Balanço da 7ª temporada de Dexter

Dexter Morgan

Sofrível! Nunca foi tão difícil assistir Dexter. Em alguns episódios eu desviava os olhos da tela e me perguntava por que continuava vendo isso. Alardeada pelos produtores da Showtime que o DNA da série seria modificado neste ano, Dexter fez a mesma coisa dos anos anteriores. Mas com um adendo: citou ou mostrou vários personagens e acontecimentos de temporadas anteriores. Jogaram tudo na panela, seguiram a velha fórmula e nada de DNA mudado. É como disse o pessoal do Braincast, o final da série pode até ficar legal, mas a jornada não está valendo a pena.

SPOILER ALERT!

Essa temporada foi o samba do crioulo doido: LaGuerta investigando Dex, lembranças de Doakes, namorada nova pra Dexter (Lumen 2.0), Deb sabendo a verdade, mafioso como novo arquirrival, Louis no pé do protagonista, crianças voltando. Inseriram tantos plots (repetitivos) na história que se perderam. Nenhuma história foi aprofundada, bem trabalhada e bem acabada.

Pra mim a série perdeu toda sua graça no 2º episódio, Sunshine And Frosty Swirl, quando Debra e Dexter têm o confronto esperado por SETE anos. Deb finalmente sabe a verdade e ficamos ansiosos pra saber qual seria sua reação. E o que ela fez? NADA. Achei tão ridículo que fiz um texto sobre isso que foi até publicado no Dexter Brasil, maior e melhor site sobre a série por aqui. Fui xingada e criticada. Muitos achavam que eu estava me precipitando e que não é possível julgar a série em apenas dois episódios. Sorry, haters, mas isso é possível, sim. Dexter acabou naquele episódio ridículo e não se recuperou mais, ao menos pra mim.

Debra e Dexter

A verdade foi adiada por SETE ANOS, e durante todo este tempo os fãs ficaram ansiosos e curiosos pra saber o que aconteceria depois disso. Em conversas com amigos, muitos diziam que esse seria o fim da série. Os protagonistas iriam entrar em parafuso, cometer erros e fim de show. Mas o que aconteceu? NADA. A cena da descoberta foi pífia e mal feita, como vocês podem ler no texto que fiz sobre isso.

Digam o que quiserem haters, mas esse era o ponto alto da série. Se não fosse não teriam adiado tanto. Os roteiristas guardaram esse trunfo para jogar no fim do show, pra ter grande impacto e fechar com chave de ouro. Mas não souberam fazer isso.

Você descobre que seu irmão, a única família que você tem, é um serial killer e não enche ele de perguntas? Não fica com medo dele? Não tem nojo do cara por nem um segundo? Não pensa em prendê-lo? Não tem medo do que ele possa fazer com você? Não chora? Não perde uma noite de sono? Como Deb não perguntou sobre a morte de Miguel Prado, por exemplo? Por que ela não ligou a verdade às investigações do Quinn na 5ª temporada? Claro que isso tudo não poderia acontecer em um único episódio, mas Deb nada fez ao longo de 12 capítulos.

Dex e Deb

Eu esperava muito mais emoção nessa descoberta. E quando disse isso fui criticada, porque os fãs achavam que eu estava querendo ver novela mexicana. Meus caros, se vocês não se lembram, Deb é a pessoa mais emotiva do show. Ela é o contraponto de Dexter. Dexter é a cabeça, ela é o coração. Tanto no livro quanto na TV, a personagem foi construída como uma mulher forte e emocional que tenta esconder suas fragilidades para vencer na vida. Dexter diz isso na 1ª temporada: “Deb tenta esconder o quão frágil ela é. Eu tento esconder o quão frágil eu não sou”.

E quem não se lembra da cena linda da 4ª temporada, quando Deb se desfaz em lágrimas com a morte de Lundy? Ou quando ela fica perturbada quando Anton é pego pelo Skinner na 3ª? Deb deu um pití, chorou, brigou e tremeu na 1ª temporada com a possibilidade de Dexter se afastar após descobrir seu pai verdadeiro e, consequentemente, que Harry sempre mentiu pra ele. Como essa mulher ficou tão fria com a descoberta de sua vida???? Até a reação de Deb quando descobriu que Dex estava apaixonado por Hannah foi mais sofrida do que quando soube que seu irmão era um assassino.

Os trailers e teasers venderam a premissa de que a temporada seria dos Morgans, mas não foi isso. Ele continuou mentindo e ignorando Deb. As conversas profundas que deveriam acontecer entre os irmãos foram transferidas para Hannah, outra namoradinha, outra Lumen.

Louis Greene

Será que tem algum louco pra comprar e defender o plot do Louis? Inserido na fraca 6ª temporada, Louis foi a tábua de salvação para muitos fãs que esperavam uma melhora no ano seguinte. Ele perseguia e atormentava o protagonista, e por conta disso milhares de teorias surgiram. Mas o que aconteceu? Louis saiu de cena do modo mais raso e ridículo possível. Apareceu do nada e sumiu do nada.

Louis

Acho que os roteiristas pensaram: “Nossa! E aquele nerd que a gente inventou ano passado? Vamos fazer o que com ele?” “Sei, lá! Mata o cara e segue em frente”. No fim das contas Louis era um filhinho de papai que ficou com raivinha por Dexter ignorar seu jogo. O mimadinho resolveu implicar com o serial killer da mesma forma que meninos de 8 anos irritam os coleguinhas. E ele saiu de cena da forma mais cômoda pra Dexter (como sempre acontece). Foi morto pelo mais novo arqui-inimigo do protagonista e NINGUÉM deu falta do cara.

Os fãs mais otimistas diziam que a morte dele ia ter alguma consequência pra Dexter, afinal havia sangue do moço no barco. Mas o que houve? Nada! Plots como o do Louis provam que Dexter é uma série que vive de expectativas. O público fica ansioso e cria milhões de teorias durante os 9 ou 10 meses de hiato. Aí fazem um 1º episódio até legalzinho que gera mais mil teorias. E o que se vê a seguir são 10 episódios chatos e vazios, onde nenhuma teoria se concretiza. E no fim fazem uma season finale bem meia boca, com apenas uma cena interessante, o cliffhanger que vai deixar o público animado até a temporada seguinte.

Isaak Sirko

Ray Stevenson é lindo e talentoso. Isaak foi um personagem interessante, mas pessimamente explorado. Ao contrário do que foi alardeado pelos produtores, de que a temporada seria diferente, Isaak foi a prova viva que tudo foi o mais do mesmo. Mais um arquirrival para Dexter. Só que desta vez o rival era um mafioso, o que me fez pensar: “Nossa! Como Dexter vai sair dessa? Ele pode até matar o cara, mas não vai adiantar nada porque afinal de contas ele está lidando com a MÁFIA. Mata um e 200 vão na cola dele.” E o que aconteceu? NADA.

Izaak atirando

Isaak resolveu se vingar da morte de Viktor sozinho, sob o pretexto de não poder revelar sua homossexualidade para a irmandade ucraniana. Como assim??? Sei que o tema ainda é tabu em diversos ambientes, mas o cara era o chefão da máfia! Ele poderia ter inventado um motivo qualquer, dizer que Viktor estava fazendo um trabalho indispensável, ou apenas não dizer nada aos membros da máfia, afinal ele era o chefe da bagaça. Era só dizer: “Eu quero matar aquele cara, me ajudem subordinados”. Só que o roteiro covarde retira o mafioso da máfia e faz ele se vingar sozinho, deixando a situação ainda mais fácil pra Dexter.

Isaak Sirko é extremamente civilizado para não matar Dexter no bar gay, mas atira nele do meio da rua? Estando Dexter em uma loja de donuts? Não faz o menor sentido.

Aí, como se não bastasse uma história tão fraca e mal contada, de uma hora pra outra George resolve matar Isaak. Sirko era o grande chefe da organização e, mesmo que sua vingança pessoal estivesse atrapalhando os rumos dos negócios, ele poderia resolver essa pendenga administrativa com a civilidade que existe na máfia. Mafiosos se matam sim, claro, mas há todo um entendimento de que aquilo é um negócio, e todas as ações são tomadas com frieza, pensando no bem dos negócios.

Aí invertem a situação e colocam Dexter pra ajudar Isaak? O cara deixou sua vida de lado para fazer vingança a Viktor e do nada pede Dex pra salvá-lo? Desculpa, mas a motivação do personagem era tamanha que fazia mais sentido ele matar Dexter e deixar que a máfia acabasse com ele na sequência. E o que foi a cena de Isaak matando o capanga da máfia e Dexter limpando o sangue com uma mangueira? O cara metódico e todo preocupado com o ritual ficou extremamente desleixado.

Hannah e Dexter

Talvez o pior momento da temporada. Não por Hannah, afinal gostei da personagem e Yvonne Strahovski é muito mais carismática e mil vezes mais talentosa que a chata Julia Stiles (Lumen).  Também não sou contra Dexter ter uma mulher e nem a favor que ele se envolva amorosamente com Deb, mas Dex apaixonado é deprimente. Ele conhece a mulher com um dia e já conta todas as verdades de sua vida, se entrega, fica todo babão, coloca a mulher (uma assassina) para conviver com seu filho e faz planos para o futuro.

A cena em que os dois ficam juntos foi, no mínimo, desconfortável. Aquilo quebrou tudo o que a série sempre pregou. Ele abriu mão do código pelo desejo e… Dexter profanou a killroom!

O pior dessa relação foi ver ele se abrindo com Hannah, quando isso deveria ser feito com Deb. Sorry, mas os protagonistas da série são Debra e Dexter, e a tenente foi totalmente jogada pra escanteio nessa temporada. E o plot de Dexter com namoradinhas tá mais que batido. Lila e Lumen foram suficientes, não precisava de outra. Ao invés de se preocupar com sua nova situação de vida, com a irmã no seu pé, ele ligou o foda-se pra tudo e amou loucamente uma assassina que quer matar sua irmã.

Hannah e Debra

E ver Deb brigando com Hannah também foi vergonhoso. Se a motivação dela fosse a preocupação com a vida de Dex, ok. Mas era uma implicância de mulher apaixonada e rejeitada. Deb Morgan é (era) uma personagem fantástica e não precisava acabar assim, nessa mediocridade do triângulo amoroso/assassino.

E como Hannah diz que o dark passanger não existe e Dex compra a história? A mitologia criada e sustentada por sete anos caí por terra em cinco segundos. E por que Dexter pode matar o sogro e Hannah não pode matar a cunhada? Cadê coerência, Dexter?

Figurantes

Harrison, Cody, Astor, Batista, Jamie, Masuka e, principalmente, Quinn. Alguém explica a função dessas pessoas na série? Pra mim são apenas papel de parede. Pra quê fazer os enteados voltarem pra um episódio? Só pra gente lembrar que a Rita existiu e que Dexter ferrou com a vida dela?

Harrison

Nessa temporada eu percebi o quão desnecessários são certos personagens, e vi que eles foram inseridos na história sem pensar em quais seriam seus futuros. Pra quê a existência de Harrison, por exemplo? Já que o menino não muda em nada a vida de Dexter. O único sentido teria sido matar o menino na 6ª temporada, mas Showtime nunca mostraria essa cena.

Batista perdeu todo seu carisma, Masuka nem engraçado é mais e Quinn? O que dizer de Quinn? Terminou essa temporada do mesmo jeito da 6ª, abandonado por uma mulher e caindo de cara no alcoolismo. E o reboot dele conversando com Jamie na festa de Batista? Acho que deve haver algum lei que exija o mínimo de 20 atores no elenco das séries, porque só isso justificaria esse monte de gente sem história, rondando pela série como se fossem fantasmas.

Season finale

O episódio foi fraco como toda a série. Não gostei do fim de Hannah, pois vai ficar a mesma história de Lumen. Agora ninguém sabe se ela volta ou não, e os produtores vão ficar jogando com essa possibilidade.

Apesar das críticas, gostei de Deb matar LaGuerta. Mas apenas porque sonho com isso desde a 1ª temporada. LaGuerta sempre foi tão filha da puta com Deb que eu adoraria ver a tenente acabando com a megera com as próprias mãos. Mas isso sempre esteve nos sonhos, nunca achei que aconteceria. E confesso que vibrei quando Deb atirou. Mas agora modificaram Deb, assim como fizeram na ridícula final da 5ª temporada. Agora ela não é apenas cúmplice, é assassina.

E fico triste por ver o que fizeram com minha personagem favorita. A mulher forte, honesta, de boca suja e que pegava o homem que queria sem se importar com opiniões virou uma mulher amargurada, chata e que vive no pé do irmão, sua nova paixão. Ela abriu mão de sua dignidade e honestidade fácil demais. Mas aí tenho que dar os parabéns pra Jennifer Carpenter, a atriz foi incrível como sempre em seu papel, e foi mais incrível ainda fora das telas. Digo isso porque os únicos momentos de humanidade da personagem na série só aconteceram a pedido da atriz. A cena em que Deb se solta e xinga muito no elevador após ter que mentir pra ajudar Dex no departamento e o momento em que ela chora sobre o corpo de LaGuerta só foram inseridos a pedido da atriz. Ou seja, os roteiristas não souberam imprimir nenhuma emoção ao personagem. Transformaram Deb em um robô, algo totalmente contra o que sustentou a personagem durante estes anos. E o pior, diante da maior descoberta de sua vida, a mulher à flor da pele se transformou no novo Dexter, e fez cara de paisagem para os principais acontecimentos de sua vida.

Season finale

Resumo da ópera

Dexter foi descaracterizado e perdeu seu carisma. Ele deixou de ser o assassino frio e inteligente pra se transformar num adolescente apaixonado que acredita na primeira coisa que dizem a ele. Sem contar na transformação do protagonista em super herói, porque foi isso que fizeram com Dexter. Inventam situações complicadíssimas pra ele do nada, a audiência se assusta e acha que não tem saída, aí o roteiro tira Dexter da tormenta da forma mais artificial e fácil possível.

Credito essa queda de qualidade à longevidade da série. Showrunners como Michael Cuesta e Chip Johannessen, que iniciaram a saga do serial killer, deixaram a série e hoje trabalham na maravilhosa e aclamada Homeland. Enquanto isso Dexter ganhou o reforço de Manny Coto, que tenta com todo custo transformar o analista de sangue no Jack Bauer. A série se perdeu ao longo desses sete anos. Tudo que acontece agora jamais foi pensado no início do show, como Deb se apaixonando por Dex, por exemplo. Se viram com um material de sucesso nas mãos e não souberam dar sequência no trabalho, que deveria ter terminado na 5ª temporada. A 7ª temporada conseguiu a façanha de ser pior que a 5ª.

*Continuarei a assistir à série, afinal de contas vi por sete anos e quero saber como isso vai terminar.

*E se alguém mandar eu ver coisa melhor… Sim, eu assisto coisa melhor, como Homeland e Breaking Bad.

*Infelizmente o único prazer de ver a série hoje é criticar, e saborear o humor involuntário propiciado por um roteiro covarde.

Você precisa conhecer It’s Always Sunny In Philadelphia

 IASIP

Essa é minha série de humor favorita. E só conheço uma pessoa que assiste, o Zé Vinícius, que me apresentou o show. Não vejo ninguém falando dela e por isso faço um convite, assistam It’s Always Sunny In Philadelphia (IASIP). Com muita loucura e humor negro, IASIP estreou na Fox em 2005 e, três dias depois, foi movida para a FX. Não sei o que houve, mas o grande público deve ter achado a série estranha demais, e de fato é, talvez por isso eu goste tanto. Apesar de pouco conhecida no Brasil, IASIP é uma série de sucesso mantida por seu nicho de fãs. Caso contrário não estaria em sua 8ª temporada.

IASIP nasceu da necessidade de seu criador, Rob McElhenney. O ator, que também é um dos protagonistas do show, estava com dificuldades em conseguir papéis em Hollywood e pagar suas contas. Então, com uma ideia na cabeça e uma câmera na mão, gravou uma cena em que um cara não sabe o que fazer quando o amigo diz que tem câncer. Esse short film foi produzido com a ajuda de amigos, os atores Charlie Day e Glenn Howerton, também protagonistas da série. O pessoal da Fox gostou do material e topou produzir a série. E vale lembrar que a cena do câncer foi o tema de um episódio da primeira temporada.

Protagonizada por atores pouco conhecidos; Rob McElhenney (Mac), Glenn Howerton (Dennis), Charlie Day (Charlie) e Kaitlin Olson (Dee); a série só conta com um medalhão, Danny DeVito (Frank), que entrou na 2ª temporada. A série é sobre quatro amigos e o pai de dois deles (Frank) que administram um bar na Philadelphia, o “Paddy’s Irish Pub”. Chamá-los de amigos é apenas uma forma de tentar explicar a gangue (como eles chamam o grupo, the gang), porque eles não se amam, não são carinhosos uns com os outros e não se ajudam. Muito pelo contrário, na gangue é cada um por si, sem medir esforços de ferrar com o outro.

Para mim o título da série é uma grande ironia. “É sempre ensolarado na Philadelphia”. Ok, de fato os dias da cidade mostrados pelo show são quase sempre claros e lindos, mas o fato é que a turma só fica no escuro bar. Tem até um episódio que brinca com isso. Eles discutem e bebem na mesa do bar, e Charlie diz pra eles aproveitarem o dia. Aí a cena é cortada e os cinco aparecem no parque da cidade, porém bebendo e conversando as mesmas bobagens. Não interessa o ambiente, a iluminada Philadelphia nunca entra na alma da gangue.

Todos os personagens são egocêntricos e possuem sérios problemas de relacionamento, pra não falar distúrbios psicológicos. Para mim IASIP é um ensaio sobre a loucura. Os personagens são metidos, falsos, covardes, narcisistas, ignorantes, manipuladores, mentirosos, preconceituosos, burros, influenciáveis e por aí vai. Um dia parei pra pensar e não vi qualidade em nenhum deles. Mas isso é o legal da série, mostrar como o ser humano pode ser babaca e fazer coisas absurdas. Por ser exibida em um canal a cabo, o elenco/produtores/roteiristas (que são Rob, Glenn e Charlie) têm total liberdade de criação, e isso resulta em uma série corajosa que só fala sobre assuntos polêmicos: racismo, homofobia, pedofilia, aborto, bebês abandonados, barriga de aluguel, nazismo, eutanásia, prostituição, uso de drogas, religião e por aí vai.

IASIP é um show de acontecimentos absurdos e politicamente incorretos. Como em um episódio que Charlie e Dee vão comer carne humana, em outro que Dee finge que seu imaginário bebê morreu só para ganhar auxílio do governo, ou quando os gêmeos Dee e Dennis fingem ser viciados em drogas para receber dinheiro do governo, ou quando Frank promove um concurso de beleza infantil tentando provar que não é pedófilo, ou quando Charlie cheira cola e come comida de gato para conseguir dormir em seu horrível apartamento, ou quando Mac se apaixona por um travesti e decide esperar até a cirurgia para consumar a relação, ou quando eles viciam um padre em cocaína e fazem o coitado abandonar a batina e viver nas ruas, ou ver Charlie apaixonado por uma garçonete durante oito anos sem nem ao menos saber o nome da garota.

A série é uma sequência de casos absurdos e inimagináveis. Os personagens têm sérios problemas de convívio social e subvertem completamente a lógica do politicamente correto. Mas o melhor de tudo é como a série sempre se supera. Adorei todas as temporadas, e achei que ela não podia melhorar mais, apenas manter sua qualidade. Mas os quatro primeiros episódios da 7ª temporada são o supra-sumo da história. É simplesmente incrível e chocante como eles (personagens) pioram e (a série) só melhora. Hoje a série está em sua 8ª temporada e mantém o alto nível de sempre.

IASP

Atualmente assisto Modern Family, Raising Hope e Louie. E curti muito Friends e Arrested Development, e outras sitcoms por aí. Mas It’s Always Sunny in Philadelphia é minha favorita ever. Não só por ser engraçada, mas por ser algo totalmente novo, inteligente e corajoso. Não conheço nenhuma série parecida com IASIP. Para mim a série é revolucionária. O produto é totalmente original e ousado. Afinal é difícil fazer graça com tantos temas polêmicos. Eu assisto à série e sempre me pergunto como eles tiveram coragem de tocar em determinado assunto.

IASIP é amada pela crítica e desprezada pelo grande público, que está acostumado à velha fórmula das sitcoms americanas. A série da FX é para um público reduzido, público que não necessita da claque (aquelas risadas de fundo de cena) para entender uma situação e rir do quão absurda ela é. A série é para um público que gosta e entende o humor negro sem se sentir ofendidinho. É pra quem sabe rir de si mesmo e ver as piadas escondidas por trás de assuntos polêmicos. É para quem gosta de pensar um pouquinho mais. Desculpe o clichê, mas It’s Always Sunny in Philadelphia dá um tapa na cara da sociedade toda semana. Vocês não têm ideia do que estão perdendo, uma das melhores comédias da década. Pra mim, a melhor.

*A 9ª temporada já está garantida

*Charlie (Charlie Day) é apaixonado pela garçonete (Mary Elizabeth Ellis) na série. Na vida real os dois são casados.

*Rob McElhenney e Kaitlin Olson se conheceram na série. Hoje são casados e têm dois filhos. Ou seja, quando ela aparece grávida no show (alugando sua barriga), ela estava grávida de verdade.

*Rob McElhenney engordou cerca de 30 quilos pra 7ª temporada só pra fazer a piada de que o nome do Mac é Ronald Mac Donald. E também porque o ator acha que não faz sentido os personagens evoluírem e ficarem mais bonitos ao longo da série, para IASIP e Rob o sentido é que eles fiquem piores a cada dia.

*Na 4ª temporada vemos Charlie e Dennis criarem a música “The Nightman Cometh”. A canção saiu da série em um musical comandado pela gangue em 2009, que percorreu várias cidades americanas.