Dexter – Balanço da 6ª temporada

Decepcionante. Essa é a palavra que resume a sexta temporada, exibida em 2011 pela Showtime. E algo só nos causa decepção quando esperamos alguma coisa boa. A season 6 me criou expectativas. Ainda mais se formos lembrar que esta foi a primeira temporada que vi ao vivo. Os cinco anos anteriores eu assisti na sequência, em forma de maratona em 2010 e 2011. A sexta temporada foi a primeira pela qual eu esperei, vi teasers, trailers, spoilers. E o tema a ser tratado era muito bom: religião. A série que tem como protagonista um serial killer ia falar de religião, imagina quantas possibilidades de tramas e polêmicas isso não ia gerar? Mas a série cai na rotina e repete a fórmula de sempre. Um assassino apronta em Miami, Dexter se interessa pelos crimes e se aproxima do vilão, Dex atrapalha a investigação da polícia para matar o assassino primeiro, Dex tenta ficar amigo do vilão para salvá-lo ou para virar amigo ou para matá-lo, o vilão descobre quem Dexter é e tenta feri-lo ou então alguém da sua família, Dexter se zanga e depois de passar muito aperto finalmente mata o vilão e a polícia NUNCA PRENDE O RESPONSÁVEL PELOS PIORES CRIMES DO ANO EM MIAMI.

Como a quinta temporada foi um lixo, os produtores ignoraram toda a história do ano anterior.  O sexto ano começa um ano após a morte de Jordan Chase e o sumiço de Lumen, ou seja, eles poderiam levar o show para qualquer lugar. E optaram pela religião. Embora seja um monstro, Dexter tem um filho de dois anos e precisa passar coisas boas ao garoto. Agora ele está sozinho, não tem mais o suporte legal e moral de Rita, então a educação do fofíssimo Harrison está apenas a cargo dele. Mas como um assassino pode passar coisas boas para o filho? Como um cara que não acredita em nada vai dar sentido à vida de uma criança?

Isso ocorre ao nosso herói na hora de escolher uma escola para Harrison. O melhor colégio em Miami é cristão. Mas Dex é ateu. Aconselhado pela irmã, e vendo que pode deixar a educação moral e religiosa do filho a cargo da escola, Dexter matricula o filho em um colégio de freiras (fato hilário).

Após encaminhar o filho, Dex conhece Brother Sam (antes Mos Def, agora Yasiin Bey), um ex-bandido que se converteu e faz cultos semanais em sua oficina de carros. Enquanto isso, Miami é aterrorizada por outro assassino. Mas dessa vez o vilão passa mensagens bíblicas. Essa temporada pode ser dividida em duas: A primeira metade ótima e a segunda chata.

Dex não acredita na redenção de Brother Sam e se aproxima do mecânico para comprovar a história, que se mostra verdadeira no fim das contas. Para mim, Sam é o melhor personagem convidado de toda a série. A presença dele é muito importante para nosso herói, porque Sam não aparece como o criminoso de sempre que irá perder pra Dex no final. Ele é um homem comum que viveu o que Dexter está vivendo. Talvez eu goste de Brother Sam porque ele verbalizou uma teoria na qual eu sempre acreditei: Dexter nunca foi um monstro, foi Harry quem transformou ele nisso.

Sam percebe que Dexter tem seu dark passanger, e tenta convencê-lo, não diretamente, a deixar sua fúria de lado e focar no filho. Ele enxerga o amor que Dex sente por Harrison e vê nisso uma forma de mostrar ao serial killer que ele é sim um homem bom. O mais interessante é que a história de Sam se parece com a de Dexter. Sam entrou no mundo do crime após presenciar, ainda garoto, o pai matando um cara. Na época ele achava que isso era o certo, mas depois viu que não precisava seguir o caminho errado do pai. E é esse ensinamento que tenta passar a Dexter.

Enquanto Dexter e Brother Sam mantêm diálogos memoráveis, o Doomsday killer (DDK) mata suas vítimas e as expõe na forma de passagens bíblicas. Esse momento é ótimo, pois foca na investigação da Miami Metro. Os policiais e os fãs tentavam desvendar com seria o próximo crime lendo a Bíblia. Mas infelizmente o bom ritmo da série é quebrado ao meio, no episódio 6, o último bom episódio do ano.

Mas antes de contar a quebra que acontece em “Just Let Go”, vamos falar de coisa boa: Debra Morgan.  Repito, sempre que o arco de Dexter se perde em fórmulas desgastadas, é a outra protagonista da série que toma conta da cena. E a sexta temporada é particularmente especial para Deb, pois agora ela é tenente. Isso mesmo, chefe de Masuka, do irmão mais velho e de todos na delegacia, exceto da agora capitã Laguerta e do capitão Matthews (Geoff Pierson).

Laguerta descobre a amante prostituta de Matthews e o chantageia para conseguir um cargo melhor. Com isso o cargo de tenente fica liberado e a latina insiste em colocar o ex-marido, Angel Batista, em seu lugar. Só que Deb, sozinha, mata um louco atirador em um restaurante no primeiro episódio e se torna heroína do local e da cidade. E para dar mérito a Deb e, principalmente, ferrar Laguerta, Matthews escolhe a policial boca suja para o cargo de tenente. Fato que Laguerta detesta.

Agora vamos falar de coisa ruim: Maria Laguerta. Ela sempre foi insuportável, mas neste ano meu ódio por ela cresce assustadoramente. Nunca desejei tanto que ela morresse. Laguerta faz de tudo para dificultar a vida de Deb no novo cargo. Sério, gostaria que Deb aprendesse uns truquezinhos com o irmão e matasse Laguerta com suas próprias mãos.

No mesmo dia que é convidada a se tornar tenente, em “Once Upon a Time”, Debra também recebe outra surpreendente proposta: Um pedido de casamento de Quinn. A reação dela é impagável. Ela fica assustadíssima com o acontecimento e, claro, xinga muito. Apesar da confusão inicial, contornada após uma longa e boa conversa com Dexter (cena ótima), Deb se decide. No dia seguinte ela aceita o novo cargo dentro da polícia e rejeita o pedido de Quinn, o que faz com que o namoro acabe e com que Joseph acredite que ela o largou por ter se tornado tenente.

Deb lidando com as cretinices de Quinn e a filhadaputagem de Laguerta é um fator interessante, porque faz com que ela amadureça ainda mais. Mas agora ela está perdida por sentir que os amigos se afastaram por ela ser a chefe, por Laguerta ser uma “bitch”, pelo ódio de Quinn, pelo sempre ausente irmão e pela imensa responsabilidade de prender o Doomsday killer. Por ter matado o louco no restaurante, ela se vê obrigada a fazer terapia. Apesar da resistência inicial, ela continua com as sessões com sua psicóloga mesmo após ser liberada pelo Departamento. E ver Deb no divã é maravilhoso.

Achei a inserção da psicóloga fantástica, pois ali Deb pôde contar toda a desgraça de sua vida. A cena em que ela diz que perdeu a mãe cedo, que o pai nunca ligou pra ela, que o ex-noivo era um serial killer que tentou matá-la, que a única pessoa que tem na vida não se abre com ela e que o seu último amado foi assassinado na frente dela deixa a terapeuta arrasada. “Você quer marcar mais sessões por semana?”. Nesse momento vemos o quanto ela é frágil apesar da casca de policial durona e boca suja. E vemos o quanto os erros de Dexter refletem nela. Dexter pode não sentir nada, mas tudo o que faz recai sobre sua irmã. Dex erra e quem sofre é Deb.

Mas agora vamos voltar ao momento de quebra da temporada: “Just Let Go”. Brother Sam é assassinado neste episódio e Dexter, óbvio, decide se vingar, mesmo com Sam e Harry dizendo “Let Go!”. Dexter estava se aproximando do campo espiritual com Sam, não no sentido religioso, mas no sentido de entender que a vida é maior e que podemos mudar e fazer escolhas diferentes e que toda essa mudança pode ser motivada pelo amor que Dex sente pelo filho. Mas toda essa crença vem abaixo com o assassinato de Sam. Dexter não acredita na humanidade e decide continuar com seu dark passanger. Uma pena!

Uma pena matarem Brother Sam, os diálogos entre os dois eram uma das melhores coisas deste ano. Tiraram Sam da jogada para focar no Doomsday Killer, pessimamente interpretado por Colin Hanks (isso mesmo, ele é filho do Tom Hanks). Se os assassinatos seguissem a lógica inicial seria ótimo. A premissa era: Um estudante, Travis Marshall (Hanks), guiado por seu professor louco, Gellar (Edward James Olmos), comete uma série de crimes que lembram passagens bíblicas em Miami para provocar o fim do mundo. Os crimes eram muito bem elaborados e as vítimas eram expostas de um jeito teatral. Se seguissem com isso seria maravilhoso, mas optaram por outro caminho. Tortuoso caminho para os fãs.

No episódio 9, “Get Gellar”, Dexter descobre que o professor está morto. Na verdade o louco é Travis, que matou o professor e continua achando que ele está vivo guiando sua série de crimes. Essa revelação não foi surpresa para os fãs mais atentos, milhares de pessoas já sabiam que o Doomsday Killer era uma pessoa só. A partir daí a série deixa de se preocupar com os assassinatos muito bem elaborados do vilão e foca toda a história na loucura de Travis e no jogo de gato e rato entre Dex e DDK. O que considerei uma péssima escolha.

A parte psicológica da série com a presença de Brother Sam era muito mais interessante que isso. E outro detalhe irritante: Dexter nunca atrapalhou tanto o trabalho da polícia, o que achei uma sacanagem sem tamanho. A irmã dele acabou de ser promovida e precisa prender o pior bandido de Miami para se manter no cargo e, ao invés de ajudá-la, Dexter só põe obstáculos no trabalho de Deb. E tudo isso para ajudar Travis, que nosso herói acreditava estar nas mãos do professor Gellar. O que é mais importante, ajudar a irmã ou um cara que nunca viu na vida? Essas coisinhas de Dexter Morgan me irritam.

Com a revelação que só há um DDK, Dexter fica irado e decide matar Travis, história que rende arcos sonolentos. Enquanto isso Deb se desdobra para desvendar o caso com a ajuda do recém chegado e espertíssimo Mike Anderson (Billy Brown). Essa investigação rende uma cena ótima. Quinn, que se tornou um verdadeiro babaca após o fim do namoro com Debra, transa com uma testemunha importante do caso DDK e leva um esporro fenomenal da ex.

No meio desse turbilhão de acontecimentos, Deb ainda descobre, na terapia, que está apaixonada pelo irmão. Ao contrário da maioria dos fãs, eu defendo essa história. O relacionamento dos dois nunca foi nada comum e Debra venera o irmão de um jeito muito estranho. Para mim não é loucura que isso seja paixão. Só não gostei da forma como a história foi inserida. Deu a impressão de que a psicóloga fez um “inception” na mente de Deb. O recurso usado pelos roteiristas foi, mais uma vez, covarde. Por que ela não poderia perceber isso sozinha? Precisava de uma psicóloga enfiar isso na cabeça dela? Isso só serve para enfraquecer este arco e acabar facilmente com ele caso a audiência rechace o romance entre os irmãos adotivos.

De volta a Dexter, ele finalmente mata Travis. Porém, seu ritualístico assassinato é presenciado pela irmã. ALELUIA! ALELUIA! Até que enfim, né Showtime? Passou da hora de Deb descobrir, não tinha mais condições dela ficar alheia a isso. Esse foi o momento mais esperado por mim e agora é ver o desenrolar da trama na sétima temporada.

Resumindo: No geral a sexta temporada é boa. Ela seguiu um caminho errado – na minha opinião – ao tirar o foco da discussão trazida por Brother Sam a respeito de quem é Dexter e porque ele se tornou quem é para seguir o caminho fácil da fórmula desgastada: Dex atrás do vilão. Destaque pra Debra Morgan mais uma vez, as tramas envolvendo a tenente boca suja foram ótimas, diria até que a série girou em torno dela neste ano.

Já ia me esquecendo… A temporada ficou tão chata que resolveram trazer os melhores vilões de volta: Ice Truck Killer e Trinity. Quando se vê desesperado com a morte de Sam e mata o assassino do amigo, Dexter volta a ver o irmão mais velho, Brian. Nesse momento ele tem o devaneio de largar tudo pra traz e viver sua vida de verdade ao lado do irmão, coisa que ele abriu mão na primeira temporada. E Trinity volta na forma do filho, Jonah Mitchell. A irmã de Jonah não agüenta mais viver com a mãe, que ainda ama o marido (Arthur) e culpa os filhos pelo que houve, e decide se matar (também na banheira). Inconformado, Jonah espanca a mãe até a morte e põe a culpa das duas mortes no pai, que todos acreditam estar foragido.

A volta dos personagens foi brochante, pois tudo só durou um episódio. Ao lado de Brian Dexter vira um monstro (usa até arma de fogo, coisa que odeia). Mas o monstro só agiu por algumas horas. Após o encontro com Jonah em Nebraska ele decide voltar para Miami e para seu código. Não houve o menor sentido o retorno dos personagens. Voltaram para dar um impacto, mas isso só aconteceu no segundo em que vimos Christian Camargo (intérprete de Brian) na tela pela primeira vez, pouco depois o efeito se desvaneceu.

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3 thoughts on “Dexter – Balanço da 6ª temporada

  1. Pedro diz:

    Sinceramente, a série ficou muito chata depois que Rita morreu. Dex perdeu o controle das coisas em nível absurdo.

  2. Guilherme Rodrigues diz:

    Seu relato sobre a temporada é perfeito. Não tem o que tirar nem por. A temporada não saiu da mesmice, todo o enredo da 5ª temporada aconteceu na 6ª. Achei legal o tema da religião mas enfim, não surpreendeu em nada, a não ser o ultimo episodio que a Debra descobri sobre o Dexter. Esse é o primeiro seriado em que eu ODEIO o protagonista, serio. Não suporto o Dexter,primeiro pelo que aconteceu com a Rita, agora a irmã dele virou tenente, ela precisava desse caso e ele poderia ajudar a Debra facilmente e mesmo assim ele continua atrapalhando a policia e agora a propria irmã pra satisfazer as vontades dele, é insuportável esse Dexter. Eu só continuo assistindo por curiosidade mesmo, já cheguei na 6ª temporada agora vou até o final.

    Abraços

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