Dexter – Balanço da 2ª temporada

Esta é a temporada mais psicológica de Dexter. Já ouvi de pessoas que não são tão fãs da série que esta temporada é um pouco chata. Discordo totalmente. Talvez ela não tenha tanta ação quanto a primeira, mas é neste momento que nos aprofundamos na mente de nosso herói.

Tudo desaba no mundo de Dexter. Ele sente dificuldades de saciar seu dark passanger (já que a última pessoa assassinada por ele foi seu irmão de sangue), suas vítimas são encontradas, Doakes (Erik King) está seguindo nosso herói, Debra está traumatizada com a tentativa de assassinato do ITK e vai viver com Dex (o que atrapalha sua rotina de assassino), Rita começa a desconfiar que algo está errado, o rock star do FBI começa a investigar seus assassinatos em série, Miami só fala do Bay Harbor Butcher, ele começa a questionar Harry e seu código e se envolve com a perigosíssima Lila.

A série melhora quando tudo está dando errado pra ele. Para não ser pego, ele boicota o trabalho da polícia (como sempre). Para se livrar das desconfianças de Rita, mente que é viciado em drogas e vai parar no narcótimos anônimos, onde é apadrinhado por Lila (Jaime Murray). Com isso ele se envolve com a ex-viciada. Devo admitir que odiei o relacionamento na época. Pura sacanagem com Rita. Como o cara diz que não sente nada por ninguém e trai a namorada? Se ele não é nada apegado a relacionamentos físicos porque trair a namorada que é a perfeição em termos de camuflagem?

Bom, não engoli em nada o envolvimento “romântico” entre os dois. Mas admito que eles se entenderam perfeitamente, ou melhor, a Lila entendeu o Dexter perfeitamente. É incrível como ela soube ler o que se passava na mente dele. Ela não sabia que ele era um assassino, mas enxergava absolutamente tudo que Dex sentia e pensava. Se pararmos para analisar, Lila era a mulher perfeita para Dexter, se não fosse tão chave de cadeia.

No meio de tantos problemas, Dexter ainda tem que lidar com o Doakes descobrindo seu hobby. Para o sargento não entregá-lo, nosso herói decide trancá-lo em uma cabana abandonada no meio do nada. E mais uma vez vemos o quanto Dexter é dúbio. Ele não mata Doakes, pois está preso ao Código de Harry. “Não mate inocentes”. Mas ao mesmo tempo não pode deixar o policial solto para contar seu pequeno segredo.

As melhores partes desta temporada são os diálogos de nosso serial killer favorito com Lila e Doakes. A britânica lê os pensamentos de Dex e Doakes tenta convencê-lo a se entregar. Os roteiristas capricharam nestes 12 episódios. São nessas conversas que entendemos o que Dexter pensa. E no meio disso tudo ele descobre um grande segredo: o suicídio de seu pai adotivo.

Essa revelação foi um baque para Dex, afinal seu pai se matou por causa dele. Após presenciar um assassinato cometido pelo filho, Harry percebe o monstro que criou e não consegue viver com isso. Todos acreditam que o policial fodão morreu por conta de problemas no coração, mas Doakes vem nos dizer que ele se matou. E isso cai como uma bomba para o mundo de Dexter.

Paralelamente à tensão em torno do serial killer, Debra está se recuperando de seu trauma. No começo da temporada ela se apaixona por Frank Lundy (Keith Carradine), o agente do FBI que chegou a Miami para cuidar do caso Bay Harbor Butcher. Deb larga Gabriel (Dave Baez) – o namorado mais gato que ela já teve em seis temporadas – para ficar com Lundy, que é uns 30 anos mais velho que ela.

De volta ao problemático Dexter… O relacionamento com Lila não dá muito certo depois que ela invade a casa da Rita e arma para que o assassino da mãe biológica de Dex vá a Miami atacá-lo. É com o rompimento que Dexter conhece uma mulher grudenta de verdade. Lila faz de tudo para ficar com seu amado, até acusa Angel Batista (David Zayas) de estupro!

O que parecia um grande problema para Dexter se torna uma solução. Doakes está preso em uma cabana (sendo obrigado até a presenciar um assassinato do querido e danificado Dexter) e é descoberto por Lila, que nesse momento fica sabendo que seu amado é o Bay Harbor Butcher. Pra surpresa ou não do público, ela adora a ideia e faz de tudo pra proteger Dexter, o que significa matar Doakes.

Apesar de ter sido uma saída inteligente dos roteiristas, achei essa solução um pouco covarde. Depois de longas conversas com Doakes, Dex decide abrir o jogo com Deb e se entregar (numa cena hilariante com as possíveis reações da policial). Mas no meio da conversa ele desiste e pouco depois descobre Doakes morto. Essa solução foi covarde porque tiraram o peso da morte do sargento das costas de Dexter. Apesar de ter trancafiado Doakes e pensado em matá-lo, Dexter continua um herói aos nossos olhos, afinal ele não matou um inocente. Queria muito saber o que ele teria feito com Doakes sem a ajudinha providencial de Lila.

Mas para provar o quão bonzinho ele é, Dexter viaja para França para matar Lila. Que a essa altura já se mandou de Miami. Apesar do ódio por todas as coisas que Lila fez com ele, Dexter só mata a ex-amante porque ela se tornou uma assassina. E o Código de Harry só permite matar culpados. Repito, essa foi uma saída inteligente dos roteiristas, pois mantiveram a áurea de herói do protagonista, mas ainda acho um artifício covarde.

Lila e Doakes mortos. Laguerta triste pela perda do amigo. Debra mais uma vez solteira, já que Lundy volta para a sua cidade após a “morte do Bay Harbor Butcher”. Dexter volta para Rita e finalmente para de se questionar. “Sou um cara bom fazendo coisas ruins? Ou um cara mau fazendo coisas boas?”. Dexter assume seu dark passanger, tira Harry do pedestal e passa a ter seu próprio código.

Confira a cena “imaginária” onde Dexter conta à irmã que é o Bay Harbor Butcher

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Dexter – Balanço da 1ª temporada

Faltam 15 dias para a estreia da nova temporada de Dexter e para arranjar alguma coisa pra controlar a ansiedade aquecer vou fazer uma retrospectiva da série da Showtime. Comecemos por um balanço da primeira temporada, que foi ao ar em 2006.

É difícil escolher a melhor fase do meu serial killer favorito. Quase impossível decidir entre a 1ª e a 4ª temporadas. Mas tenho uma tendência a achar a primeira temporada a melhor de todas, pois nesse primeiro ano Dexter foi muito bem apresentado ao público.

Neste momento conhecemos Dexter Morgan (Michael C. Hall), um analista forense que trabalha no setor de homicídios da Polícia de Miami. O especialista em padrões de dispersão de sangue se aproveita do cargo dentro da polícia para saciar seu eu verdadeiro: o de assassino. Dexter conhece a ficha criminal dos bad guys e se aproveita das falhas da justiça para fazer sua própria justiça. Isso mesmo, nosso  herói só mata culpados, ou melhor, só mata assassinos.

Dexter é jovem, bonito, bronzeado, apresentável, amigo, calmo, competente, profissional. Ou seja, um sujeito acima de qualquer suspeita. Toda essa casca foi criada com muito esforço com a ajuda de seu pai adotivo, Harry Morgan (James Remar). Harry encontrou Dexter em uma cena de crime e adotou o garoto. Aos poucos ele começou a perceber que Dex era diferente e canalizou o lado negro do menino, ou seja, o ensinou a matar apenas culpados. O policial ensinou o Código de Harry a Dexter, cuja primeira regra é: Não seja pego. A partir dessa premissa, toda a vida do serial killer é, óbvio, matar pessoas e, principalmente, encobrir seus rastros. Mas a rotina bem calculada de Dexter começa a mudar quando outro assassino em série começa a aterrorizar Miami: O Ice Truck Killer (ITK).

O novo bandido mata e desmembra garotas de programa e, o mais impactante para Dexter, deixa suas vítimas à mostra e sem nenhuma gota de sangue. O ITK divulga seu trabalho, o oposto de Dexter, que joga suas vítimas no mar. Esse método deixa Dexter encantado e ele passa a trabalhar com mais atenção nas crime scenes deixadas pelo ITK. O divertido é que com o passar dos episódios, percebemos que o ITK está brincando com Dexter, pois todas as suas vítimas são deixadas em locais da cidade onde Dexter já esteve com sua família adotiva.

Enquanto a vida criminosa de Miami está a todo vapor, Debra Morgan (Jennifer Carpenter), a irmã adotiva de nosso herói, está tentando alavancar sua carreira na polícia. Através das dicas de Dex, Deb sai da Narcóticos e realiza seu sonho de trabalhar na área de Homicídios, onde o pai de ambos fez carreira. Além do sucesso profissional, Deb também encontra o homem ideal: O médico Rudy Cooper (Christian Camargo).

Paralelamente a isso, o namoro de Dexter com Rita (Julie Benz) começa a avançar. Rita tem um ex-marido viciado e que a agredia. Desse relacionamento nasceu dois filhos: Astor e Cody. No princípio, Dexter só se interessa por Rita para usá-la como camuflagem, afinal um homem comprometido com uma mãe de duas crianças é menos suspeito que um solteirão sozinho em seu apartamento.

No desenrolar da história, descobrimos que Rudy Cooper é na verdade Brian Moser, irmão que Dexter nem lembrava existir. Os dois são filhos de Laura Moser,  assassinada cruelmente na frente dos garotos em um container. Na época do crime, Dex tinha quatro ano e bloqueou tudo o que aconteceu no fatídico dia. Só que Brian encontrou seu querido irmãozinho e descobriu que eles eram parecidíssimos.

Brian começa a namorar Deb pra ficar mais perto de Dexter e na maravilhosa season finale, o ITK oferece a fake sister de Dexter envolta em plástico para Dexter matá-la. A intenção de Brian é cortar todos os vínculos de Dexter com o seu passaso, com Harry, com o Código. Ele diz a Dexter que ele não pode ser um herói e um assassino ao mesmo tempo, e propõe ao irmão acabar com todas as mentiras e viverem felizes matando pessoas como se não houvesse amanhã.

Pra mim esse é um dos grandes momentos de toda a série. Pois Dexter sempre diz que não tem sentimentos e, no episódio piloto, afirma: “Deb é a única pessoa no mundo que me ama. Se eu tivesse sentimentos, seriam por ela”.  A primeira temporada constrói e desconstrói o protagonista. No episódio final, “Born Free”, ele tem a chance de parar de fingir, de poder ser verdadeiro com alguém que conhece e não condena seu segredo. Mas ao invés de seguir o caminho perfeito com seu irmão de sangue, ele se nega a matar Debra e acaba com a vida do ITK para protegê-la.

Nessa hora vemos o primeiro momento de humanidade em Dexter. Ele se vê em uma encruzilhada e, ao invés de fazer o que seria correto para ele, Dex se prende ao Código de Harry “não mate inocentes” e percebe que sente sim, carinho pela irmã adotiva. A cena em que ele chora após matar o irmão é fantástica.

A temporada é perfeita. Apresenta o Harry’s code, a vida cheia de camuflagens, o metódo para matar, a tentativa sofrível de parecer normal e a chance da vida de conhecer alguém que sabe quem ele é de verdade. Pra mim muitas das respostas da série estão nessa primeira temporada. Ele é um assassino frio, mas apesar de negar, tem sentimentos sim. E isso torna o nosso herói incrível e cheio de camadas. A série tem a capacidade assustadora de fazer com que o público goste de um serial killer.