Dexter – Balanço da 1ª temporada

Faltam 15 dias para a estreia da nova temporada de Dexter e para arranjar alguma coisa pra controlar a ansiedade aquecer vou fazer uma retrospectiva da série da Showtime. Comecemos por um balanço da primeira temporada, que foi ao ar em 2006.

É difícil escolher a melhor fase do meu serial killer favorito. Quase impossível decidir entre a 1ª e a 4ª temporadas. Mas tenho uma tendência a achar a primeira temporada a melhor de todas, pois nesse primeiro ano Dexter foi muito bem apresentado ao público.

Neste momento conhecemos Dexter Morgan (Michael C. Hall), um analista forense que trabalha no setor de homicídios da Polícia de Miami. O especialista em padrões de dispersão de sangue se aproveita do cargo dentro da polícia para saciar seu eu verdadeiro: o de assassino. Dexter conhece a ficha criminal dos bad guys e se aproveita das falhas da justiça para fazer sua própria justiça. Isso mesmo, nosso  herói só mata culpados, ou melhor, só mata assassinos.

Dexter é jovem, bonito, bronzeado, apresentável, amigo, calmo, competente, profissional. Ou seja, um sujeito acima de qualquer suspeita. Toda essa casca foi criada com muito esforço com a ajuda de seu pai adotivo, Harry Morgan (James Remar). Harry encontrou Dexter em uma cena de crime e adotou o garoto. Aos poucos ele começou a perceber que Dex era diferente e canalizou o lado negro do menino, ou seja, o ensinou a matar apenas culpados. O policial ensinou o Código de Harry a Dexter, cuja primeira regra é: Não seja pego. A partir dessa premissa, toda a vida do serial killer é, óbvio, matar pessoas e, principalmente, encobrir seus rastros. Mas a rotina bem calculada de Dexter começa a mudar quando outro assassino em série começa a aterrorizar Miami: O Ice Truck Killer (ITK).

O novo bandido mata e desmembra garotas de programa e, o mais impactante para Dexter, deixa suas vítimas à mostra e sem nenhuma gota de sangue. O ITK divulga seu trabalho, o oposto de Dexter, que joga suas vítimas no mar. Esse método deixa Dexter encantado e ele passa a trabalhar com mais atenção nas crime scenes deixadas pelo ITK. O divertido é que com o passar dos episódios, percebemos que o ITK está brincando com Dexter, pois todas as suas vítimas são deixadas em locais da cidade onde Dexter já esteve com sua família adotiva.

Enquanto a vida criminosa de Miami está a todo vapor, Debra Morgan (Jennifer Carpenter), a irmã adotiva de nosso herói, está tentando alavancar sua carreira na polícia. Através das dicas de Dex, Deb sai da Narcóticos e realiza seu sonho de trabalhar na área de Homicídios, onde o pai de ambos fez carreira. Além do sucesso profissional, Deb também encontra o homem ideal: O médico Rudy Cooper (Christian Camargo).

Paralelamente a isso, o namoro de Dexter com Rita (Julie Benz) começa a avançar. Rita tem um ex-marido viciado e que a agredia. Desse relacionamento nasceu dois filhos: Astor e Cody. No princípio, Dexter só se interessa por Rita para usá-la como camuflagem, afinal um homem comprometido com uma mãe de duas crianças é menos suspeito que um solteirão sozinho em seu apartamento.

No desenrolar da história, descobrimos que Rudy Cooper é na verdade Brian Moser, irmão que Dexter nem lembrava existir. Os dois são filhos de Laura Moser,  assassinada cruelmente na frente dos garotos em um container. Na época do crime, Dex tinha quatro ano e bloqueou tudo o que aconteceu no fatídico dia. Só que Brian encontrou seu querido irmãozinho e descobriu que eles eram parecidíssimos.

Brian começa a namorar Deb pra ficar mais perto de Dexter e na maravilhosa season finale, o ITK oferece a fake sister de Dexter envolta em plástico para Dexter matá-la. A intenção de Brian é cortar todos os vínculos de Dexter com o seu passaso, com Harry, com o Código. Ele diz a Dexter que ele não pode ser um herói e um assassino ao mesmo tempo, e propõe ao irmão acabar com todas as mentiras e viverem felizes matando pessoas como se não houvesse amanhã.

Pra mim esse é um dos grandes momentos de toda a série. Pois Dexter sempre diz que não tem sentimentos e, no episódio piloto, afirma: “Deb é a única pessoa no mundo que me ama. Se eu tivesse sentimentos, seriam por ela”.  A primeira temporada constrói e desconstrói o protagonista. No episódio final, “Born Free”, ele tem a chance de parar de fingir, de poder ser verdadeiro com alguém que conhece e não condena seu segredo. Mas ao invés de seguir o caminho perfeito com seu irmão de sangue, ele se nega a matar Debra e acaba com a vida do ITK para protegê-la.

Nessa hora vemos o primeiro momento de humanidade em Dexter. Ele se vê em uma encruzilhada e, ao invés de fazer o que seria correto para ele, Dex se prende ao Código de Harry “não mate inocentes” e percebe que sente sim, carinho pela irmã adotiva. A cena em que ele chora após matar o irmão é fantástica.

A temporada é perfeita. Apresenta o Harry’s code, a vida cheia de camuflagens, o metódo para matar, a tentativa sofrível de parecer normal e a chance da vida de conhecer alguém que sabe quem ele é de verdade. Pra mim muitas das respostas da série estão nessa primeira temporada. Ele é um assassino frio, mas apesar de negar, tem sentimentos sim. E isso torna o nosso herói incrível e cheio de camadas. A série tem a capacidade assustadora de fazer com que o público goste de um serial killer.

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