toda a série da Showtime. O choque de ver Rita morta na banheira, Dexter atônito diante do crime e se sentindo culpado, a angústia de Deb pela falta de reação do irmão, o momento em que as crianças ficam sabendo da morte da mãe, o momento em que Dexter deixa Harrison com Deb (sem ela saber que ele pretende fugir) e finalmente dá um abraço real na irmã, a tristeza dos profissionais da Miami Metro, a mentira que foi a vida de Rita (mostrada na forma de flashbacks durante o episódio) e finalmente uma das raras demonstrações de sentimento de nosso herói: ele foge com seu barco, pára em um banheiro público e, do nada, mata um homem. A fúria de Dexter é impressionante. Ele larga o metódico código e mata por gosto, por prazer. Como ele não pode se vingar de Trinity, assassino de sua esposa, desconta sua raiva no primeiro que o provoca. A forma brutal e animalesca como ele espanca o homem até a morte é de arrepiar. E a cena fica ainda mais forte quando ele desaba em gritos e choro. Michael C. Hall merecia um Emmy só por esta cena.

Depois disso Dexter vê que não pode ficar longe de sua família e volta para Miami. O começo é super interessante pela nova composição da casa de nosso herói: Ele volta para o apartamento que havia cedido à irmã quando se casou. O apê passa a ser o lar de Dexter, Debra, Harrison, Astor e Cody. E claro que isso ia gerar problemas. Então os enteados de Dex decidem viver com os avós paternos e nosso herói fica sozinho com sua irmã adotiva e Harrison.

Confesso que esperava uma aproximação maior de Deb com seu sobrinho. Acreditei que ela fosse querer ter um papel maior na vida de Harrison e, de certa forma, ocupar o posto de mãe. Fato que não aconteceu. Enquanto isso Debra começa um surpreendente namoro com Quinn. Confesso que nunca imaginei ver os dois juntos (é surpreendente e engraçada a forma como eles ficam juntos pela primeira vez). Mas enfim, eles se relacionam e Quinn, desconfiado de Dexter, começa a investigar seu cunhado escondido de Deb.

Mas passado o ótimo impacto inicial, a série cai no marasmo absoluto. Ao invés de focar na superação de Dexter e das crianças, a série manda os filhos de Rita embora e joga Harrison para uma babá e criam uma nova namorada para o serial killer. QUE ISSO GENTE? O cara acabou de ficar viúvo. A maioria dos fãs ficou chocada e triste com a perda. Eu fiquei com muita pena de Rita, não apenas pela morte brutal, mas pela vida de mentira que ela teve ao lado do marido. Aí, de repente, o cara que diz não ter sentimentos e nem se importar com relações humanas arranja uma namorada. Confesso que não gostava muito de Lila, da segunda temporada, mas comecei a amá-la quando conheci Lumen (Julia Stiles), a personagem mais sem sal de todo o show.

Lumen é uma vitima de um grupo de homens que capturam, estupram, torturam e matam mulheres. O grupinho, que ainda grava todos os crimes cometidos, é liderado por Jordan Chase  (Jonny Lee Miller). Outra ressalva: O vilão é ótimo e muito bem interpretado pelo ator inglês, uma pena que os roteiristas não souberam explicar para o público a origem de tanto ódio, mas ainda assim, Jordan Chase é um dos grandes vilões da série. “TAKE IT!”. Quem não se lembra da frase marcante do vilão?

Enfim, Lumen foi a única que escapou viva de Jordan Chase graças a Dex. A partir daí os dois firmam parceria para matar todos os caras envolvidos na sequência de crimes e, claro, eles começam a namorar. Foi simplesmente ridículo ver Dexter tão patético, se entregando de verdade a um relacionamento e acreditando que poderia colocar Lumen na sua vida. Pô, a esposa do cara foi assassinada por culpa dele e ele nem espera o corpo esfriar para arranjar outra?

O arco de Dexter daí em diante é chatíssimo. E sempre que o universo de ação de Dexter é desinteressante ou fraco, quem se sobressai é Debra Morgan. Como sou muito fã da série, muitos amigos me perguntam quais são as melhores temporadas e se compensa ver a 5ª, que todo mundo critica. Eu sempre respondo que essa é a pior temporada do show, mas que compensa assistir apenas por causa de Deb.

Jennifer Carpenter rouba a cena. É incrível o desenvolvimento da atriz e da personagem em cinco anos. A intérprete está super segura e domina totalmente seu papel. Deb está mais esperta, desvenda os casos sem a ajuda de Dexter e mais rápido que seus colegas. Além de melhorar a cada dia como policial, Debra também amadurece no campo pessoal. Apesar de se envolver com Quinn, ela não é mais a garotinha ingênua que se deixou enganar por um serial killer na primeira temporada. Agora ela é mais forte, segura e bem resolvida. É muito legal assistir a um episódio do início da série e qualquer um da season 5, o crescimento da personagem é absurdo.

Com o desenrolar da história vemos Quinn desistir de investigar Dexter por conta de seu amor por Deb e Lumen concluir sua vingança matando Jordan Chase. E aí vem o momento mais decepcionante da história da série, no episódio final, “The Big One”. Debra, policial mais esperta do departamento, chega sozinha a uma casa abandonada e encontra Jordan morto em uma mesa. E atrás de uma cortina estão os assassinos, um casal de vigilantes como Deb acreditava. Debra avisa aos bandidos que está na casa e fala que entende que certas pessoas merecem morrer. Então ela deixa os dois escaparem sem se preocupar em conhecer a identidade dos matadores.

COMO ASSIM SHOWTIME? A melhor detetive de Miami, a policial mais obstinada e honesta simplesmente deixa os assassinos à solta? E o pior, ela nem ao menos puxa a cortina pra saber quem são os assassinos? Esse final não teve nenhuma lógica. Por covardia, os roteiristas mudaram a personagem do nada. A própria Jennifer Carpenter disse, em entrevista, que não gostou da cena. “Tive que reler várias vezes e conversar com os diretores e roteiristas para que eles me convencessem”, disse a atriz.

Na minha opinião, os produtores da série puxaram o freio de mão. O show é um sucesso e o lucro deve ser imenso. Se Deb descobrisse o segredo do irmão na 5ª temporada, a série teria que se encaminhar para o fim no ano seguinte. E para não acabar com a galinha dos ovos de ouro tão rápido assim, a Showtime decidiu esticar a história. Deixaram a Deb três vezes muito próxima a descobrir toda a verdade, mas em cima da hora puxaram nosso tapete, e mantiveram o segredo. A forma como a cena do último episódio foi produzida foi simplesmente ridícula. Mudaram o personagem. Debra Morgan nunca faria aquilo, a não ser por um roteirismo ridículo da emissora americana.

Eu digo para meus amigos assistirem essa temporada por conta da evolução de Deb e por conta dos sinais que ela nos deixa. Debra deixa de enxergar tudo preto e branco. Fica com o Quinn mesmo sabendo que ele poderia ter matado um cara. Começa a perceber que algumas pessoas merecem morrer. E deixa dois assassinos fugirem de uma cena de crime descoberta por ela. Esse final de temporada deixou muito claro para mim que, quando Deb descobrir que seu irmão é um serial killer, ela não vai entregá-lo. Apesar de ter ferrado com a personagem aos 45 do segundo tempo, os produtores da série nos mostraram a evolução de Deb e que ela pode, sim, perdoar e conviver com um irmão assassino.

Depois de tanta coisa ruim, pelo menos outro saldo positivo além de Deb: Lumen vai embora. Isso mesmo, ela larga Dexter no momento em que ele está todo bobão querendo apresentá-la para a família e amigos. No fim das contas, Lumen só queria mesmo o dark passanger. Ela completou sua vingança e partiu, pois só precisava do lado assassino de Dex naquele momento. Ou seja, o passageiro sombrio dela foi embora e ela não conseguiria passar a vida ao lado de um assassino.

Dexter – Balanço da 4ª temporada

O ápice. A aclamação. A queridinha dos fãs e da crítica. A melhor fase de Dexter. Na quarta temporada, que foi ao ar em 2009, vemos o serial killer mais amado da América vivendo com a mais perfeita camuflagem: Dexter Morgan, family man. Dexter está casado com Rita, vive numa confortável casa no subúrbio de Miami, é pai de três filhos sendo que um deles é um bebê. Ou seja, com tantas obrigações familiares fica mais difícil sair por aí matando pessoas.

E é nesse contexto que ele conhece o vilão da temporada, Trinity Killer, muitíssimo bem interpretado pelo veterano John Lithgow. O serial killer da vez tem um sistema arrojado de matar pessoas. A primeira vítima sempre é uma mulher, que é deixada boiando em seu próprio sangue em uma banheira. Depois uma mulher que cai de um prédio, numa situação semelhante a um suicídio. E por fim, um homem de meia idade é espancado. Só que o vilão realiza este ciclo em várias cidades americanas há quase 30 anos e, quando chega a Miami, logo é identificado por Frank Lundy, personagem da segunda temporada que retorna à série para prender o Trinity Killer, assassino que ele vem investigando há anos.

Conhecemos de perto Arthur Mitchell/Trinity e ficamos sabendo que ele é um cara “normal”. Pai de família, bom amigo, diácono da igreja, voluntário na construção de casas pelo país. E claro, conhecemos Arthur pelo olhar de Dex, já que nosso herói sempre se aproxima do vilão da vez. Dexter fica encantado com a camuflagem de Trinity e como ele consegue equilibrar sua vida dupla. A partir daí a história ganha dois rumos: Dexter se torna amigo de Arthur para tentar aprender a ser um melhor assassino e pai de família com ele enquanto Lundy e investiga o caso Trinity.

Esse é um dos momentos mais especiais da série, pois Dexter enxerga em Arthur o assassino perfeito, que consegue brilhantemente unir seu lado negro e sua camuflagem. Só que em nenhum momento ele pensa na segurança da própria família, ou melhor, pensa sim, só que pouco. Essa preocupação está presente, como sempre, na forma de Harry. O pai falecido sempre dá conselhos ao filho, dizendo que ele deve ficar atento à sua família.

No meio do aprendizado de Dexter, Rita começa a desconfiar do jeito distante e silencioso do marido. A esposa pensa que Dex a está traindo e que o casamento está em uma má fase, então eles seguem para uma terapia de casal. Já Debra se reaproxima de Lundy durante a investigação e acaba dando um pé na bunda de Anton para voltar a namorar o agente, agora aposentado, do FBI.

Porém, Lundy sabia demais e acaba assassinado pela filha de Trinity na frente de Debra. Esse crime rende uma das melhores e mais tristes cenas da série e uma das melhores performances de Jennifer Carpenter, quando a policial volta ao local do crime e é amparada pelo irmão. É impossível não se emocionar com o sofrimento dela em perder o namorado. E é impressionante o talento de Carpenter, poucas vezes vi um choro tão real na ficção. Outro desenrolar interessante dessa arco é o desespero de Dex ao saber que a imã havia sido baleada. “Se Debra morrer eu ficarei perdido”. Essa cena dá a dimensão exata do valor que a irmã tem em sua vida. Mesmo negando que tenha sentimentos, eles brotam do serial killer. Deb é o ponto de apoio de Dexter. “Se você sentir que vai perder o controle, se aproxime de Deb, ela vai te trazer de volta à realidade”, foi o conselho que Harry sempre deu ao filho adotivo.

Com o assassinato de Lundy, o Departamento de Homicídios finalmente se convence de que o ciclo de crimes é realizado por um mesmo bad guy. Fato até então ignorado pela Tenente Laguerta (Lauren Velez), que achava o Trinity Killer apenas uma teoria de Lundy. Deb se convence de que o assassino de Frank é Trinity, fato que Dexter sabe não ser real, já que ele está próximo a Arthur. Enquanto Deb se esforça mais para capturar o Trinity, Dexter estreita sua amizade com o assassino e se preocupa em capturar a pessoa que atirou em sua irmã.

Paralelamente a tudo isso, a relação de Deb e Quinn está bem melhor. Agora eles são bons colegas de trabalho. Laguerta e Angel Batista (David Zayas) começam a namorar. Masuka mantém suas tiradas engraçadas e até ganha mais espaço ao presenciar um beijo entre Rita e seu vizinho. E Dexter se vê cada vez mais perdido em meio a sua família, a cena em que ele tenta ter uma conversa normal com Rita é impagável.

Tudo se complica para o protagonista quando Arthur descobre que ele não é Kyle Butler, mas sim Dexter, um perito da Polícia de Miami. Quem não se lembra da fatídica cena, que também é o título do episódio, “Hello, Dexter Morgan!”. No finzinho da temporada também descobrimos algo sensacional: o ciclo de Trinity não tem apenas três assassinatos, mas quatro.

Antes dos três crimes, Arthur também mata um garoto de 10 anos. Dex se aproxima tanto que descobre a motivação de Arthur. Aos 10 anos, nosso vilão entrou no banheiro onde estava sua irmã. Ela se assustou e acabou se cortando com o vidro do box, não resistiu ao grave ferimento e acabou morta na banheira. A mãe ficou perturbada com a perda da filha e acabou se matando ao pular de um prédio. O pai transtornado com a situação começou a beber muito e foi espancado até a morte na saída de um bar. Essa loucura afetou e muito Arthur Mitchell, que para tentar se livrar da dor resolveu fazer este ciclo de mortes continuar.

Enquanto Dexter e Trinity ficam num jogo de gato e rato, Deb descobre que o assassino de Lundy era a filha de Trinity e atual namorada de Quinn: a repórter policial Christine Hill (Courtney Ford).  Quando Debra vai ao apartamento da jornalista para prendê-la, tem uma surpresa: Christine se mata na frente da policial. Essa é mais uma desgraça na vida de Debra.

É impressionante a quantidade de merdas que acontecem na vida da policial boca suja. A mãe morreu quando ela era uma adolescente, Harry nunca deu bola pra ela já que estava ocupado ensinando Dexter a matar, nunca consegue manter uma conversa real com o irmão, se apaixona por um serial killer que tenta matá-la, trai o namorado pra voltar com Lundy e vê seu amado morrer na sua frente. E pra piorar ainda mais, quando Deb nega o pedido de perdão de Christine, a filha de Trinity se mata na sua frente. “Não sei como Deb não está numa camisa de força”, disse a intérprete da policial em uma entrevista. E eu concordo com ela, não sei como Deb consegue se manter lúcida.

Agora vamos para o maravilhoso desfecho. Dexter finalmente consegue capturar Arthur. O todo poderoso Trinity Killer é envolto em plástico para aguardar o golpe certeiro de Dexter, mas, como sempre, há aquele belo bate-papo. No meio da conversa na killroom, Dexter diz que também tem uma família e a reação de Trinity é apenas virar a cabeça de lado e sorrir. Claro que aquilo não significou nada para os espectadores no momento. Mas entenderíamos o sarcasmo de Arthur minutos depois.

Para manter a família em segurança, Dex mandou Astor e Cody para a Disney com os avós paternos e Rita e Harrison para outro lugar (que não me lembro qual era). Ele deu a desculpa de fazer uma nova lua de mel e se livrou da esposa enquanto cuidava de Trinity. Mas após matar o vilão, Dexter chega em casa e percebe que Rita não viajou e encontra a esposa morta na banheira cheia de sangue e Harrison no chão, aos prantos. A cena foi chocante e maravilhosa. Minha cabeça deu uma reviravolta. ACONTECEU COM HARRISON O MESMO QUE ACONTECEU A DEXTER ANOS ATRÁS. “Ambos nascidos do sangue da mãe”, pensou Dexter quando viu a trágica cena.

Acredito que seja por causa deste final que a maioria dos fãs consideram a quarta temporada a melhor de todas. Pois Dexter perdeu. Sim, ele finalmente perdeu para alguém. Claro que Dex fez o que queria, matar Trinity, mas ele foi golpeado também. Sofreu o mais terrível golpe de sua vida, pois foi culpado pela morte de um inocente. E de uma pessoa inocente que o amava e que deu a ele sua melhor fantasia de ser humano normal. Nesta fase, Dexter viu que não é possível ser um assassino e um herói ao mesmo tempo (ITK deve ter gargalhado). Que não é possível sair à procura de assassinos, se tornar amigo deles e ainda assim manter sua família a salvo.

O saldo desta temporada espetacular foi: 1 Emmy e 1 Globo de Ouro para Michael C. Hall como melhor ator dramático e 1 Emmy e 1 Globo de Ouro para John Lithgow  como melhor ator convidado em série dramática. Prêmios mais que merecidos para os dois, lembrando que Michael já deveria ter levado os troféus pra casa desde a primeira temporada. O decepcionante nestas premiações é a ausência de indicações a Jennifer Carpenter. O trabalho feito por ela na série é incrível e a season 4 foi o seu primeiro grande momento no show. Acho um absurdo a atriz não ter sido lembrada até hoje por estas premiações.

Ah… e nesta temporada Debra descobre que Dexter e Rudy/Brian/ITK são irmãos de sangue. Fato que deveria ter aberto os olhos da policial, mas não o fez. Ela gosta tanto do irmão que só conseguiu enxergar Dex como mais uma vítima do ITK.

Dexter – Balanço da 3ª temporada

Essa sim foi uma temporada chata. O fraco vilão e o grudento Miguel Prado (Jimmy Smits) foram difíceis de engolir. Mas nem tudo foi ruim, afinal nessa terceira temporada vimos Dexter saber que seria papai, fato inesperado e divertidíssimo. E quando as coisas estão chatas ao redor do serial killer, quem se destaca é Deb. Talvez esta seja a fase onde a policial boca suja mais se desenvolva. Na luta por conseguir seu distintivo de detetive, Debra tem a chance de encurtar seu caminho dedurando o novo parceiro, Joseph Quinn (Desmond Harrington). Porém, mais uma vez, ela se mostra uma pessoa extremamente honesta e não ferra o coleguinha.

Agora Dexter tem o seu próprio código. Ele se cansou das mentirinhas do pai, como: O que aconteceu a ele quando criança, o fato dele ter um irmãozinho, o fato de Harry conhecer sua mãe biológica e ter tido um caso com ela, ter escondido que seu pai biológico estava vivo (viveu até a primeira temporada). Essas mentiras do cara que ele idolatrava deixaram Dexter furioso com Harry, principalmente depois de saber que seu poderoso papai foi um covarde ao não suportar ver o monstro que criou e se matar. Na terceira temporada Dexter deixa de idolatrar Harry e pega o código para si. O que gerou muitos problemas…

Problemas que começaram com sua amizade com o promotor Miguel Prado. Dex mata o irmão do latino sem querer e se vê envolvido com Miguel, que logo descobre o dark passanger de nosso herói. O fato é que Miguel também tem seu próprio passageiro sombrio e vê em Dexter uma escola de formadores de assassinos livres. Com a amizade com o serial killer, Miguel aprenderia a fazer justiça com as próprias mãos e escapar da polícia.

Apesar de Miguel ser chatíssimo, a relação entre dois até que é legal. Pois vemos Dexter fazendo um amigo, coisa que ele nunca teve antes. É engraçado as coisas que ele vai descobrindo que os amigos fazem, por exemplo, tomar cerveja juntos sem nenhum motivo aparente. Dexter se vê encantando de dividir o peso de quem ele é com alguém. Então ensina alguns de seus truques ao novo amigo. Tática que Harry com certeza desaprovaria. E claro que isso gera problemas para ele.

Paralelamente à história principal, o Skinner/Esfolador (Jesse Borrego) amedronta Miami. Ele está atrás de Freebo (Brandon Michael Bass), um traficante assassinado por Dexter. O vilão (vilãozinho, diga-se de passagem) ganha esse nome por torturar e cortar a pele de suas vítimas atrás de informações de Freebo, que deve dinheiro ao Esfolador.

Se desvendasse o caso, Debra conseguiria o tão sonhado distintivo, então, claro, ela se debruça feito uma louca no caso Skinner. Só que de certa forma ela acaba ajudando o vilão. Deb sai às ruas de Miami procurando por Freebo, o que ela não poderia imaginar é que o Esfolador estava na sua cola. Ou seja, as testemunhas de Deb, que poderiam saber do paradeiro de Freebo, viram vítimas do Skinner. E para deixar as coisas ainda melhores, o atual namorado de Deb, Anton (David Ramsey) também vai parar nas mãos do Skinner.

De volta a Dexter, Miguel começa a complicar a vida do nosso herói ao cismar de matar sua inimiga na justiça, uma advogada de defesa que põe os bandidões na rua. O problema é que a tal advogada não é uma assassina, ou seja, não entra no código de Dexter. Então o serial killer vê que está na hora de tirar Miguel do caminho, mas como fazer isso sem que o promotor o entregue? Claro, matando.

A cena em que a polícia encontra o corpo de Miguel contém uma das melhores tiradas do nosso herói-narrador. “A gente conhece as pessoas pelos amigos que elas mantém. Eu era o melhor amigo do Miguel”. Ou seja, Miguel era um lixo humano.

Bom. Acho que é isso. Deb salva seu novo amado e desvenda o caso do Esfolador conseguindo seu distintivo. Dexter, como sempre, mata o vilão. O que na terceira temporada foram dois: Miguel Prado e Skinner. Dexter se prepara para receber seu filhinho e se casa com Rita. Repetindo, para mim a temporada vale mais pela Debra. Pela forma como ela melhora como policial e como pessoa. Mesmo desconfiando de Quinn, ela não sacaneia o colega. Desvenda o caso Skinner sozinha e dá força para seu big brother futuro papai. E tudo acaba feliz na chata e fraca terceira temporada. Ah… Dexter faz as pazes com seu falecido pai e decide não abrir mais o Código de Harry para ninguém.