Uma salva de palmas para o melhor CD do ano

 

“Pato Fu – Música de Brinquedo”. Esse é o nome da obra-prima de 2010. Quando você já não aguenta mais ouvir falar de Fiuk e Restart (que fazem um sertanejo/pagode ao som de rock) eis que surge a esperança na música brasileira, ou seja, o novo CD da banda mineira Pato Fu. A obra possui 12 músicas de outras bandas, mas o detalhe principal é o seguinte: todas as faixas foram gravadas com brinquedos. Os músicos não usaram instrumentos comuns, mas brinquedos como instrumentos. Isso tudo sem contar as participações pra lá de especiais de crianças no álbum.

O CD ficou a coisa mais lindo do mundo. É impressionante como tudo deu certo. Guitarras, teclados e baterias de brinquedo, gatinhos mecânicos, xilofone, caneta que emite som ao escrever e mais um monte de outros instrumentos de brinquedo, ou melhor, brinquedos como instrumentos. Tudo isso foi usado na gravação, sem contar a participação da Nina,  filha da Fernanda Takai e do John Ulhoa, com outros amiguinhos. O álbum foi feito de versões de músicas dos Titãs, Paul McCartney, Rita Lee, Elvis Presley e de vários outros artistas. O trabalho é a reinvenção de músicas famosas e conhecidas do grande público por um prisma totalmente diferente e criativo.

Tenho certeza que qualquer músico ficaria encantado com o resultado do trabalho, pois é incrível como tudo deu certo. A união da doce voz de Fernanda Takai às vozes infantis dos backing vocals mirins deu um resultado simplesmente lindo e emocionante. Pra mim é o melhor CD do ano e a banda mineira merece reconhecimento por isso. Ter a ideia de fazer um álbum apenas com brinquedos é extremamente original. E fora a criatividade, o esforço pra fazer tudo possível, o trabalho de recriar as harmonias e acordes e de refazer tudo usando simples brinquedos.

Estou viciada no CD e a única reclamação que tenho sobre ele é a seguinte: Por que o álbum não tem 50 faixas?

 

 

 

 

Um filme digno de se ver no cinema

Hoje é o dia de me agradecer por não ter criado um blog temático. Por que assim eu posso variar os assunto quando me der na telha, ou quando o assunto falta. Mas enfim… Ando muito tempo sem escrever por aqui. A última vez que me mantive assídua foi na época da Copa, ou seja, só escrevo quando algo me interessa. E dessa vez o que me interessa, e muito, é o cinema brasileiro. Então, a partir de agora, escreverei sobre isso. E começarei pelo filme que tenho vontade de ver desde quando foi lançado, em 2006, mas não sei por que cargas d’água só fui assistir ontem: “A Máquina – O Amor é o Combustível”.

 

A Máquina com certeza está na minha lista dos 10 melhores filmes nacionais que já vi. A história é baseada no livro de Adriana Falcão e na peça dirigida por João Falcão, que também assina a direção do filme. A trama gira em torno de Antônio, mocinho da história interpretado por Gustavo Falcão (sim, ele é parente do diretor), o ator não é muito conhecido e isso é bom pra história, afinal é ótimo ver gente desconhecida na tela. Antônio vive na minúscula cidade de Nordestina, lugar que nem existe no mapa e vê seus habitantes sairem em busca do “mundo”. O protagonista é um dos raros moradores que não pensam em deixar o sertão, mas caiu na armadilha de se apaixonar por Karina, muito bem interpretada pela conhecidíssima Mariana Ximenes (também é bom ver gente conhecida na telona, tão achando o que?), o sonho da mocinha é o oposto do de Antônio. Karina só pensa em ir para o “mundo”.

A trama se desenrola com a intenção apaixonada e kamikaze de Antônio de não deixar Karina sair de Nordestina, e para conseguir isso ele leva o “mundo” para a amada. A história narrada por Paulo Autran mostra a paixão do mocinho e a sua ideia “criativa” de levar o “mundo” para Karina. Tudo isso é feito de uma forma fantasiosa e alegórica por João Falcão. Todo o cenário do filme é feito em estúdio e isso dá um efeito totalmente novo ao filme. É incrível como “A Máquina” consegue mostrar a monotonia de uma cidade pequena e também do desânimo de seus moradores e a louca vontade de sair de lá.

Outra coisa interessante de “A Máquina” é poder ver Wagner Moura e Lázaro Ramos como, acreditem vocês, meros coadjuvantes. Acho que Lázaro só fala nos 15 minutos finais do filme. A presença do Paulo Autran também foi surpresa na época, já que ele não estava tão assíduo no cinema. Mas medalhões a parte, a história gira mesmo em torno do casal protagonista.

O filme se desenrola de uma maneira muito interessante, todos os atores estão ótimos, os cenários são incríveis. O começo da história mostra a pasmaceira da cidade e a partir do meio da trama tudo vira adrenalina em Nordestina por conta da loucura de Antônio. O protagonista leva a vida ou o “mundo” pra pequena cidade.

Resumindo, “A Máquina” é um filme ótimo, maravilhoso, bem feito, bem dirigido, bem interpretado, uma trilha muito bacana, tem um jeito totalmente diferente de narrar uma história, assistir o filme é simplesmente delicioso. Não é o tipo de história que você só percebe que é boa quando termina, não, você se encanta com o filme a cada minuto. Só fico me perguntando por quê demorei tanto tempo pra assistir a esta pérola do cinema nacional, e mais, por quê não vi “A Máquina” no cinema?

 

 

 

 

É hora de assoprar as velinhas

Um ano. Quem diria que esse blog teria fôlego e assunto pra sobreviver tanto tempo. O Abelha Fístula foi minha segunda tentativa de criar e manter um blog. Comecei levando a sério, pensando cuidadosamente no nome que daria a ele e com o firme propósito de atualizá-lo frequentemente. Bom, no fim das contas acho que consegui fazer o que pensava. O blog vingou, não o abandonei, consegui escolher um bom nome (com a ajuda de @ze_vinicius) e mesmo que não tão frequentemente assim, eu o atualizo sempre que posso.

Em um ano de trajetória escrevi 34 posts (este é o 35º) divididos em 7 categorias e destacados por 80 tags criadas. Durante os últimos 12 meses os meus textos receberam 141 comentários (lembrando, claro, que eu também comento. Sempre respondo quem passa por aqui e deixa seu recado). Para mim o mais importante para um blog é a sua audiência, e já que estou escrevendo na Internet, local em que o mundo inteiro está presente, é essencial que o Abelha Fístula seja visto, lido e… se não for pedir muito: que ele seja comentado.

Nos últimos tempos o blog vem mantendo uma média de 36 visitas diárias e, já que comecei com números, vamos a eles. No primeiro mês do blog, março de 2009, ele recebeu a visita de 46 pessoas. Esse número foi subindo ao passar do tempo e com minha maior frequência em escrever e também em divulgar o blog em outros espaços, como Twitter, Facebook e blogs de outros colegas. O ápice de visitações aconteceu em novembro do ano passado, naquele mês 787 pessoas passaram por aqui. Esse número pode ser quebrado ainda neste mês, já que março de 2010 está com 726 visualizações até agora. Somando as visitas que o Abelha Fístula recebeu desde o dia 23 de março de 2009 até hoje, 23 de março de 2010, chegamos ao número de 5.737 visitações no total.

A post mais visitado, fora a página inicial de todos os dias (que tem um total de 2.792), é o Casa na árvore, que somou 1.150 visitas até hoje. Não sei o motivo, mas este foi meu post mais visitado, mais lido. Ele fez tanto sucesso que pensei em escrever sobre o tema de novo. Acabei não fazendo isso, deveria ter feito e conseguido mais dezenas de visitantes, mas pareço não ligar tanto para os números, porque se ligasse… ah seu ligasse, com certeza só estaria escrevendo sobre Big Brother.

Mas enfim, este blog completa um ano com algumas utilidade e milhares de inutilidades. Tento não fazer dele um diário, mas nem sempre consigo. Às vezes escrevo besteiras e outras vezes também. Vida que segue, segue e eu sigo escrevendo. Acho que o importante é isso. Seja besteira, inutilidade, coisas interessantes ou inteligentes, o bom é escrever. Praticar essa tarefa árdua todos os dias, saber e aprender qual palavra usar, em qual momento, aprender a gramática no meio de um post, descobrir que repito certas palavras demais… e por aí vai.

Vou continuar por aqui escrevendo e espero que você continue aí, lendo as coisas que eu escrevo. E se achar bom ou ruim, diga. Pode comentar, se sinta à vontade. Falem bem ou falem mal, mas falem. Comentem no Abelha Fístula. Façam a autora dele ter mais ânimo pra escrever por mais um ano.

Meu tempo

Tempo, tempo… mano velho. Fiquei sem você nas últimas semanas. 1ª semana: faculdade ou autoescola de manhã, trabalho à tarde e à noite. 2ª semana: faculdade ou autoescola de manhã, trabalho à tarde e à noite, e uma possível mudança de estágio. E no intervalo que tive nessas duas semanas fui obrigada a fazer (ou tentar fazer) os milhares de trabalhos pra faculdade. 3º semana: faculdade e autoescola de manhã, um feriado na segunda-feira pra enganar, saio de um estágio e espero a burocracia pra entrar em outro. Não trabalhei nessa última semana, mas o que tive que andar pra agilizar o processo da burocracia me cansou mais do que se tivesse trabalhado em dois lugares diferentes.

Mas não posso reclamar muito. A mudança de estágio foi feita com sucesso, finalmente acabei as aulas de legislação e já marquei minha prova, meu TCC está caminhando bem, agora só falta fazer os trabalhos da faculdade que deixei de lado por conta dessa loucura. E depois de ajeitar essa parte acadêmica tenho que pensar na prova de legislação, terei que estudar, afinal, gastar dinheiro pra repeti-la:  nem pensar. Enfim, as coisas se resolveram, mas… minha vida ficou suspensa durante essas três semanas. Fiquei por conta disso o tempo todo, nem escrever aqui escrevi, o último post já tem quase um mês.

Então vamos lá, vamos organizar minha vida agora. Mudança de estágio: foi. Primeira parte da autoescola: foi. TCC: tá quase indo. Trabalhos da faculdade: nem perto de terminar. Agora o quadro mudou, meus horários mudaram, minhas prioridades também, então tenho que planejar novamente  meu tempo. Tenho que me organizar de novo. Adoro organização. Mas o curso das coisas tá fazendo isso mudar. Muito do que faço hoje não é planejado. Tô tipo aquela música do Zeca Pagodinho sabe? “deixa a vida me levar”. Nunca gostei muito disso, sempre achei que não dava certo, mas tá dando. As coisas tão andando e dando certo. Se com planos ou não elas dão certo, então tá bom. Deixa o tempo seguir o rumo que quiser, eu me adapto a ele.

Ah… já tinha postado, mas voltei aqui para um último parágrafo, um desabafo (tipo programa da Márcia): Tem mais de QUATROS MESES que eu não leio um livro, literatura mesmo. Tudo isso que eu falei aí em cima não tá me deixando tempo pra ler, e isso me mata. Sabe o que é ficar quatro meses sem um bom livro, sem ler pelo menos um conto, pelo menos um capítulo de qualquer livro do Gabriel García Márquez? Se você não gosta de ler vai achar isso um absurdo, mas se você é louco por literatura, assim como eu, vai entender meu leve desespero.

Ônibus: um mal necessário

Quero um carro, um jatinho particular, ou melhor, quero teletransporte já! Essa vida de andar de ônibus simplesmente não é vida. Ficar num lugar perto de um monte de gente que você nunca viu, olhando todos na mesma direção à espera do cometa maravilhoso chamado “ônibus” ou “buzão”; esse veículo grande, espaçoso (nem sempre, um exemplo é o buzu de 3 portas) que nos levará direto para casa. Ou nem tão direto assim, devido aos horários INSUFICIENTES de linhas de ônibus vigente na cidade, muitas vezes sou obrigada a caminhar durante 15, 20 ou 25 minutos do ponto de chegada do veículo até minha casa.

Esperar. Essa é uma das desvantagens em se utilizar esse transporte público. Se desde a 1º vez que eu entrei num ônibus eu tivesse contado quantos minutos eu perdi à sua espera… com certeza hoje eu teria as horas intermináveis de espera catalogadas num papelzinho, e se eu fosse somar todo esse tempo provavelmente eu chegaria à conclusão de ter ter perdido pelo menos 1 ano da minha vida num ponto de ônibus. Esperar é insuportável, ficar naquela dúvida: Será que ele já passou?

La espera

Mas depois de esperar muitos minutos, num ponto cheio, com um monte de gente passando pra lá e pra cá, com um sol rachando na sua testa, você tem que se esforçar pro condutor do veículo enxergar o seu sinal e parar, aí você tem que entrar num ônibus igualmente cheio e rezar pra que o motorista seja de fato um motorista de ônibus, e não um homem que pensa que está guiando um veículo que transporta porcos. Se for um “motô” de verdade ele vai esperar todos os passageiros entrarem, saírem de perto da porta, para aí sim arrancarem e seguir rumo ao seu destino. Mas se não… se prepare pra se sentir como uma fruta dentro de um liquidificador prestes a virar uma vitamina.

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Depois disso vem as conversas entre os passageiros, nada contra isso nem contra as pessoas, afinal também tenho esse hábito quando encontro algum conhecido no buzú. Mas quando o diálogo acontece num tom muito alto, ou melhor, quando não há um diálogo e sim uma gritaria, aí sim é insuportável. Mas tudo bem, deixe os pobres passageiros conversarem, eles pagam R$ 2,20 pra ficarem 5 minutos no veículo, têm direito à tudo.

Um outro problema é a dificuldade de locomoção dentro do buzão. Passageiros que não sabem ficar em pé formam uma verdadeira barreira ao trânsito dentro do veículo. Se atrás da roleta está cheio de gente o mais sensato a se fazer é ir passando pra frente (se tiver espaço, claro), mas para isso as pessoas que estão na parte dianteira precisam caminhar, precisam ir pra frente, e isso nem sempre acontece. Então ficamos numa lata de sardinha, tentando nos escorregar pra perto da porta quando chega nossa vez de descer.

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Outra questão é o buzú de 3 portas. Muito bom, afinal temos uma outra porta de saída. Mas o cálculo é lógico: espaço pra porta = falta de espaço pra assentos. E isso em horários de pico é terrível, se tivessem a magnífica ideia de por um ônibus de 2 portas nesses horários, com certeza haveria mais bancos disponíveis e menos passageiros em pé e, consequentemente, menos lotação.

Enfim, ônibus é um mal necessário. Se não quiser usá-lo se vire, vá a pé, compre uma moto, um carro. E como eu não tenho nada disso e nem habilitação ainda, tenho que continuar usando o bom e velho ônibus. E continuar esperando que criem meu tão sonhado e esperado teletransporte e não coisas inúteis como um computador dentro do vaso sanitário.