Dexter em desencanto

Eu era fã número um do serial killer, mas hoje, infelizmente, assisto à série para criticar. Não porque sou chata (ok, sou chata), mas porque os defeitos pulam da tela. É impossível não perceber a superficialidade que atingiu a aclamada série da Showtime.

Adoro o fato dele estar mais humano, mas não era preciso perder a essência nesse processo. Dexter ajuda e confia em qualquer desconhecido, mas insiste em sabotar e machucar a única pessoa que realmente gosta dele, Deb.

Durante seis temporadas sempre temi pelo que achava ser o grande clímax: nosso herói sendo descoberto. A série sempre deu pistas de que esse momento seria terrível e que muita coisa mudaria. Mas não vejo isso acontecendo. Vejo apenas a repetição de uma velha fórmula sendo apresentada sem qualquer preocupação em ligar os pontos soltos durante os anos anteriores. A série de DRAMA não tem mais drama. Algumas das coisas terríveis que sempre temi foram mostradas sem choro nem vela. Pularam o que era o grande momento da série. Depois disso o encanto se perdeu. O fato é que Dexter conseguiu matar minha imensa paixão pela série.

Eu esperei por isso? Sério, Dexter?

SE NÃO QUER SPOILER, NÃO LEIA!

Decepção! Essa é a palavra que tenho para a série. Acabo de assistir ao segundo episódio da 7ª temporada, “Sunshine and Frosty Swirl”, e achei um lixo. Sério que esperei seis anos por isso? Desde o início eu ansiava pelo ponto alto: Debra descobrindo que o irmão é um assassino. E quando ela finalmente descobre… é isso?

Uma cena fraca, oca, sem sal, sem sentimento, sem sofrimento, sem choro. Ridículo. Claro que não quero ver uma novela mexicana, se quisesse isso ligaria a TV no SBT. Mas PQP!!!!! O episódio começa com ela saindo do apartamento, chega ao portão do condomínio vomita e o irmão corre atrás dela. Ele joga algumas verdades e ela simplesmente volta pro apartamento com ele? Foram só aquelas lágrimas, Deb? Como assim que o seu irmão te diz que é um serial killer e você fica normal, fria. Ok, essa poderia ser a reação de algumas pessoas. Mas ser essa a reação de Deb, a pessoa mais à flor da pele da série? Esperava muito mais texto, roteiro, explicação, drama, choro, tensão. Esperava mais sentimento. A cena foi burocrática e rasa demais.

Aí depois de tudo isso ela tenta curá-lo. Levá-lo pra casa dele. Mas CADÊ O HARRISON? Esconderam o menino. Simplesmente não consigo ver sentido nisso. Seu irmão é um assassino e você vai morar de boa com ele… Ok, que é família e você não precisa entregar o cara, mas você consegue lidar tão bem com uma situação assim tão rápido? Se era pra ter uma resposta tão fácil e simples, porque esperar seis anos pra fazer isso, Showtime?

Eu detestei a maneira como essa parte da história foi contada nos livros, e achei que série se aprofundaria muito mais. Mas não foi o que aconteceu. A história se resolveu fácil demais.

Além dessa parte nonsense teve outras partes piores ainda. Sério que trocaram o titulo “The Shadow Knows” para “Sunshine and Frosty Swirl” para o sol e sorvete gelado do título serem apenas o desejo de um prisioneiro de Miami? Sério que o mimado Louis quer ferrar o Dexter por não agüentar ouvir críticas? Sério que teremos Quinn se envolvendo com outra possível testemunha? Sério que o vilão já está em Miami e vai perseguir Dexter durante toda a temporada?

Sei que tudo aqui pode parecer puro mimimi, porque escrevi o texto poucas horas depois de ver o episódio. Talvez não esteja com a cabeça fria para fazer análises e pode ser que a série melhore, mas… eu esperei por isso?

O que esperar da 7ª temporada de Dexter?

Estou tentando controlar minha ansiedade e não jogar muita responsabilidade para a série neste ano para que ela não me decepcione como a 6ª, mas a sétima temporada tem de tudo para ser a melhor de Dexter. Antes de mais nada: SE VOCÊ NÃO QUER SPOILER, NÃO LEIA O TEXTO! BELEZA?!

Vamos lá! Finalmente Debra descobriu o hobby de seu irmão. Esse foi o momento mais aguardado por mim durante estes seis anos de história. E agora finalmente vamos poder ver qual será a reação de Deb. Ela vai prender o irmão? Aceitar? Ela vai perder o resto de sanidade que ainda lhe resta e parar num hospício? Tudo isso pode acontecer, mas o que eu espero que aconteça mesmo são diálogos francos entre os dois. Uma das coisas que mais me irritam na série é o isolamento de Dexter diante da irmã e as milhares de mentiras que ele conta a ela. É angustiante ver Deb tentando ter uma conversa com Dex, perguntar alguma coisa e ele não responder. É como conversar com uma parede.

Embora eu escreva tudo como possibilidades, tenho certeza de que ela irá aceitar quem Dexter é. E penso isso por acreditar que a série errou há dois anos atrás. Se Debra tivesse pego o irmão no final da 5ª temporada eu teria entrado em pânico, achando que ela poderia matá-lo ou entregá-lo à polícia. Mas agora não. Tenho certeza de que ela não fará nada disso e que ele não vai machucar a irmã adotiva. Esse adiamento da verdade vindo à tona só deixou mais claro o que virá depois: a aceitação.

Outro ponto positivo desta descoberta é a mudança de fórmula, que eu espero que aconteça. No último post critiquei o padrão da série, que tem utilizado os mesmos recursos de roteiro há seis anos: Dexter e seu jogo de gato e rato com o vilão principal. Eu espero sinceramente que isso mude. Que o foco saia do vilão da vez e recaia sobre Debra. Quero que o principal problema de Dexter neste ano seja sua irmã. Que esteja na relação entre os Morgan a principal fonte de arcos desta temporada.

Como sou muito fã da série, não aguento ver notícias pipocando na internet e não ler nenhuma. A melhor maneira de assistir a qualquer obra ficcional, na minha opinião, é não saber nada sobre ela. Mas simplesmente não consigo fazer isso com Dexter, então já sei de algumas coisas que irão acontecer na sétima temporada. Vou contar algumas aqui, lembrando que tudo pode ser especulação e não acontecer de fato. Então vamos aos spoilers:

1º Spoiler: Mike Anderson morre no primeiro episódio, “Are You…?”. Acredito que foi o ator, Billy Brown, quem pediu para sair, já que ele vai entrar em outra série. Se a morte de Anderson não servir de estopim para um arco ficcional muito foda, a sua entrada no show terá sido um dos maiores desperdícios. Mike entrou como substituto de Debra, que deixou o cargo de detetive para se tornar tenente do departamento. Até achei que haveria um caso entre eles, já que Deb sempre pega alguém diferente todos os anos. Mas isso não aconteceu. O envolvimento dos dois ficou restrito às dicas de moda e etiqueta que Mike deu à nova tenente, que precisou se portar melhor nesta nova fase de sua carreira.

Anderson também se mostrou o policial mais inteligente do departamento e sacava as coisas primeiro que todos. Mas tirando isso e o fato de Mike apresentar a Deb uma casa pra alugar, a participação de Brown não teve o menor sentido. Achei que ele seria melhor aproveitado no ano seguinte, mas isso não vai acontecer, pois Mike está marcado para morrer logo na estreia da sétima temporada. Uma pena. Acredito que o personagem podia render.

2ª Spoiler: Após presenciar o assassinato de Travis, Deb confronta o irmão que, mais uma vez, a enrola. Dexter a convencerá que foi um momento de loucura e os dois queimam a igreja para se livrar das evidências. Porém, na hora da investigação, Laguerta vai encontrar a lâmina de sangue de nosso herói, o que a deixará certa de que o Bay Harbor Butcher está de volta. Ou melhor, que o BHB não era seu amigo Doakes.

Tô curiosíssima para ver o desenrolar dessa história, afinal a polícia vai perceber que o padrão é o mesmo do BHB e isso deverá iniciar uma nova caçada em Miami. E agora Dexter tem que escapar de mais uma investigação e convencer a irmã de não entregá-lo.

3º Spoiler: Talvez o mais óbvio, mas o melhor de todos. Debra acreditará na versão inicial do irmão, mas logo irá sacar que aquele não foi o primeiro crime de Dexter. Se foi impulso, por que o plástico? Por que toda a conversa com a vítima? Por que o avental?

A tenente pode ser cega de amor pelo irmão, mas não é burra e claro que irá perceber coisas estranhas e ligar o método de Dex ao BHB e ao ITK (Afinal não é possível Deb não se lembrar que ficou amarrada a uma mesa exatamente como Travis, há seis anos atrás). Ela descobrirá que o irmão é um serial killer e tentará libertá-lo de seu dark passanger.

No arco entre os dois, estou super ansiosa para ver os diálogos. Quero ver se ele vai se abrir com ela. Se quando ela perguntar ele vai responder que é sim um assassino. Se vai dizer o motivo pelo qual faz isso. Se vai explicar o código de Harry e ela finalmente entenderá porque o pai nunca deu bola a ela. Quero saber se ele vai explicar que a morte da Rita é culpa dele. Se vai contar que matou o ITK para protegê-la. Quero diálogos entre os dois. Por favor, conversem. Joguem todas as cartas na mesa.

O que acredito que não irá acontecer

No trailer oficial, vemos Dexter esfaquear Masuka no pescoço. Duvido que ele mate o colega de trabalho, ainda mais no local e do jeito mostrados no vídeo. Aquela cena deve ser sonho ou apenas a simulação de um crime.

Acho impossível Deb entregar o irmão. Provavelmente ela ficará louca sem saber o que fazer e o que sentir ao ver que toda sua vida foi uma mentira. Mas Dex é o único ser humano da vida dela, é sua única ligação com o passado, raízes, família. Debra não entregará o irmão criminoso.

Também duvido que Quinn, Batista e demais coadjuvantes tenham destaque este ano. Li um texto no site NaTV, onde a Carla Gomes falou o quão inúteis são os coadjuvantes de Dexter, e concordo totalmente com ela. Quinn só teve sentido na história quando se envolveu com Deb. E os outros só chamam atenção quando estão ao lado dos protagonistas do show, os irmãos Morgan. Pode ser chatice da minha parte, mas nenhum coadjuvante me faz a menor falta. Podem morrer todos e ficar apenas Deb e Dex.

Tramas paralelas

Além da máfia russa (eu acho que é russa) aprontar em Miami, também teremos a presença de Hannah (Yvonne Strahovski), uma mulher misteriosa que se envolverá com Dexter. Estou sentindo cheiro de Lila e Lumen por aí, e sim, isso me desagrada. Não sei porquê, mas não gosto das namoradas de Dexter. Gostava apenas de Rita. Hoje, acho melhor ele ter relacionamentos curtos e não se envolver com ninguém. Mas vamos esperar que saia coisa boa daí, e não apenas um namoro entre os dois.

Não faço ideia do que Louis Greene (Ryan Chambers) quer com Dexter. Talvez ele saiba quem ele é e seja um admirador. Tá com cara que será tipo um Miguel Prado na vida de Dexter, ou seja, um grude total. Tem de tudo pra ser uma trama bem interessante

E por favor, arranjem um namorado legal para Debra. Um dos motivos da última temporada ter sido ruim foi a falta de um novo parceiro pra policial. Pô, Deb é pegadora e não pegou ninguém na sexta temporada? Tem que mudar isso aí Showtime.

Dexter – Balanço da 6ª temporada

Decepcionante. Essa é a palavra que resume a sexta temporada, exibida em 2011 pela Showtime. E algo só nos causa decepção quando esperamos alguma coisa boa. A season 6 me criou expectativas. Ainda mais se formos lembrar que esta foi a primeira temporada que vi ao vivo. Os cinco anos anteriores eu assisti na sequência, em forma de maratona em 2010 e 2011. A sexta temporada foi a primeira pela qual eu esperei, vi teasers, trailers, spoilers. E o tema a ser tratado era muito bom: religião. A série que tem como protagonista um serial killer ia falar de religião, imagina quantas possibilidades de tramas e polêmicas isso não ia gerar? Mas a série cai na rotina e repete a fórmula de sempre. Um assassino apronta em Miami, Dexter se interessa pelos crimes e se aproxima do vilão, Dex atrapalha a investigação da polícia para matar o assassino primeiro, Dex tenta ficar amigo do vilão para salvá-lo ou para virar amigo ou para matá-lo, o vilão descobre quem Dexter é e tenta feri-lo ou então alguém da sua família, Dexter se zanga e depois de passar muito aperto finalmente mata o vilão e a polícia NUNCA PRENDE O RESPONSÁVEL PELOS PIORES CRIMES DO ANO EM MIAMI.

Como a quinta temporada foi um lixo, os produtores ignoraram toda a história do ano anterior.  O sexto ano começa um ano após a morte de Jordan Chase e o sumiço de Lumen, ou seja, eles poderiam levar o show para qualquer lugar. E optaram pela religião. Embora seja um monstro, Dexter tem um filho de dois anos e precisa passar coisas boas ao garoto. Agora ele está sozinho, não tem mais o suporte legal e moral de Rita, então a educação do fofíssimo Harrison está apenas a cargo dele. Mas como um assassino pode passar coisas boas para o filho? Como um cara que não acredita em nada vai dar sentido à vida de uma criança?

Isso ocorre ao nosso herói na hora de escolher uma escola para Harrison. O melhor colégio em Miami é cristão. Mas Dex é ateu. Aconselhado pela irmã, e vendo que pode deixar a educação moral e religiosa do filho a cargo da escola, Dexter matricula o filho em um colégio de freiras (fato hilário).

Após encaminhar o filho, Dex conhece Brother Sam (antes Mos Def, agora Yasiin Bey), um ex-bandido que se converteu e faz cultos semanais em sua oficina de carros. Enquanto isso, Miami é aterrorizada por outro assassino. Mas dessa vez o vilão passa mensagens bíblicas. Essa temporada pode ser dividida em duas: A primeira metade ótima e a segunda chata.

Dex não acredita na redenção de Brother Sam e se aproxima do mecânico para comprovar a história, que se mostra verdadeira no fim das contas. Para mim, Sam é o melhor personagem convidado de toda a série. A presença dele é muito importante para nosso herói, porque Sam não aparece como o criminoso de sempre que irá perder pra Dex no final. Ele é um homem comum que viveu o que Dexter está vivendo. Talvez eu goste de Brother Sam porque ele verbalizou uma teoria na qual eu sempre acreditei: Dexter nunca foi um monstro, foi Harry quem transformou ele nisso.

Sam percebe que Dexter tem seu dark passanger, e tenta convencê-lo, não diretamente, a deixar sua fúria de lado e focar no filho. Ele enxerga o amor que Dex sente por Harrison e vê nisso uma forma de mostrar ao serial killer que ele é sim um homem bom. O mais interessante é que a história de Sam se parece com a de Dexter. Sam entrou no mundo do crime após presenciar, ainda garoto, o pai matando um cara. Na época ele achava que isso era o certo, mas depois viu que não precisava seguir o caminho errado do pai. E é esse ensinamento que tenta passar a Dexter.

Enquanto Dexter e Brother Sam mantêm diálogos memoráveis, o Doomsday killer (DDK) mata suas vítimas e as expõe na forma de passagens bíblicas. Esse momento é ótimo, pois foca na investigação da Miami Metro. Os policiais e os fãs tentavam desvendar com seria o próximo crime lendo a Bíblia. Mas infelizmente o bom ritmo da série é quebrado ao meio, no episódio 6, o último bom episódio do ano.

Mas antes de contar a quebra que acontece em “Just Let Go”, vamos falar de coisa boa: Debra Morgan.  Repito, sempre que o arco de Dexter se perde em fórmulas desgastadas, é a outra protagonista da série que toma conta da cena. E a sexta temporada é particularmente especial para Deb, pois agora ela é tenente. Isso mesmo, chefe de Masuka, do irmão mais velho e de todos na delegacia, exceto da agora capitã Laguerta e do capitão Matthews (Geoff Pierson).

Laguerta descobre a amante prostituta de Matthews e o chantageia para conseguir um cargo melhor. Com isso o cargo de tenente fica liberado e a latina insiste em colocar o ex-marido, Angel Batista, em seu lugar. Só que Deb, sozinha, mata um louco atirador em um restaurante no primeiro episódio e se torna heroína do local e da cidade. E para dar mérito a Deb e, principalmente, ferrar Laguerta, Matthews escolhe a policial boca suja para o cargo de tenente. Fato que Laguerta detesta.

Agora vamos falar de coisa ruim: Maria Laguerta. Ela sempre foi insuportável, mas neste ano meu ódio por ela cresce assustadoramente. Nunca desejei tanto que ela morresse. Laguerta faz de tudo para dificultar a vida de Deb no novo cargo. Sério, gostaria que Deb aprendesse uns truquezinhos com o irmão e matasse Laguerta com suas próprias mãos.

No mesmo dia que é convidada a se tornar tenente, em “Once Upon a Time”, Debra também recebe outra surpreendente proposta: Um pedido de casamento de Quinn. A reação dela é impagável. Ela fica assustadíssima com o acontecimento e, claro, xinga muito. Apesar da confusão inicial, contornada após uma longa e boa conversa com Dexter (cena ótima), Deb se decide. No dia seguinte ela aceita o novo cargo dentro da polícia e rejeita o pedido de Quinn, o que faz com que o namoro acabe e com que Joseph acredite que ela o largou por ter se tornado tenente.

Deb lidando com as cretinices de Quinn e a filhadaputagem de Laguerta é um fator interessante, porque faz com que ela amadureça ainda mais. Mas agora ela está perdida por sentir que os amigos se afastaram por ela ser a chefe, por Laguerta ser uma “bitch”, pelo ódio de Quinn, pelo sempre ausente irmão e pela imensa responsabilidade de prender o Doomsday killer. Por ter matado o louco no restaurante, ela se vê obrigada a fazer terapia. Apesar da resistência inicial, ela continua com as sessões com sua psicóloga mesmo após ser liberada pelo Departamento. E ver Deb no divã é maravilhoso.

Achei a inserção da psicóloga fantástica, pois ali Deb pôde contar toda a desgraça de sua vida. A cena em que ela diz que perdeu a mãe cedo, que o pai nunca ligou pra ela, que o ex-noivo era um serial killer que tentou matá-la, que a única pessoa que tem na vida não se abre com ela e que o seu último amado foi assassinado na frente dela deixa a terapeuta arrasada. “Você quer marcar mais sessões por semana?”. Nesse momento vemos o quanto ela é frágil apesar da casca de policial durona e boca suja. E vemos o quanto os erros de Dexter refletem nela. Dexter pode não sentir nada, mas tudo o que faz recai sobre sua irmã. Dex erra e quem sofre é Deb.

Mas agora vamos voltar ao momento de quebra da temporada: “Just Let Go”. Brother Sam é assassinado neste episódio e Dexter, óbvio, decide se vingar, mesmo com Sam e Harry dizendo “Let Go!”. Dexter estava se aproximando do campo espiritual com Sam, não no sentido religioso, mas no sentido de entender que a vida é maior e que podemos mudar e fazer escolhas diferentes e que toda essa mudança pode ser motivada pelo amor que Dex sente pelo filho. Mas toda essa crença vem abaixo com o assassinato de Sam. Dexter não acredita na humanidade e decide continuar com seu dark passanger. Uma pena!

Uma pena matarem Brother Sam, os diálogos entre os dois eram uma das melhores coisas deste ano. Tiraram Sam da jogada para focar no Doomsday Killer, pessimamente interpretado por Colin Hanks (isso mesmo, ele é filho do Tom Hanks). Se os assassinatos seguissem a lógica inicial seria ótimo. A premissa era: Um estudante, Travis Marshall (Hanks), guiado por seu professor louco, Gellar (Edward James Olmos), comete uma série de crimes que lembram passagens bíblicas em Miami para provocar o fim do mundo. Os crimes eram muito bem elaborados e as vítimas eram expostas de um jeito teatral. Se seguissem com isso seria maravilhoso, mas optaram por outro caminho. Tortuoso caminho para os fãs.

No episódio 9, “Get Gellar”, Dexter descobre que o professor está morto. Na verdade o louco é Travis, que matou o professor e continua achando que ele está vivo guiando sua série de crimes. Essa revelação não foi surpresa para os fãs mais atentos, milhares de pessoas já sabiam que o Doomsday Killer era uma pessoa só. A partir daí a série deixa de se preocupar com os assassinatos muito bem elaborados do vilão e foca toda a história na loucura de Travis e no jogo de gato e rato entre Dex e DDK. O que considerei uma péssima escolha.

A parte psicológica da série com a presença de Brother Sam era muito mais interessante que isso. E outro detalhe irritante: Dexter nunca atrapalhou tanto o trabalho da polícia, o que achei uma sacanagem sem tamanho. A irmã dele acabou de ser promovida e precisa prender o pior bandido de Miami para se manter no cargo e, ao invés de ajudá-la, Dexter só põe obstáculos no trabalho de Deb. E tudo isso para ajudar Travis, que nosso herói acreditava estar nas mãos do professor Gellar. O que é mais importante, ajudar a irmã ou um cara que nunca viu na vida? Essas coisinhas de Dexter Morgan me irritam.

Com a revelação que só há um DDK, Dexter fica irado e decide matar Travis, história que rende arcos sonolentos. Enquanto isso Deb se desdobra para desvendar o caso com a ajuda do recém chegado e espertíssimo Mike Anderson (Billy Brown). Essa investigação rende uma cena ótima. Quinn, que se tornou um verdadeiro babaca após o fim do namoro com Debra, transa com uma testemunha importante do caso DDK e leva um esporro fenomenal da ex.

No meio desse turbilhão de acontecimentos, Deb ainda descobre, na terapia, que está apaixonada pelo irmão. Ao contrário da maioria dos fãs, eu defendo essa história. O relacionamento dos dois nunca foi nada comum e Debra venera o irmão de um jeito muito estranho. Para mim não é loucura que isso seja paixão. Só não gostei da forma como a história foi inserida. Deu a impressão de que a psicóloga fez um “inception” na mente de Deb. O recurso usado pelos roteiristas foi, mais uma vez, covarde. Por que ela não poderia perceber isso sozinha? Precisava de uma psicóloga enfiar isso na cabeça dela? Isso só serve para enfraquecer este arco e acabar facilmente com ele caso a audiência rechace o romance entre os irmãos adotivos.

De volta a Dexter, ele finalmente mata Travis. Porém, seu ritualístico assassinato é presenciado pela irmã. ALELUIA! ALELUIA! Até que enfim, né Showtime? Passou da hora de Deb descobrir, não tinha mais condições dela ficar alheia a isso. Esse foi o momento mais esperado por mim e agora é ver o desenrolar da trama na sétima temporada.

Resumindo: No geral a sexta temporada é boa. Ela seguiu um caminho errado – na minha opinião – ao tirar o foco da discussão trazida por Brother Sam a respeito de quem é Dexter e porque ele se tornou quem é para seguir o caminho fácil da fórmula desgastada: Dex atrás do vilão. Destaque pra Debra Morgan mais uma vez, as tramas envolvendo a tenente boca suja foram ótimas, diria até que a série girou em torno dela neste ano.

Já ia me esquecendo… A temporada ficou tão chata que resolveram trazer os melhores vilões de volta: Ice Truck Killer e Trinity. Quando se vê desesperado com a morte de Sam e mata o assassino do amigo, Dexter volta a ver o irmão mais velho, Brian. Nesse momento ele tem o devaneio de largar tudo pra traz e viver sua vida de verdade ao lado do irmão, coisa que ele abriu mão na primeira temporada. E Trinity volta na forma do filho, Jonah Mitchell. A irmã de Jonah não agüenta mais viver com a mãe, que ainda ama o marido (Arthur) e culpa os filhos pelo que houve, e decide se matar (também na banheira). Inconformado, Jonah espanca a mãe até a morte e põe a culpa das duas mortes no pai, que todos acreditam estar foragido.

A volta dos personagens foi brochante, pois tudo só durou um episódio. Ao lado de Brian Dexter vira um monstro (usa até arma de fogo, coisa que odeia). Mas o monstro só agiu por algumas horas. Após o encontro com Jonah em Nebraska ele decide voltar para Miami e para seu código. Não houve o menor sentido o retorno dos personagens. Voltaram para dar um impacto, mas isso só aconteceu no segundo em que vimos Christian Camargo (intérprete de Brian) na tela pela primeira vez, pouco depois o efeito se desvaneceu.

Dexter – Balanço da 2ª temporada

Esta é a temporada mais psicológica de Dexter. Já ouvi de pessoas que não são tão fãs da série que esta temporada é um pouco chata. Discordo totalmente. Talvez ela não tenha tanta ação quanto a primeira, mas é neste momento que nos aprofundamos na mente de nosso herói.

Tudo desaba no mundo de Dexter. Ele sente dificuldades de saciar seu dark passanger (já que a última pessoa assassinada por ele foi seu irmão de sangue), suas vítimas são encontradas, Doakes (Erik King) está seguindo nosso herói, Debra está traumatizada com a tentativa de assassinato do ITK e vai viver com Dex (o que atrapalha sua rotina de assassino), Rita começa a desconfiar que algo está errado, o rock star do FBI começa a investigar seus assassinatos em série, Miami só fala do Bay Harbor Butcher, ele começa a questionar Harry e seu código e se envolve com a perigosíssima Lila.

A série melhora quando tudo está dando errado pra ele. Para não ser pego, ele boicota o trabalho da polícia (como sempre). Para se livrar das desconfianças de Rita, mente que é viciado em drogas e vai parar no narcótimos anônimos, onde é apadrinhado por Lila (Jaime Murray). Com isso ele se envolve com a ex-viciada. Devo admitir que odiei o relacionamento na época. Pura sacanagem com Rita. Como o cara diz que não sente nada por ninguém e trai a namorada? Se ele não é nada apegado a relacionamentos físicos porque trair a namorada que é a perfeição em termos de camuflagem?

Bom, não engoli em nada o envolvimento “romântico” entre os dois. Mas admito que eles se entenderam perfeitamente, ou melhor, a Lila entendeu o Dexter perfeitamente. É incrível como ela soube ler o que se passava na mente dele. Ela não sabia que ele era um assassino, mas enxergava absolutamente tudo que Dex sentia e pensava. Se pararmos para analisar, Lila era a mulher perfeita para Dexter, se não fosse tão chave de cadeia.

No meio de tantos problemas, Dexter ainda tem que lidar com o Doakes descobrindo seu hobby. Para o sargento não entregá-lo, nosso herói decide trancá-lo em uma cabana abandonada no meio do nada. E mais uma vez vemos o quanto Dexter é dúbio. Ele não mata Doakes, pois está preso ao Código de Harry. “Não mate inocentes”. Mas ao mesmo tempo não pode deixar o policial solto para contar seu pequeno segredo.

As melhores partes desta temporada são os diálogos de nosso serial killer favorito com Lila e Doakes. A britânica lê os pensamentos de Dex e Doakes tenta convencê-lo a se entregar. Os roteiristas capricharam nestes 12 episódios. São nessas conversas que entendemos o que Dexter pensa. E no meio disso tudo ele descobre um grande segredo: o suicídio de seu pai adotivo.

Essa revelação foi um baque para Dex, afinal seu pai se matou por causa dele. Após presenciar um assassinato cometido pelo filho, Harry percebe o monstro que criou e não consegue viver com isso. Todos acreditam que o policial fodão morreu por conta de problemas no coração, mas Doakes vem nos dizer que ele se matou. E isso cai como uma bomba para o mundo de Dexter.

Paralelamente à tensão em torno do serial killer, Debra está se recuperando de seu trauma. No começo da temporada ela se apaixona por Frank Lundy (Keith Carradine), o agente do FBI que chegou a Miami para cuidar do caso Bay Harbor Butcher. Deb larga Gabriel (Dave Baez) – o namorado mais gato que ela já teve em seis temporadas – para ficar com Lundy, que é uns 30 anos mais velho que ela.

De volta ao problemático Dexter… O relacionamento com Lila não dá muito certo depois que ela invade a casa da Rita e arma para que o assassino da mãe biológica de Dex vá a Miami atacá-lo. É com o rompimento que Dexter conhece uma mulher grudenta de verdade. Lila faz de tudo para ficar com seu amado, até acusa Angel Batista (David Zayas) de estupro!

O que parecia um grande problema para Dexter se torna uma solução. Doakes está preso em uma cabana (sendo obrigado até a presenciar um assassinato do querido e danificado Dexter) e é descoberto por Lila, que nesse momento fica sabendo que seu amado é o Bay Harbor Butcher. Pra surpresa ou não do público, ela adora a ideia e faz de tudo pra proteger Dexter, o que significa matar Doakes.

Apesar de ter sido uma saída inteligente dos roteiristas, achei essa solução um pouco covarde. Depois de longas conversas com Doakes, Dex decide abrir o jogo com Deb e se entregar (numa cena hilariante com as possíveis reações da policial). Mas no meio da conversa ele desiste e pouco depois descobre Doakes morto. Essa solução foi covarde porque tiraram o peso da morte do sargento das costas de Dexter. Apesar de ter trancafiado Doakes e pensado em matá-lo, Dexter continua um herói aos nossos olhos, afinal ele não matou um inocente. Queria muito saber o que ele teria feito com Doakes sem a ajudinha providencial de Lila.

Mas para provar o quão bonzinho ele é, Dexter viaja para França para matar Lila. Que a essa altura já se mandou de Miami. Apesar do ódio por todas as coisas que Lila fez com ele, Dexter só mata a ex-amante porque ela se tornou uma assassina. E o Código de Harry só permite matar culpados. Repito, essa foi uma saída inteligente dos roteiristas, pois mantiveram a áurea de herói do protagonista, mas ainda acho um artifício covarde.

Lila e Doakes mortos. Laguerta triste pela perda do amigo. Debra mais uma vez solteira, já que Lundy volta para a sua cidade após a “morte do Bay Harbor Butcher”. Dexter volta para Rita e finalmente para de se questionar. “Sou um cara bom fazendo coisas ruins? Ou um cara mau fazendo coisas boas?”. Dexter assume seu dark passanger, tira Harry do pedestal e passa a ter seu próprio código.

Confira a cena “imaginária” onde Dexter conta à irmã que é o Bay Harbor Butcher