Um filme digno de se ver no cinema

Hoje é o dia de me agradecer por não ter criado um blog temático. Por que assim eu posso variar os assunto quando me der na telha, ou quando o assunto falta. Mas enfim… Ando muito tempo sem escrever por aqui. A última vez que me mantive assídua foi na época da Copa, ou seja, só escrevo quando algo me interessa. E dessa vez o que me interessa, e muito, é o cinema brasileiro. Então, a partir de agora, escreverei sobre isso. E começarei pelo filme que tenho vontade de ver desde quando foi lançado, em 2006, mas não sei por que cargas d’água só fui assistir ontem: “A Máquina – O Amor é o Combustível”.

 

A Máquina com certeza está na minha lista dos 10 melhores filmes nacionais que já vi. A história é baseada no livro de Adriana Falcão e na peça dirigida por João Falcão, que também assina a direção do filme. A trama gira em torno de Antônio, mocinho da história interpretado por Gustavo Falcão (sim, ele é parente do diretor), o ator não é muito conhecido e isso é bom pra história, afinal é ótimo ver gente desconhecida na tela. Antônio vive na minúscula cidade de Nordestina, lugar que nem existe no mapa e vê seus habitantes sairem em busca do “mundo”. O protagonista é um dos raros moradores que não pensam em deixar o sertão, mas caiu na armadilha de se apaixonar por Karina, muito bem interpretada pela conhecidíssima Mariana Ximenes (também é bom ver gente conhecida na telona, tão achando o que?), o sonho da mocinha é o oposto do de Antônio. Karina só pensa em ir para o “mundo”.

A trama se desenrola com a intenção apaixonada e kamikaze de Antônio de não deixar Karina sair de Nordestina, e para conseguir isso ele leva o “mundo” para a amada. A história narrada por Paulo Autran mostra a paixão do mocinho e a sua ideia “criativa” de levar o “mundo” para Karina. Tudo isso é feito de uma forma fantasiosa e alegórica por João Falcão. Todo o cenário do filme é feito em estúdio e isso dá um efeito totalmente novo ao filme. É incrível como “A Máquina” consegue mostrar a monotonia de uma cidade pequena e também do desânimo de seus moradores e a louca vontade de sair de lá.

Outra coisa interessante de “A Máquina” é poder ver Wagner Moura e Lázaro Ramos como, acreditem vocês, meros coadjuvantes. Acho que Lázaro só fala nos 15 minutos finais do filme. A presença do Paulo Autran também foi surpresa na época, já que ele não estava tão assíduo no cinema. Mas medalhões a parte, a história gira mesmo em torno do casal protagonista.

O filme se desenrola de uma maneira muito interessante, todos os atores estão ótimos, os cenários são incríveis. O começo da história mostra a pasmaceira da cidade e a partir do meio da trama tudo vira adrenalina em Nordestina por conta da loucura de Antônio. O protagonista leva a vida ou o “mundo” pra pequena cidade.

Resumindo, “A Máquina” é um filme ótimo, maravilhoso, bem feito, bem dirigido, bem interpretado, uma trilha muito bacana, tem um jeito totalmente diferente de narrar uma história, assistir o filme é simplesmente delicioso. Não é o tipo de história que você só percebe que é boa quando termina, não, você se encanta com o filme a cada minuto. Só fico me perguntando por quê demorei tanto tempo pra assistir a esta pérola do cinema nacional, e mais, por quê não vi “A Máquina” no cinema?

 

 

 

 

Eu quero votar no Tiririca!

Não é piada. Quero votar mesmo no moço. Se a política brasileira fosse séria, a candidatura do Tiririca à Deputado Federal seria uma afronta ao país, mas como nossos políticos são mais patéticos que os humoristas da Zorra Total… a tentativa do candidato do número 2222 em se eleger é a atitude mais lúcida em meio à nossa política.

O que o Tiririca está fazendo é ser sincero. Nessa época todo mundo chega na frente da câmera e diz um monte de mentiras para ser eleito, mas ele não. Ele chega e diz que não tem ideia do que faz um deputado,  coloca os pais para pedir votos, diz que tem que apelar para a ajuda de outras pessoas,  faz a família forçar um sorriso na propaganda eleitoral. Quer maior crítica aos outros candidatos do que essa?

Todos os políticos usam os mais criativos artifícios para se eleger, então por quê o Tiririca não pode fazer o mesmo? E ainda por cima tirando sarro das táticas dos outros candidatos? A menos de um mês das eleições não faço ideia em quem vou votar. Não senti confiança em nenhum candidato. O único que me atraiu, pela imensa criatividade e cara de pau, foi o Tiririca. Se morasse em São Paulo votaria nele mesmo, sem pensar duas vezes.

Mas só pensem numa coisa: Existe maior afronta e crítica à situação ridícula da nossa política do que eleger uma pessoa que há 10 anos atrás cantava Florentina, Florentina?

Comecei a fazer minha monografia do jeito errado

Fato. Comecei a fazer o principal trabalho do meu curso de Jornalismo da forma errada. E acho que esse não foi ou não é um privilégio meu, mas de quase todos os formandos deste país. Não digo que meu trabalho está ruim, muito pelo contrário, acho que está ficando bom e estou fazendo de tudo para que ele fique perfeito – apesar de saber que não existe perfeição. O problema não é agora. Neste momento eu estou finalizando meu TCC e acho que ele está no caminho certo, mas o problema foi o que eu disse: o começo errado.

Pra você ter uma ideia eu comecei a pensar em minha monografia em julho ou agosto do ano passado, início do meu penúltimo semestre na faculdade (o 6º período, já que meu curso só tem sete semestres agora). Estava indo para o estágio e, parada no ponto de ônibus, comecei a pensar no meu TCC. Ia começar o 6º período e teria que fazer a disciplina TCC I e não tinha ideia do que fazer. Comecei a me desesperar em busca de um tema. Pensei várias coisas aleatórias, pensei em TV, em programas de entretenimento que utilizam o jornalismo, enfim… pensei muitas coiasas, mas nada me agradava de verdade.

Não vou contar todas as chatices e pedras no meu caminho monográfico senão eu teria que escrever um livro e essa não é minha intenção, pelo menos não agora. O fato é que eu decidi o tema. Desinformação. Era sobre isso que eu queria falar. Mas como falar sobre isso? Essa é a questão. Esse foi meu erro.

Eu tirei um tema debaixo da orelha. Não sabia sobre o que falar e de repente me veio essa ideia à cabeça. Lembro que era na época da campanha #forasarney que se espalhou pelos programas de TV e principalmente pelo Twitter. Eu via e ouvia o fora Sarney, sabia que a vida regressa desse político não é das melhores, mas não conhecia exatamente o porquê dessa mancha em seu passado. E não conhecer profundamente as “atitudes” desse político não era um privilégio meu, olhava ao redor e via todo mundo falando mal do Sarney, mas ninguém sabia explicar o motivo de querer expulsá-lo do Senado.

Foi daí, dessa ideia que todos acham que sabem tudo mas não sabem de nada que eu tirei o tema de minha monografia. Ok. Decidi o que fazer, mas como fazer? Essa é a questão. Tinha o tema, só não tinha o modo como trabalhar com ele. E esse é o grande problema. Eu arrumei um assunto do nada, comecei a pesquisar livros e autores que falassem sobre isso, ou seja, eu procurei alguém que validasse o que eu queria falar, que legitimasse meu trabalho. E isso foi um erro, isso é um erro.

Depois de achar um autor que dissertou sobre desinformação (Leão Serva é o nome do moço que salvou meu TCC, pois sem ele nada no meu trabalho faria sentido) eu fui orientada a procurar o conceito de informação. E depois fui orientada a saber o que causa a desinformação, e depois a enxergar qual era o problema do meu trabalho, e depois conseguir autores (NOS LIVROS, o que eu acho um absurdo. Não que não goste dos livros, mas qual o problema de usar uma referência em blogs ou sites por exemplo?) e depois a construir a delimitação do meu tema, e depois que o que tinha não bastava, e depois tinha que falar sobre jornalismo, e depois… e depois…

E assim seguiu meu TCC. Tirei um tema do nada e procurei pessoas que dessem sentido ao que eu queria. Fui costurando autores que falavam sobre assuntos que eu precisaria para o meu trabalho, temas aliás que foram propostos por meu orientador. Ou seja, tudo está errado. E se eu não achasse um livro que falasse de desinformação? Meu trabalho acabaria ali? Comecei a fazer minha monografia sem ter a menor ideia do que eu queria. Simplesmente fui forçada (modo de falar) a escolher um tema, fazer dele um problema e resolvê-lo. Não tinha a menor ideia de como começar a fazer esse trabalho e isso é um erro que afeta quase todas os formandos.

Na minha visão de perfeição…. no mundo encantado onde os universitários têm a lucidez necessária para completar uma graduação, a monografia não começaria dessa forma. Eis o meu mundo perfeito:

Desde o 1º período seríamos conduzidos à biblioteca para ler os textos relacionados à disciplina do semestre e assim se seguiria durante todo o curso. Claro que essa leitura não seria imposta, afinal não é possível obrigar ninguém a ler nada. Esse interesse pela leitura “científica” deveria partir do próprio aluno. É o universitário que deveria ir à biblioteca e pegar todos os livros relacionados às matérias dadas em aula. Com essa leitura a conta gotas durante todo o curso os conceitos ficariam mais claros em nossa mente. Talvez não fosse necessário fazer um fichamento de cada um ou ser obrigado a lembrar cada conceito visto. Mas deveria sim haver compreensão do que foi lido, talvez assim no fim do curso nós (alunos) tivêssemos a clareza e a lucidez dos conhecimentos que adquirimos.

Nesse mundo perfeito o estudante teria apreendido as principais teorias do seu curso e poderia escolher entre tudo o que viu o assunto com que deseja trabalhar em seu TCC. Com a verdadeira compreensão das teorias ficaria simples fazer uma monografia. Dessa forma seria possível conhecer (quase) todos os autores, saber o que cada um fala e a partir desse entendimento escolher um tema e fazer o tal diálogo entre todos esse autores.

O que falta aos alunos, ou seja, o que faltou a mim foi ter “conversado” com esses autores durante todo o curso. E olha que eu fui uma assídua frequentadora da biblioteca da faculdade, confesso que não era muito fã das teorias, já que passava lá pra pegar meus livros de literatura. Enfim… os estudantes passam o curso inteiro apenas recebendo o que os professores passam e não buscam nada além e na hora da monografia quem tem que correr atrás é o aluno e talvez essa seja a dificuldade. Se guiar sozinho, saber o que quer e como fazer. O universitário parace uma criança quando aprende a andar. A mãe carrega o bebê o tempo todo, mas tem uma hora que ele precisa ser colocado no chão para aprender andar sozinho, mas essa é a dificuldade: andar sozinho. O universitário é carregado durante todo o curso, seja pelo professor ou pelo colega que sempre faz todos os trabalhos e coloca o seu nome. Na hora do TCC é preciso saber o que fazer e fazer sozinho.

Pra mim o grande problema não é aprender a andar sozinho, mas sim “conversar” com os autores, coisa que acho que nunca fiz. É difícil começar um diálogo sem conhecer o interlocutor, sem saber o que ele diz. Fazer TCC é encontrar um estranho na rua e estabelecer uma conversa com ele, fazer com que o que ele diz se encaixe com o que você quer dizer.

Pra não dizer que não falei das flores, ou dos canudos…

diploma

Pronto, já sou jornalista. Nem preciso terminar o curso, passar pelo trabalho de um TCC, continuar assitindo as aulas, pagar um valor absurdo para a disciplina de estágio supervisionado (estágio esse que quem irá conseguir sou eu, e não a faculdade que será paga para isso). Agora não é mais necessário ter um canudo para exercer a profissão de jornalista, e como já fiz algumas matérias e posso assinar qualquer delas como jornalista (afinal, agora até o nosso prezado Zé das Couves pode fazer o mesmo) já me considero uma.

A decisão do STF veio para tirar o crédito que ainda restava na classe. Concordo que para ser um bom jornalista não é preciso, necessariamente, de ter uma formação acadêmica. Temos vários exemplos disso, pessoas que sabem muito da sua área de atuação e escrevem muito bem sobre ela; caras como Arnaldo Jabor e muitas outras pessoas que estão há anos na profissão e sabem mais dela do que muitos recém-formados, que saem das faculdades  sabendo apenas como organizar uma boa calourada.

Quem já está na área pode não precisar do diploma de jornalista. Mas as pessoas que estão começando? É só gostar de escrever e entrar num jornal? É só ter um pai influente? É só ter uma rede de amigos poderosa? Esse é o meu medo, aumentar a frequência em que famoso Q.I. é usado. E não apenas isso, os futuros jornalistas (ou presentes, afinal agora pra escrever e assinar é só começar…)   serão capacitados pra exercer a profissão. Acredito que 90% dos bons profissionais de hoje ganharam esse crédito com o que aprenderam no trabalho, e não em sala de aula. Mas eu penso que o curso serve, no mínimo, como um primeiro critério de seleção, um pontapé inicial, a porta de entrada pra conseguir algo nesse mercado disputadíssimo.

E os cursos de jornalismo? Qual será o futuro deles? Pra mim, ou eles acabam de vez ou melhoram absurdamente. Afinal, se não é mais necessário o diploma pra quê gastar um bando de dinheiro num curso? Se alguém ainda quiser estudar jornalismo, teorias da comunicação, técnicas de reportagem etc. vai querer fazer isso numa faculdade de verdade, que ensine de verdade e não em muitos cursos ridículos que existem por aí.

Ainda tem muitas pessoas se manifestando contra isso e tentando mudar essa decisão. Mas se essa nova “lei” permanecer… o jeito é conviver com ela. E torcer para que os estudantes que estejam saindo de uma faculdade, tipo eu, consigam uma chance no mercado, sejam avaliados pelo seu valor, pelo seu talento e não por fatores externos a isso. O jeito é torcer pra que isso aconteça, vamo lá, vida que segue. Afinal, faltando apenas um ano pra se formar, não compensa largar tudo pra trás.

Ela voltou

ana paula padrão

Que bom que ela está de volta. Pra mim a Padrão fez muita falta nos telejornais diários. Sou muito fã dessa jornalista; ela é ótima, faz reportagens incríveis, não é engessada na bancada e não age como se estivesse fazendo um teatro, é simplesmente natural. Detestei quando ela saiu da globo, ainda mais pra ir pro SBT. Acompanhava o Jornal da Globo e achei um absurdo ela ter saído de lá, afinal eu adorava o jornal, principalmente com ela de âncora. Bom, em relação à emissora do Sílvio Santos, eu não tenho nada contra. Mas vamos dizer a verdade, a programação do SBT não é nada confiável. Você acompanha determinado programa, senta na frente da televisão pra assistir e se depara com outra coisa completamente diferente. Tem coisas boas no SBT, o que falta é se atualizar em relação aos horários (que costumam mudar com certa frequência).

Mas a passagem pela emissora do Sílvio não foi tão terrível assim, ela comandou um jornal e depois saiu pra fazer um programa semanal. E pelo que eu sei, ela fez isso porque quis. Saiu da maior emissora do país porque quis, deixou a bancada de outro jornal porque quis. Tem que respeitar uma pessoa dessas. E pra fazer isso tem que ter muito talento e credibilidade, pra ter a certeza de que pode voltar ao mercado a qualquer momento. E isso não é pra qualquer um. E esse é um dos motivos pelos quais eu sou fã dessa criatura. Ter peito pra fazer isso tudo, aturar um monte de gente comentando essas atitudes. E depois disso tudo voltar pro horário nobre do jornalismo na TV, numa emissora que tem pretensões audaciosas de crescimento e que deve estar desenbolsando uma bela quantia em dinheiro pra ter Ana Paula Padrão na sua equipe de jornalismo.   

Gosto muito do jornalismo da Globo, afinal é o melhor do país. Mas terei que acompanhá-lo em outros horários, porque não dá pra perder Ana Paula Padrão acorando um jornal diário em horário nobre. A Record vem contratando talentos em diversas áreas da comunicação e melhorando a cada dia, a contratação da Padrão vem pra coroar um trabalho que vem sendo muito bem feito.

E claro, eu não poderia perder a piada ridícula que o SBT fez quando contratou a jornalista: “Agora a record tem padrão”. Desculpe meus caros oito leitores, mas não podia deixar essa passar.