Balanço final de Dexter: Do luxo ao lixo em oito anos

Dexter

E aí, fãs?! Estão tristes/decepcionados/chateados e sem vontade de cantar uma bela canção após o fim de Dexter? Pois é, tudo de ruim que vocês estão sentindo agora eu passei no 2º episódio da 7ª temporada. Naquela ocasião escrevi um texto (https://abelhafistula.wordpress.com/2012/10/08/eu-esperei-por-isso-serio-dexter/) explicando todos os motivos da minha decepção com o fatídico “Sunshine and Frosty Swirl”, e apontei que dali em diante seria impossível vir qualquer coisa boa da série. Na época fui muito, MAS MUITO xingada neste adorável espaço que é o Dexter Brasil. Os fãs (a maioria formada por quem não sabe argumentar e leva tudo a ferro e fogo) me ofenderam de diversas maneiras, usando como escora o fato de eu não poder dizer que uma série tinha acabado quando ainda faltavam 22 episódios para a series finale. Pois bem, você que continuou acreditando, a série foi boa de lá pra cá? Gostou do final?

Lixo ou porcaria? Triste ou estranho? Decepcionante ou esperado? É difícil dizer o que foi esse final, mas era impossível Dexter acabar de uma maneira satisfatória. O problema não foi o episódio/temporada final. O problema são as últimas quatro temporadas. Dexter levou um tombo feio no 5º ano e não se levantou mais. Teve um fôlego bom no início do 6º e se perdeu com a morte de brother Sam (um dos melhores personagens convidados) e com o insosso Tom Hanks Jr. A 7ª temporada foi um lixo fenomenal (ou alguém se esqueceu do plot super esperado de Louis que se evaporou como água, ou do mafioso que decidiu se vingar SOZINHO?) que apenas teve sequência em 2013. Dexter deixou de ser um homem inteligente para se tornar um adolescente apaixonado que faria um Facebook de casal (ótima sacada, Carla Gomes). A série de um serial killer terminou com um lenhador. Ótima piada para explicar esses oito anos.

Mas de qualquer maneira, é bom lembrar que é impossível agradar a gregos e troianos. Até uma série que permanece sempre ótima pode ter um fim decepcionante. Eu, por exemplo, só vi um final perfeito de série dramática até hoje: Six Feet Under.

O final

As ideias do final não foram ruins. Gostei de Dexter isolado. Antes isso do que em lua-de-mel na Argentina. Gostei de Debra morta, pois nunca imaginei outro fim pra ela. Mas a morte da segunda personagem mais importante da história (e minha favorita) precisava ter sido desencadeada por um personagem que surgiu aos 48 do segundo tempo? Quem é Saxon na fila do pão? NINGUÉM. Até o fraco esfolador será mais lembrado pelos fãs do que o homem de uma expressão só que é Saxon.

O filho de Vogel, assim como a própria Vogel, surgiu do vento. Vogel de repente se tornou mais importante que Harry. E não me venham falar que ela criou o código, porque tenho certeza que a possibilidade de uma psicanalista aparecer no meio da história nunca foi a intenção de quem deu base à série. Mas se alguém ainda compra essa ideia, ok. Mas comprar o Saxon, que foi inserido do nada, depois de dois minutos de conversa entre Dexter e Vogel é demais.

Dexter e Debra hospital

Eu me esforcei muito para esquecer todas as falhas da série (I tried just let go). Tentei apagar as últimas quatro temporadas e ver esse final como se fosse o capítulo seguinte à morte de Rita. Mas é claro que não deu. Porém achei até legalzinho Dexter matar a irmã. Afinal, quem não se lembra da 3ª temporada, quando Dexter dá a torta perfeita que livraria Camila (tia do arquivo, amiga do Harry, pessoa que conhecia a história de Dex) do sofrimento do câncer? Naquele episódio Deb diz ao irmão que gostaria de ser morta se fosse pra ficar numa cama. Partindo disso, e de várias outras coisas, o final teve sim um sentido.

Debra morreu por causa de Dexter, era óbvio que seria assim. Ela sempre sofreu por ele, foi subjugada por ele, ignorada por ele, nada mais coerente do que morrer por culpa dele. E também foi bom vê-lo tendo que cometer o assassinato mais difícil da vida. A irmã, que foi sua vítima durante toda a vida, foi a última a preencher sua kill room. Teve certa poesia.

Mas por que jogar a irmã no mar, no mesmo lugar onde ele jogava suas vítimas frias, vis, assassinas e cruéis? Ele jogou a pessoa que mais o amou no buraco negro onde ele se livrava da escória do mundo. Isso não teve poesia. Foi apenas pra fechar com chave de ouro com todo o desrespeito que a ótima, e antes forte, personagem Deb sofreu nas mãos dos preguiçosos roteiristas.

Também não curti Harrison ser criado por Hannah. Pobre Rita, ter seu filho criado por uma assassina. Hannah sempre usou sua loirice e beleza para viver às custas de algum homem, que depois era morto por ela. O que a impede de fazer o mesmo na Argentina? Dexter se afastou do filho para ele não sofrer com seu dark passenger, mas o entregou a uma outra assassina. Cadê critério? Era melhor ter deixado o menino com Astor e Cody.

Deb morreu por causa do vilão mais ridículo/fraco da série

Deb morreu por causa do vilão mais ridículo/fraco da série

Referências

Para tentar salvar o final, esta temporada usou muitos recursos que há muito não eram explorados. Como a trilha sonora de Daniel Licht, que havia sido esquecida nos últimos anos, e os ângulos de câmera usados no primeiro ano. Também houve referências claras, como o caminhão de gelo do último episódio, o tiro na barriga de Deb (mesmo ponto atingido pela filha de Trinity), a mesma posição dos irmãos no quarto do hospital (4ª temporada), e Saxon falando a frase inicial do show: “Miami is a great town. I love the cuban food. Pork sandwiches, my favorite…”. Tudo isso teria sido lindo, poético e explodido nossa cabeça se a série ainda pudesse ser levada a sério. Mas como isso não é o caso, foram apenas tentativas forçadas de criar empatia.

Alguns furos

Durante toda a série li reviews por aqui e em outros sites e sempre dei minha opinião, inclusive em meus textos (muitos publicados aqui). Sempre falei o que estava achando e critiquei vários pontos da trama. Mas muitos me rebatiam dizendo que eu estava me apressando, e que depois tudo aquilo iria fazer sentido. Bom… ainda não fez sentido. Ou melhor, fez sentido sim. Todas as falhas eram de fato falhas, e não plots que estavam aguardando seu desfecho. Muitas histórias e personagens foram criados e geraram muita expectativa, mas depois eram apenas retirados da trama sem qualquer explicação.

Debra e Quinn

Uma de minhas reclamações é o fim do namoro entre Deb e Quinn. Entendo que muita gente não goste do policial, mas eu sempre comprei o casal. Não acho Quinn tão horrível assim, pelo contrário, gosto do jeito sem graça e até de sua feiúra. Pois uma coisa que me incomoda são séries americanas onde TODOS os personagens são lindos e maravilhosos. Isso é o ponto positivo em Dexter, gente feia. Mas enfim… Deb terminou com Quinn apenas para, lá na frente, inserirem o plot da paixão por Dexter. Em nenhum momento pensaram em como o relacionamento foi iniciado e qual o sentido que ele faria pra trama. Apenas jogaram Quinn para escanteio, que dali em diante não teve mais função alguma na série.

Em relação ao plot amor romântico entre Dexter e Debra, confesso que não fiquei tão chocada como todos. Acho sim que poderia nascer um casal dali, mas não da maneira como foi feito. A questão não são os plots, a questão é que eles são mal criados e desenvolvidos. Se a série desse pistas de uma possível tensão sexual entre eles desde a 1ª temporada, e Deb tivesse despertado para isso por si própria (e não por inception da psicóloga), até que rolaria.

O triste deste plot, que teve início com a recusa de Deb em se casar com Quinn, foi que os roteiristas não confiaram na sólida e ótima base da série. O amor fraternal de Deb por seu irmão já era suficiente para ela aceitar Dexter assassino. Ela já amava o irmão o bastante para não entregá-lo a polícia. Não havia a menor necessidade do plot romântico.

Personagens desnecessários

Louis, Isaak, Jaime, Saxon, Neurocirurgião, Detetive Miller, Elway, Mike Anderson, Nadia, Liddy, Cassie, Zach e por aí vai. O problema não são os atores ou até mesmo o plot inserido para cada personagem, o problema é que todos foram mal desenvolvidos. Miller ganhou a promoção de Quinn e desapareceu. Zach, outro pupilo, pra quê? Nadia namorando Quinn, qual o sentido? Liddy teve uma morte estúpida. Mike não disse a que veio. Louis não preciso nem falar. Mas preciso reconhecer Isaak, afinal só a beleza estonteante de Ray Stevenson com aqueles ternos feito sob medida para fazer com que eu assistisse à horrível 7ª temporada.

elway

O problema é que não foram apenas os personagens convidados que não tiveram importância na série, os coadjuvantes também perderam espaço. Dexter sempre foi uma série de dois personagens, Michael C Hall e Jennifer Carpenter carregaram oito anos nas costas (com algumas ajudas como Rita, ITK e Trinity). Foi triste ver as piadas de Masuka perderem a graça, ver Batista sem rumo, ver Quinn sem motivo pra existir, ver LaGuerta patinando num relacionamento sem pé nem cabeça com Batista, e por aí vai.

Dexter apaixonado

Agora vamos falar de sentimentos. E pra isso preciso definir uma coisa: Dexter não é psicopata, ele apenas tem características de um psicopata. Digo isso porque é impossível para uma série de TV, em 96 episódios, manter um personagem puramente psicopata. Vimos que Dexter tem sentimentos, ele amou a irmã, o filho e as namoradinhas, isso e outros detalhes jogam por terra sua psicopatia. É impossível para um show que visa entreter, divertir e emocionar o público manter um personagem preso aos sintomas do transtorno. Dexter precisava ser maleável, modificado ao bel prazer de seus produtores, para assim criar empatia com o público.

Essa cena foi constragedora

Essa cena foi constragedora

O fato dele ter sentimentos era ótimo pra série, pois tornava tudo ainda mais complicado, mais cinza. Mas o amor desmedido e sem nexo por Lumen foi ridículo. E a paixonite adolescente por Hannah também. Foi um desrespeito com os fãs Dexter acabar de enterrar a esposa (que morreu por sua causa) e dois minutos depois cair de amores pela sem sal Lumen. Depois da morte de Rita esperava que a série fosse fundo no lado dark e que as coisas ficassem mais eletrizantes, assustadoras e perigosas. Mas depois que Rita se foi, Dexter se transformou numa novela mexicana, com um homem que ama a primeira loira que passa pela sua frente. Quem diria que Rita, considerada por muitos como chata e uma pedra no sapato, seria o divisor de águas entre o luxo e lixo de Dexter?…

Enfim acabou

Sempre pensei que iria sofrer com o final de Dexter, imaginei que seria difícil me desapegar da série. Mas a tristeza veio por um motivo diferente, veio pelo declínio gigantesco que a série sofreu.

Nos primeiros ano eu fiz milhares de teorias sobre o que poderia acontecer, sofria de antemão pela relação Deb/Dex após a tão esperada descoberta e tentava conjecturar o que viria pela frente. Fiz tudo isso porque, até a 4ª temporada, tudo era bem estruturado. As histórias tinham início, meio e fim. E tudo isso era muito bem ligado e embasado.

Mas a partir do 5º ano parece que jogaram todo o resto no lixo e partiram do zero. Acabou o homem frio e inteligente para dar lugar a um cara que acredita de todo o seu coração na primeira pessoa com cara de vítima que aparece na sua frente. Acabou a policial forte, honesta e boca suja para dar lugar a uma mulher que se deixa subjugar por um irmão egoísta e manipulador.

Oi, meu nome é Dexter Morgan. Eu sou um lenhador.

Oi, meu nome é Dexter Morgan. Eu sou um lenhador.

Sim, fiquei triste com o fim de Dexter, mas por um motivo diferente. O fim da série pra mim foi no último ano. E olha que ainda fui idiota o suficiente para achar que a 6ª temporada seria ótima. Agora, depois de ver tanta história sem pé nem cabeça, sinto apenas alívio por ter me livrado da obrigação de ter que ver como essa história ia terminar.

Séries são produtos da mídia que visam lucro, é isso. Mas é uma pena ver como Dexter abriu mão da arte, da coerência, do belo em se contar uma história bem amarrada para se render apenas aos números da audiência. Falem bem ou falem mal, mas falem de mim. Foi isso que a série se tornou. Dexter foi destruída pela ganância de seus produtores. Mas vamos sorrir gente, não vamos morrer por causa disso e nem criar brigas desnecessárias. Afinal, it’s just entertainment, baby!

*Dexter chorou mais a morte de Vogel (pessoa que ele conhecia há três semanas) do que a perda da irmã

*Elway não tem bunda

*Por que alguém acreditaria que Dex foi passear de barco em meio a uma tempestade?

*E ninguém quer saber onde está Harrison?

*O blábláblá da Argentina era tão falado, o FBI viu a pesquisa no laptop de Dexter sobre América do Sul, mas ninguém vai dar uma visitada no lado de baixo do globo para procurar Hannah?

*Jennifer Carpenter deve te dados pulos de alegria com a morte de Deb, pois assim ela se livrou de um possível spin-off.

Eu esperei por isso? Sério, Dexter?

SE NÃO QUER SPOILER, NÃO LEIA!

Decepção! Essa é a palavra que tenho para a série. Acabo de assistir ao segundo episódio da 7ª temporada, “Sunshine and Frosty Swirl”, e achei um lixo. Sério que esperei seis anos por isso? Desde o início eu ansiava pelo ponto alto: Debra descobrindo que o irmão é um assassino. E quando ela finalmente descobre… é isso?

Uma cena fraca, oca, sem sal, sem sentimento, sem sofrimento, sem choro. Ridículo. Claro que não quero ver uma novela mexicana, se quisesse isso ligaria a TV no SBT. Mas PQP!!!!! O episódio começa com ela saindo do apartamento, chega ao portão do condomínio vomita e o irmão corre atrás dela. Ele joga algumas verdades e ela simplesmente volta pro apartamento com ele? Foram só aquelas lágrimas, Deb? Como assim que o seu irmão te diz que é um serial killer e você fica normal, fria. Ok, essa poderia ser a reação de algumas pessoas. Mas ser essa a reação de Deb, a pessoa mais à flor da pele da série? Esperava muito mais texto, roteiro, explicação, drama, choro, tensão. Esperava mais sentimento. A cena foi burocrática e rasa demais.

Aí depois de tudo isso ela tenta curá-lo. Levá-lo pra casa dele. Mas CADÊ O HARRISON? Esconderam o menino. Simplesmente não consigo ver sentido nisso. Seu irmão é um assassino e você vai morar de boa com ele… Ok, que é família e você não precisa entregar o cara, mas você consegue lidar tão bem com uma situação assim tão rápido? Se era pra ter uma resposta tão fácil e simples, porque esperar seis anos pra fazer isso, Showtime?

Eu detestei a maneira como essa parte da história foi contada nos livros, e achei que série se aprofundaria muito mais. Mas não foi o que aconteceu. A história se resolveu fácil demais.

Além dessa parte nonsense teve outras partes piores ainda. Sério que trocaram o titulo “The Shadow Knows” para “Sunshine and Frosty Swirl” para o sol e sorvete gelado do título serem apenas o desejo de um prisioneiro de Miami? Sério que o mimado Louis quer ferrar o Dexter por não agüentar ouvir críticas? Sério que teremos Quinn se envolvendo com outra possível testemunha? Sério que o vilão já está em Miami e vai perseguir Dexter durante toda a temporada?

Sei que tudo aqui pode parecer puro mimimi, porque escrevi o texto poucas horas depois de ver o episódio. Talvez não esteja com a cabeça fria para fazer análises e pode ser que a série melhore, mas… eu esperei por isso?

O que esperar da 7ª temporada de Dexter?

Estou tentando controlar minha ansiedade e não jogar muita responsabilidade para a série neste ano para que ela não me decepcione como a 6ª, mas a sétima temporada tem de tudo para ser a melhor de Dexter. Antes de mais nada: SE VOCÊ NÃO QUER SPOILER, NÃO LEIA O TEXTO! BELEZA?!

Vamos lá! Finalmente Debra descobriu o hobby de seu irmão. Esse foi o momento mais aguardado por mim durante estes seis anos de história. E agora finalmente vamos poder ver qual será a reação de Deb. Ela vai prender o irmão? Aceitar? Ela vai perder o resto de sanidade que ainda lhe resta e parar num hospício? Tudo isso pode acontecer, mas o que eu espero que aconteça mesmo são diálogos francos entre os dois. Uma das coisas que mais me irritam na série é o isolamento de Dexter diante da irmã e as milhares de mentiras que ele conta a ela. É angustiante ver Deb tentando ter uma conversa com Dex, perguntar alguma coisa e ele não responder. É como conversar com uma parede.

Embora eu escreva tudo como possibilidades, tenho certeza de que ela irá aceitar quem Dexter é. E penso isso por acreditar que a série errou há dois anos atrás. Se Debra tivesse pego o irmão no final da 5ª temporada eu teria entrado em pânico, achando que ela poderia matá-lo ou entregá-lo à polícia. Mas agora não. Tenho certeza de que ela não fará nada disso e que ele não vai machucar a irmã adotiva. Esse adiamento da verdade vindo à tona só deixou mais claro o que virá depois: a aceitação.

Outro ponto positivo desta descoberta é a mudança de fórmula, que eu espero que aconteça. No último post critiquei o padrão da série, que tem utilizado os mesmos recursos de roteiro há seis anos: Dexter e seu jogo de gato e rato com o vilão principal. Eu espero sinceramente que isso mude. Que o foco saia do vilão da vez e recaia sobre Debra. Quero que o principal problema de Dexter neste ano seja sua irmã. Que esteja na relação entre os Morgan a principal fonte de arcos desta temporada.

Como sou muito fã da série, não aguento ver notícias pipocando na internet e não ler nenhuma. A melhor maneira de assistir a qualquer obra ficcional, na minha opinião, é não saber nada sobre ela. Mas simplesmente não consigo fazer isso com Dexter, então já sei de algumas coisas que irão acontecer na sétima temporada. Vou contar algumas aqui, lembrando que tudo pode ser especulação e não acontecer de fato. Então vamos aos spoilers:

1º Spoiler: Mike Anderson morre no primeiro episódio, “Are You…?”. Acredito que foi o ator, Billy Brown, quem pediu para sair, já que ele vai entrar em outra série. Se a morte de Anderson não servir de estopim para um arco ficcional muito foda, a sua entrada no show terá sido um dos maiores desperdícios. Mike entrou como substituto de Debra, que deixou o cargo de detetive para se tornar tenente do departamento. Até achei que haveria um caso entre eles, já que Deb sempre pega alguém diferente todos os anos. Mas isso não aconteceu. O envolvimento dos dois ficou restrito às dicas de moda e etiqueta que Mike deu à nova tenente, que precisou se portar melhor nesta nova fase de sua carreira.

Anderson também se mostrou o policial mais inteligente do departamento e sacava as coisas primeiro que todos. Mas tirando isso e o fato de Mike apresentar a Deb uma casa pra alugar, a participação de Brown não teve o menor sentido. Achei que ele seria melhor aproveitado no ano seguinte, mas isso não vai acontecer, pois Mike está marcado para morrer logo na estreia da sétima temporada. Uma pena. Acredito que o personagem podia render.

2ª Spoiler: Após presenciar o assassinato de Travis, Deb confronta o irmão que, mais uma vez, a enrola. Dexter a convencerá que foi um momento de loucura e os dois queimam a igreja para se livrar das evidências. Porém, na hora da investigação, Laguerta vai encontrar a lâmina de sangue de nosso herói, o que a deixará certa de que o Bay Harbor Butcher está de volta. Ou melhor, que o BHB não era seu amigo Doakes.

Tô curiosíssima para ver o desenrolar dessa história, afinal a polícia vai perceber que o padrão é o mesmo do BHB e isso deverá iniciar uma nova caçada em Miami. E agora Dexter tem que escapar de mais uma investigação e convencer a irmã de não entregá-lo.

3º Spoiler: Talvez o mais óbvio, mas o melhor de todos. Debra acreditará na versão inicial do irmão, mas logo irá sacar que aquele não foi o primeiro crime de Dexter. Se foi impulso, por que o plástico? Por que toda a conversa com a vítima? Por que o avental?

A tenente pode ser cega de amor pelo irmão, mas não é burra e claro que irá perceber coisas estranhas e ligar o método de Dex ao BHB e ao ITK (Afinal não é possível Deb não se lembrar que ficou amarrada a uma mesa exatamente como Travis, há seis anos atrás). Ela descobrirá que o irmão é um serial killer e tentará libertá-lo de seu dark passanger.

No arco entre os dois, estou super ansiosa para ver os diálogos. Quero ver se ele vai se abrir com ela. Se quando ela perguntar ele vai responder que é sim um assassino. Se vai dizer o motivo pelo qual faz isso. Se vai explicar o código de Harry e ela finalmente entenderá porque o pai nunca deu bola a ela. Quero saber se ele vai explicar que a morte da Rita é culpa dele. Se vai contar que matou o ITK para protegê-la. Quero diálogos entre os dois. Por favor, conversem. Joguem todas as cartas na mesa.

O que acredito que não irá acontecer

No trailer oficial, vemos Dexter esfaquear Masuka no pescoço. Duvido que ele mate o colega de trabalho, ainda mais no local e do jeito mostrados no vídeo. Aquela cena deve ser sonho ou apenas a simulação de um crime.

Acho impossível Deb entregar o irmão. Provavelmente ela ficará louca sem saber o que fazer e o que sentir ao ver que toda sua vida foi uma mentira. Mas Dex é o único ser humano da vida dela, é sua única ligação com o passado, raízes, família. Debra não entregará o irmão criminoso.

Também duvido que Quinn, Batista e demais coadjuvantes tenham destaque este ano. Li um texto no site NaTV, onde a Carla Gomes falou o quão inúteis são os coadjuvantes de Dexter, e concordo totalmente com ela. Quinn só teve sentido na história quando se envolveu com Deb. E os outros só chamam atenção quando estão ao lado dos protagonistas do show, os irmãos Morgan. Pode ser chatice da minha parte, mas nenhum coadjuvante me faz a menor falta. Podem morrer todos e ficar apenas Deb e Dex.

Tramas paralelas

Além da máfia russa (eu acho que é russa) aprontar em Miami, também teremos a presença de Hannah (Yvonne Strahovski), uma mulher misteriosa que se envolverá com Dexter. Estou sentindo cheiro de Lila e Lumen por aí, e sim, isso me desagrada. Não sei porquê, mas não gosto das namoradas de Dexter. Gostava apenas de Rita. Hoje, acho melhor ele ter relacionamentos curtos e não se envolver com ninguém. Mas vamos esperar que saia coisa boa daí, e não apenas um namoro entre os dois.

Não faço ideia do que Louis Greene (Ryan Chambers) quer com Dexter. Talvez ele saiba quem ele é e seja um admirador. Tá com cara que será tipo um Miguel Prado na vida de Dexter, ou seja, um grude total. Tem de tudo pra ser uma trama bem interessante

E por favor, arranjem um namorado legal para Debra. Um dos motivos da última temporada ter sido ruim foi a falta de um novo parceiro pra policial. Pô, Deb é pegadora e não pegou ninguém na sexta temporada? Tem que mudar isso aí Showtime.

Dexter – Balanço da 2ª temporada

Esta é a temporada mais psicológica de Dexter. Já ouvi de pessoas que não são tão fãs da série que esta temporada é um pouco chata. Discordo totalmente. Talvez ela não tenha tanta ação quanto a primeira, mas é neste momento que nos aprofundamos na mente de nosso herói.

Tudo desaba no mundo de Dexter. Ele sente dificuldades de saciar seu dark passanger (já que a última pessoa assassinada por ele foi seu irmão de sangue), suas vítimas são encontradas, Doakes (Erik King) está seguindo nosso herói, Debra está traumatizada com a tentativa de assassinato do ITK e vai viver com Dex (o que atrapalha sua rotina de assassino), Rita começa a desconfiar que algo está errado, o rock star do FBI começa a investigar seus assassinatos em série, Miami só fala do Bay Harbor Butcher, ele começa a questionar Harry e seu código e se envolve com a perigosíssima Lila.

A série melhora quando tudo está dando errado pra ele. Para não ser pego, ele boicota o trabalho da polícia (como sempre). Para se livrar das desconfianças de Rita, mente que é viciado em drogas e vai parar no narcótimos anônimos, onde é apadrinhado por Lila (Jaime Murray). Com isso ele se envolve com a ex-viciada. Devo admitir que odiei o relacionamento na época. Pura sacanagem com Rita. Como o cara diz que não sente nada por ninguém e trai a namorada? Se ele não é nada apegado a relacionamentos físicos porque trair a namorada que é a perfeição em termos de camuflagem?

Bom, não engoli em nada o envolvimento “romântico” entre os dois. Mas admito que eles se entenderam perfeitamente, ou melhor, a Lila entendeu o Dexter perfeitamente. É incrível como ela soube ler o que se passava na mente dele. Ela não sabia que ele era um assassino, mas enxergava absolutamente tudo que Dex sentia e pensava. Se pararmos para analisar, Lila era a mulher perfeita para Dexter, se não fosse tão chave de cadeia.

No meio de tantos problemas, Dexter ainda tem que lidar com o Doakes descobrindo seu hobby. Para o sargento não entregá-lo, nosso herói decide trancá-lo em uma cabana abandonada no meio do nada. E mais uma vez vemos o quanto Dexter é dúbio. Ele não mata Doakes, pois está preso ao Código de Harry. “Não mate inocentes”. Mas ao mesmo tempo não pode deixar o policial solto para contar seu pequeno segredo.

As melhores partes desta temporada são os diálogos de nosso serial killer favorito com Lila e Doakes. A britânica lê os pensamentos de Dex e Doakes tenta convencê-lo a se entregar. Os roteiristas capricharam nestes 12 episódios. São nessas conversas que entendemos o que Dexter pensa. E no meio disso tudo ele descobre um grande segredo: o suicídio de seu pai adotivo.

Essa revelação foi um baque para Dex, afinal seu pai se matou por causa dele. Após presenciar um assassinato cometido pelo filho, Harry percebe o monstro que criou e não consegue viver com isso. Todos acreditam que o policial fodão morreu por conta de problemas no coração, mas Doakes vem nos dizer que ele se matou. E isso cai como uma bomba para o mundo de Dexter.

Paralelamente à tensão em torno do serial killer, Debra está se recuperando de seu trauma. No começo da temporada ela se apaixona por Frank Lundy (Keith Carradine), o agente do FBI que chegou a Miami para cuidar do caso Bay Harbor Butcher. Deb larga Gabriel (Dave Baez) – o namorado mais gato que ela já teve em seis temporadas – para ficar com Lundy, que é uns 30 anos mais velho que ela.

De volta ao problemático Dexter… O relacionamento com Lila não dá muito certo depois que ela invade a casa da Rita e arma para que o assassino da mãe biológica de Dex vá a Miami atacá-lo. É com o rompimento que Dexter conhece uma mulher grudenta de verdade. Lila faz de tudo para ficar com seu amado, até acusa Angel Batista (David Zayas) de estupro!

O que parecia um grande problema para Dexter se torna uma solução. Doakes está preso em uma cabana (sendo obrigado até a presenciar um assassinato do querido e danificado Dexter) e é descoberto por Lila, que nesse momento fica sabendo que seu amado é o Bay Harbor Butcher. Pra surpresa ou não do público, ela adora a ideia e faz de tudo pra proteger Dexter, o que significa matar Doakes.

Apesar de ter sido uma saída inteligente dos roteiristas, achei essa solução um pouco covarde. Depois de longas conversas com Doakes, Dex decide abrir o jogo com Deb e se entregar (numa cena hilariante com as possíveis reações da policial). Mas no meio da conversa ele desiste e pouco depois descobre Doakes morto. Essa solução foi covarde porque tiraram o peso da morte do sargento das costas de Dexter. Apesar de ter trancafiado Doakes e pensado em matá-lo, Dexter continua um herói aos nossos olhos, afinal ele não matou um inocente. Queria muito saber o que ele teria feito com Doakes sem a ajudinha providencial de Lila.

Mas para provar o quão bonzinho ele é, Dexter viaja para França para matar Lila. Que a essa altura já se mandou de Miami. Apesar do ódio por todas as coisas que Lila fez com ele, Dexter só mata a ex-amante porque ela se tornou uma assassina. E o Código de Harry só permite matar culpados. Repito, essa foi uma saída inteligente dos roteiristas, pois mantiveram a áurea de herói do protagonista, mas ainda acho um artifício covarde.

Lila e Doakes mortos. Laguerta triste pela perda do amigo. Debra mais uma vez solteira, já que Lundy volta para a sua cidade após a “morte do Bay Harbor Butcher”. Dexter volta para Rita e finalmente para de se questionar. “Sou um cara bom fazendo coisas ruins? Ou um cara mau fazendo coisas boas?”. Dexter assume seu dark passanger, tira Harry do pedestal e passa a ter seu próprio código.

Confira a cena “imaginária” onde Dexter conta à irmã que é o Bay Harbor Butcher