Comecei a fazer minha monografia do jeito errado

Fato. Comecei a fazer o principal trabalho do meu curso de Jornalismo da forma errada. E acho que esse não foi ou não é um privilégio meu, mas de quase todos os formandos deste país. Não digo que meu trabalho está ruim, muito pelo contrário, acho que está ficando bom e estou fazendo de tudo para que ele fique perfeito – apesar de saber que não existe perfeição. O problema não é agora. Neste momento eu estou finalizando meu TCC e acho que ele está no caminho certo, mas o problema foi o que eu disse: o começo errado.

Pra você ter uma ideia eu comecei a pensar em minha monografia em julho ou agosto do ano passado, início do meu penúltimo semestre na faculdade (o 6º período, já que meu curso só tem sete semestres agora). Estava indo para o estágio e, parada no ponto de ônibus, comecei a pensar no meu TCC. Ia começar o 6º período e teria que fazer a disciplina TCC I e não tinha ideia do que fazer. Comecei a me desesperar em busca de um tema. Pensei várias coisas aleatórias, pensei em TV, em programas de entretenimento que utilizam o jornalismo, enfim… pensei muitas coiasas, mas nada me agradava de verdade.

Não vou contar todas as chatices e pedras no meu caminho monográfico senão eu teria que escrever um livro e essa não é minha intenção, pelo menos não agora. O fato é que eu decidi o tema. Desinformação. Era sobre isso que eu queria falar. Mas como falar sobre isso? Essa é a questão. Esse foi meu erro.

Eu tirei um tema debaixo da orelha. Não sabia sobre o que falar e de repente me veio essa ideia à cabeça. Lembro que era na época da campanha #forasarney que se espalhou pelos programas de TV e principalmente pelo Twitter. Eu via e ouvia o fora Sarney, sabia que a vida regressa desse político não é das melhores, mas não conhecia exatamente o porquê dessa mancha em seu passado. E não conhecer profundamente as “atitudes” desse político não era um privilégio meu, olhava ao redor e via todo mundo falando mal do Sarney, mas ninguém sabia explicar o motivo de querer expulsá-lo do Senado.

Foi daí, dessa ideia que todos acham que sabem tudo mas não sabem de nada que eu tirei o tema de minha monografia. Ok. Decidi o que fazer, mas como fazer? Essa é a questão. Tinha o tema, só não tinha o modo como trabalhar com ele. E esse é o grande problema. Eu arrumei um assunto do nada, comecei a pesquisar livros e autores que falassem sobre isso, ou seja, eu procurei alguém que validasse o que eu queria falar, que legitimasse meu trabalho. E isso foi um erro, isso é um erro.

Depois de achar um autor que dissertou sobre desinformação (Leão Serva é o nome do moço que salvou meu TCC, pois sem ele nada no meu trabalho faria sentido) eu fui orientada a procurar o conceito de informação. E depois fui orientada a saber o que causa a desinformação, e depois a enxergar qual era o problema do meu trabalho, e depois conseguir autores (NOS LIVROS, o que eu acho um absurdo. Não que não goste dos livros, mas qual o problema de usar uma referência em blogs ou sites por exemplo?) e depois a construir a delimitação do meu tema, e depois que o que tinha não bastava, e depois tinha que falar sobre jornalismo, e depois… e depois…

E assim seguiu meu TCC. Tirei um tema do nada e procurei pessoas que dessem sentido ao que eu queria. Fui costurando autores que falavam sobre assuntos que eu precisaria para o meu trabalho, temas aliás que foram propostos por meu orientador. Ou seja, tudo está errado. E se eu não achasse um livro que falasse de desinformação? Meu trabalho acabaria ali? Comecei a fazer minha monografia sem ter a menor ideia do que eu queria. Simplesmente fui forçada (modo de falar) a escolher um tema, fazer dele um problema e resolvê-lo. Não tinha a menor ideia de como começar a fazer esse trabalho e isso é um erro que afeta quase todas os formandos.

Na minha visão de perfeição…. no mundo encantado onde os universitários têm a lucidez necessária para completar uma graduação, a monografia não começaria dessa forma. Eis o meu mundo perfeito:

Desde o 1º período seríamos conduzidos à biblioteca para ler os textos relacionados à disciplina do semestre e assim se seguiria durante todo o curso. Claro que essa leitura não seria imposta, afinal não é possível obrigar ninguém a ler nada. Esse interesse pela leitura “científica” deveria partir do próprio aluno. É o universitário que deveria ir à biblioteca e pegar todos os livros relacionados às matérias dadas em aula. Com essa leitura a conta gotas durante todo o curso os conceitos ficariam mais claros em nossa mente. Talvez não fosse necessário fazer um fichamento de cada um ou ser obrigado a lembrar cada conceito visto. Mas deveria sim haver compreensão do que foi lido, talvez assim no fim do curso nós (alunos) tivêssemos a clareza e a lucidez dos conhecimentos que adquirimos.

Nesse mundo perfeito o estudante teria apreendido as principais teorias do seu curso e poderia escolher entre tudo o que viu o assunto com que deseja trabalhar em seu TCC. Com a verdadeira compreensão das teorias ficaria simples fazer uma monografia. Dessa forma seria possível conhecer (quase) todos os autores, saber o que cada um fala e a partir desse entendimento escolher um tema e fazer o tal diálogo entre todos esse autores.

O que falta aos alunos, ou seja, o que faltou a mim foi ter “conversado” com esses autores durante todo o curso. E olha que eu fui uma assídua frequentadora da biblioteca da faculdade, confesso que não era muito fã das teorias, já que passava lá pra pegar meus livros de literatura. Enfim… os estudantes passam o curso inteiro apenas recebendo o que os professores passam e não buscam nada além e na hora da monografia quem tem que correr atrás é o aluno e talvez essa seja a dificuldade. Se guiar sozinho, saber o que quer e como fazer. O universitário parace uma criança quando aprende a andar. A mãe carrega o bebê o tempo todo, mas tem uma hora que ele precisa ser colocado no chão para aprender andar sozinho, mas essa é a dificuldade: andar sozinho. O universitário é carregado durante todo o curso, seja pelo professor ou pelo colega que sempre faz todos os trabalhos e coloca o seu nome. Na hora do TCC é preciso saber o que fazer e fazer sozinho.

Pra mim o grande problema não é aprender a andar sozinho, mas sim “conversar” com os autores, coisa que acho que nunca fiz. É difícil começar um diálogo sem conhecer o interlocutor, sem saber o que ele diz. Fazer TCC é encontrar um estranho na rua e estabelecer uma conversa com ele, fazer com que o que ele diz se encaixe com o que você quer dizer.

Meu tempo

Tempo, tempo… mano velho. Fiquei sem você nas últimas semanas. 1ª semana: faculdade ou autoescola de manhã, trabalho à tarde e à noite. 2ª semana: faculdade ou autoescola de manhã, trabalho à tarde e à noite, e uma possível mudança de estágio. E no intervalo que tive nessas duas semanas fui obrigada a fazer (ou tentar fazer) os milhares de trabalhos pra faculdade. 3º semana: faculdade e autoescola de manhã, um feriado na segunda-feira pra enganar, saio de um estágio e espero a burocracia pra entrar em outro. Não trabalhei nessa última semana, mas o que tive que andar pra agilizar o processo da burocracia me cansou mais do que se tivesse trabalhado em dois lugares diferentes.

Mas não posso reclamar muito. A mudança de estágio foi feita com sucesso, finalmente acabei as aulas de legislação e já marquei minha prova, meu TCC está caminhando bem, agora só falta fazer os trabalhos da faculdade que deixei de lado por conta dessa loucura. E depois de ajeitar essa parte acadêmica tenho que pensar na prova de legislação, terei que estudar, afinal, gastar dinheiro pra repeti-la:  nem pensar. Enfim, as coisas se resolveram, mas… minha vida ficou suspensa durante essas três semanas. Fiquei por conta disso o tempo todo, nem escrever aqui escrevi, o último post já tem quase um mês.

Então vamos lá, vamos organizar minha vida agora. Mudança de estágio: foi. Primeira parte da autoescola: foi. TCC: tá quase indo. Trabalhos da faculdade: nem perto de terminar. Agora o quadro mudou, meus horários mudaram, minhas prioridades também, então tenho que planejar novamente  meu tempo. Tenho que me organizar de novo. Adoro organização. Mas o curso das coisas tá fazendo isso mudar. Muito do que faço hoje não é planejado. Tô tipo aquela música do Zeca Pagodinho sabe? “deixa a vida me levar”. Nunca gostei muito disso, sempre achei que não dava certo, mas tá dando. As coisas tão andando e dando certo. Se com planos ou não elas dão certo, então tá bom. Deixa o tempo seguir o rumo que quiser, eu me adapto a ele.

Ah… já tinha postado, mas voltei aqui para um último parágrafo, um desabafo (tipo programa da Márcia): Tem mais de QUATROS MESES que eu não leio um livro, literatura mesmo. Tudo isso que eu falei aí em cima não tá me deixando tempo pra ler, e isso me mata. Sabe o que é ficar quatro meses sem um bom livro, sem ler pelo menos um conto, pelo menos um capítulo de qualquer livro do Gabriel García Márquez? Se você não gosta de ler vai achar isso um absurdo, mas se você é louco por literatura, assim como eu, vai entender meu leve desespero.

Meu mundo caiu

Na verdade não foi bem o meu mundo que caiu, mas o meu TCC (que para uma universitária prestes a se formar é quase a mesma coisa). Tenho que entregar o esboço do projeto até o início da primavera, que é semana que vem, e nem ao menos tenho uma ideia na cabeça.

Tive uma ideia. Na verdade duas. Fiquei numa puta dúvida entre literatura e internet. Escolhi a segunda e me ferrei. O que eu pensei em fazer é difícil. Segundo minha desorientadora, é impossível. Então… voltei à estaca zero. Não sei se faço outra coisa relacionada à Web, se faço o que tinha pensado mesmo e dane-se se é inviável, se volto a cogitar a literatura, se me jogo em Gabriel Gárcia Márquez e esqueço que nenhum dos meus professores conhecem o moço.

Acho que vou ficar no lugar do moço aí

Acho que vou ficar no lugar do moço aí

Enfim… novamente não sei o que fazer. Volto dessa forma ao início de agosto, quando não tinha noção do que fazer pro meu bendito TCC. Pedi ajuda pro meu ex-prof, mas acho difícil ele me responder. Mas tudo bem, se não tiver resposta eu entendo.

Não vou me desesperar. O stress por não ter mais projeto até passou. Sou um poço de tranquilidade agora. Não pensarei mais nisso até o fim dessa semana. Ou melhor, não me preocuparei em pensar nisso mais. Quando tiver que ter uma ideia, terei. Não vou forçar, não vou enbranquecer meus cabelos nem aprofundar minhas rugas.  Tchau TCC! Você não me tira do eixo mais.

Agora vou pra biblioteca pegar “Doze contos peregrinos” do meu querido García Márquez, que tem mais ou menos umas 600 páginas. E esquecer que você existe Trabalho de Conclusão de Curso. Venha me acalmar G.G.M.

Cansei

Nossa! Há quanto tempo eu não escrevo aqui. Se o blog não tivesse a opção de datas, eu nunca saberia qual foi o último dia. Ultimamente venho escrevenendo outras coisas, escrevendo muito, muito mesmo. Mais precisamente 800 palavras no Word.

Não tô aguentando mais. Por isso vou parar por aqui e ficar um bom tempo sem escrever.

Simplesmente São Paulo

Fiquei três dias em São Paulo e gostei muito, muito mesmo. Milhões de coisas aconteceram e vai ser difícil contar tudo aqui, por isso nem vou tentar. Vou deixar apenas alguns fragmentos do que foi falado pelas pessoas que foram (o grupo ou o timeee) ou pelos personagens que encontramos naquela paulicéia desvairada. Mais tarde deixo algumas fotos.

 

“Vou. Não. Muito pouco. A última vez foi na década de 80.”

“Rola umas discussões bacanas sobre isso.”

“Jander, pega uma água pra mim.”

“Serinho. P… C… F…”

“É muito bom, bom mesmo.”

“Cala a boca Talita.”

“Vader, abaixa o volume da TV”

“La ia la ia, la ia la ia la ia…”

“Vamo timeeeee!”

“Segue aquele táxi.”

“Você é luz, é raio e estrela e luar…”

“Esse respirador é incrível.”

“Peitinho, peitinho!!!!!”

“Vandeco, vai lá embaixo pegar os talheres.”

“Isso me lembra muito Madagascar.”

“Isso é a cara da Alana.”

“Cantinho, cantinho, cantinho!”

“Esquerda, esquerda, esquerda!”

“Curti.”

“Não curti. Dá pra sair daqui sublimando?”

“Vamo colocar um DVD? Não, não, não, não!!!!!!!!”

“Nunca pensei que ia dizer isso, mas tô me sentindo em casa na rua Augusta.”

“Não tem como se perder em São Paulo.”

“What? Repeat.”