Tô triste. O Saramago morreu

O escritor, que sofria de leucemia e problemas respiratórios, morreu nesta sexta

Recebi essa péssima notícia mais ou menos às 10h da manhã de hoje. Fiquei  triste, muito triste. Desde os 13 anos de idade eu perseguia um de seus clássicos, “Ensaio sobre a cegueira”. Falta de tempo, de ânimo, de busca, de procura, sei lá. Mas só fui ler o livro com 20 anos. O livro é ótimo. Um clássico. Confesso que não achei sensacional, mas tenho um motivo para isso: Criei uma expectativa gigantesca em torno do livro e nem a perfeição iria satisfazer tanta espera.

Não vou ser hipócrita de falar que conhecia tudo sobre o autor ou que li todos os livros dele. Isso não é verdade. Li apenas o “Ensaio sobre a cegueira”. E adorei. A história do livro é incrível e o jeito Saramago de escrever é impressionante. Como pode escrever sem pontuação? Sem ponto final? Ele consegue. Ele conseguia. E eu consegui entender. Perfeitamente. Compreendi toda a história, todas as paradas, acentos que não existiam e tudo isso no português de Portugal, pátria mãe do escritor.

Não me lembrei de detalhes do livro, ou de frases bonitas do autor. Coloquei algumas no Twitter hoje, mas confesso que muitas dessas homenagens foram retuites. Não lembro cada palavra, cada letra, cada espaçamento. Mas me lembro muito bem da genialidade de um escritor que me fez ler um livro (teoricamente difícil pelo idioma e pela diferente acentuação) com um prazer sem igual. Espero que ele encontre o que imaginou enquanto vivia. Não teremos mais Saramago e suas críticas, mas teremos suas obras e estas sim, são imortais. Salve Saramago.

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Decisão idiota

A Confederação Africana de Futebol anunciou hoje que punirá a Seleção de Togo por ter desistido de disputar a Copa das Nações Africanas. Se essa decisão se manter, Togo ficará impedida de disputar as duas próximas edições da Copa Africana. Se alguém não se lembra do motivo que levou a essa decisão, eis a explicação: Togo desistiu da disputa porque foi alvo de um atentado. Terroristas angolanos fuzilaram o ônibus da seleção por cerca de meia hora. Três pessoas da delegação de Togo foram mortas nesse atentado. Por conta dessa tragédia o presidente togolês enviou um ônibus à Angola, país sede da disputa, para buscar seus jogadores. A delegação de Togo, amedrontada com o que houve, deixou o torneio.

Agora me explica: Como a vítima de um atentado pode ser considerada culpada por deixar o local onde sofreu esse atentado? Será que tem explicação? Essa decisão é arbitrária e absurda. Qualquer pessoa, país, delegação, ou seja lá quem fosse, tomaria a mesma decisão da seleção togolesa. Disputar uma competição em um país que não te oferece o mínimo de segurança? Duvido muito que qualquer um nessa situação seguiria em frente.

A Confederação Africana só mostrou desprezo à vida humana com essa decisão absurda, ridícula. Punir uma seleção que estava amedrontada, que tinha acabado de perder três profissionais, três SERES HUMANOS, e dizer que foi por causa da intervenção política? Isso foi ridículo. Além de tomar uma decisão idiota ainda enfiaram a questão política no meio da história, tentando se sair bem. Porque a justificativa dessa punição ao Togo, de acordo com a Confederação Africana de Futebol, se deveu ao fato governo togolês intervir na decisão de fazer com que os jogadores retornassem ao Togo e abandonassem a competição em Angola.

Enfim, agora Togo não poderá participar das próximas edições da Copa Africana. Tudo isso graças à grande importância que a Confederação Africana dá aos seus atletas.

O gringo que zuou o Brasil

O assunto de hoje foi o Robin Williams, ator americano que fez uma piada sobre o Brasil e sobre o fato do Rio sediar as próximas olimpíadas. Se alguém ainda não sabe o que houve é só clicar aqui.

Está certo que a piada foi de mau gosto, relacionar nosso Brasil brasileiro à cocaína é um pouco demais. Está certo que ele deveria medir suas palavras, até porque ele já teve problemas com drogas, mas… será que existe realmente um motivo pra nós, brasileiros, ficarmos tão bravos ou chateados assim?

Brasileiro faz piada com tudo! Com a mãe, o pai, o filho, o país, o político, o gay, o negro, o gringo. TUDO! Brasileiro acha graça em tudo, arruma uma piada pra tudo. Por que um gringo não pode fazer o mesmo? Por que é com a gente? Mas nós não fazemos piadas de nós mesmos?

Essas reclamações e os ares de ofendidos dos brasileiros são pura hipocrisia. Se fazer de rogado, criticar o ator só por conta dessa declaração é um pouco demais. Foi só uma piada. Piada como tantas outras que nós, brasileiros, fazemos o tempo todo.

Se é que existe um motivo pra ficar ofendido, esse motivo não é a piada do Robin Williams, e sim a situação atual (ou de sempre) do Rio de Janeiro. Se é que há uma razão, ela veio de nós mesmos. Da situação de nosso país, da imagem que ele vende pra fora (com suas popozudas e agora mulheres fruta).

O que o ator americano fez foi uma simples piada, o que ofendeu foi o fato dela ter um fundinho de verdade. E isso todos nós sabemos: Piada sempre tem um fundo de verdade e a imagem do Brasil é de uma nação de mulheres nuas e de traficantes dominando as ruas.

Ônibus: um mal necessário

Quero um carro, um jatinho particular, ou melhor, quero teletransporte já! Essa vida de andar de ônibus simplesmente não é vida. Ficar num lugar perto de um monte de gente que você nunca viu, olhando todos na mesma direção à espera do cometa maravilhoso chamado “ônibus” ou “buzão”; esse veículo grande, espaçoso (nem sempre, um exemplo é o buzu de 3 portas) que nos levará direto para casa. Ou nem tão direto assim, devido aos horários INSUFICIENTES de linhas de ônibus vigente na cidade, muitas vezes sou obrigada a caminhar durante 15, 20 ou 25 minutos do ponto de chegada do veículo até minha casa.

Esperar. Essa é uma das desvantagens em se utilizar esse transporte público. Se desde a 1º vez que eu entrei num ônibus eu tivesse contado quantos minutos eu perdi à sua espera… com certeza hoje eu teria as horas intermináveis de espera catalogadas num papelzinho, e se eu fosse somar todo esse tempo provavelmente eu chegaria à conclusão de ter ter perdido pelo menos 1 ano da minha vida num ponto de ônibus. Esperar é insuportável, ficar naquela dúvida: Será que ele já passou?

La espera

Mas depois de esperar muitos minutos, num ponto cheio, com um monte de gente passando pra lá e pra cá, com um sol rachando na sua testa, você tem que se esforçar pro condutor do veículo enxergar o seu sinal e parar, aí você tem que entrar num ônibus igualmente cheio e rezar pra que o motorista seja de fato um motorista de ônibus, e não um homem que pensa que está guiando um veículo que transporta porcos. Se for um “motô” de verdade ele vai esperar todos os passageiros entrarem, saírem de perto da porta, para aí sim arrancarem e seguir rumo ao seu destino. Mas se não… se prepare pra se sentir como uma fruta dentro de um liquidificador prestes a virar uma vitamina.

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Depois disso vem as conversas entre os passageiros, nada contra isso nem contra as pessoas, afinal também tenho esse hábito quando encontro algum conhecido no buzú. Mas quando o diálogo acontece num tom muito alto, ou melhor, quando não há um diálogo e sim uma gritaria, aí sim é insuportável. Mas tudo bem, deixe os pobres passageiros conversarem, eles pagam R$ 2,20 pra ficarem 5 minutos no veículo, têm direito à tudo.

Um outro problema é a dificuldade de locomoção dentro do buzão. Passageiros que não sabem ficar em pé formam uma verdadeira barreira ao trânsito dentro do veículo. Se atrás da roleta está cheio de gente o mais sensato a se fazer é ir passando pra frente (se tiver espaço, claro), mas para isso as pessoas que estão na parte dianteira precisam caminhar, precisam ir pra frente, e isso nem sempre acontece. Então ficamos numa lata de sardinha, tentando nos escorregar pra perto da porta quando chega nossa vez de descer.

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Outra questão é o buzú de 3 portas. Muito bom, afinal temos uma outra porta de saída. Mas o cálculo é lógico: espaço pra porta = falta de espaço pra assentos. E isso em horários de pico é terrível, se tivessem a magnífica ideia de por um ônibus de 2 portas nesses horários, com certeza haveria mais bancos disponíveis e menos passageiros em pé e, consequentemente, menos lotação.

Enfim, ônibus é um mal necessário. Se não quiser usá-lo se vire, vá a pé, compre uma moto, um carro. E como eu não tenho nada disso e nem habilitação ainda, tenho que continuar usando o bom e velho ônibus. E continuar esperando que criem meu tão sonhado e esperado teletransporte e não coisas inúteis como um computador dentro do vaso sanitário.

Uma despedida de rei

11111 2222Quase 20 mil pessoas num estádio, grande parte dos ídolos da música fazendo um show; políticos, esportistas,  atores e personalidades, como os filhos de Martin Luther King, dizendo seus discursos. Parece um show, parece um grande eventos, mas… era sim. Um grande evento, o funeral de Michael Jackson, o rei do pop.

Uma carreira como a dele, uma vida cheia como a dele, com certeza merecia essa despedida grandiosa. A vida de Michael nunca foi normal, simples, fácil, sem graça. O velório não podia ser diferente. E é incrível como os americanos sabem dar show, fazer um show. Fizeram um espetáculo maravilhoso, lindo, emocionante. Acredito que nunca mais vou ver isso de novo, acho que ninguém supera a comoção que a morte de Michael Jackson causou. Só o rei do pop mesmo pra conseguir fazer isso, reunir artistas, personalidades, produtores, e milhões de fãs apaixonados. Quase 2 milhões de pessoas concorreram aos 8 mil ingressos cedidos para participar da celebração que aconteceu hoje, dia 7 de julho. Dia que ficará marcado por uma das cerimônias mais emocionantes que a mídia já mostrou.

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E por falar em mídia, ela explorou bastante a vida do astro, sugou o máximo que pôde dele, mas também foi abastecida e de certa forma mantida pelo rei. Alguém já pensou se a MTv seria a mesma sem os clipes de Michael? Enfim, o rei do pop mudou o jeito de fazer muita coisa, inclusive o jeito de mostrar as coisas, de fazer a tão falada mídia. Quem teve um funeral como o dele? Pensando aqui não lembro de ninguém, e acho difícil que um espetáculo desses aconteça de novo.

Incrivel, impressionante, emocionante, triste. Esses são alguns dos adjetivos que podem resumir o que aconteceu nesse dia. Um velório que se tornou um espetáculo, mas não no mau sentido. Em momento algum nada do que aconteceu lá foi banal, sensacionalista, explorador. Muito pelo contrário, foi tudo extremamente respeitoso, de muito bom gosto. Todos exaltaram a vida do popstar, mostraram e falaram as coisas boas que ele fez.

Como (diga-se de passagem) acontece com todas as pessoas que morrem, elas de repente viram santas. Mas a questão não é essa. Quando alguém morre não tem que ficar detonando, tem que respeitar o que ela foi e ficar com o que ela deixou de bom. E nesse caso Michael Jackson deixou muita coisa. Deixou um legado, um estilo, um jeito de se apresentar, de cantar, de dançar, de fazer clipe, de fazer mídia. E como ele era o rei do pop, nada mais natural que o

tributo feito a ele fosse aberto ao público, transmitido para mundo inteiro. E aliás, o rei do pop também deixou três filhos, mais especificamente uma menina de 11 anos que fez o mundo inteiro chorar com a sua declaração ao pai. Em sua primeira aparição oficial Paris se destacou, foi o centro de dezenas de homenagens, foi o ponto máximo de uma celebração muito bem produzida e conduzida.

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